Esse é o livro do lagartinho, publicado pela O\Reilly Media.
Está à disposição do leitor nesse endereço.
Em algum momento, talvez seja esse o destino do meu livrinho: liberá-lo para o mundo.
Adoraria ter tempo pra fazer isso aqui.
> This machine is a book scanner that I designed. It makes paper books into digital books. When I started this project in 2009, there was almost no useful information on the internet about how to design, build, and operate a book scanning machine.
Para ler com calma. Sobre o enfraquecimento da web aberta e descentralizada. Faz uma ode aos formatos XML e XSLT ao dizer que "são cruciais para manter a web universal e aberta, permitindo interoperabilidade e a criação de documentos complexos e acessíveis". Menciona ainda um "desmonte ao RSS" - um dos temas que vivem no meu rascunho "pra quando o blog voltar".
Eu fico imensamente feliz em saber que o Rafael Galvão nunca deixou de escrever. E o faz cada dia melhor.
Quero ressoar o seu discurso no qual faz falta uma visão mais ampla, coletiva, sobre como podemos ser.
Em busca por comentários relacionados ao princípio "Felca, Jornalismo e os algoritmos", cheguei no conceito de "neurônio-espelho".
Uma boa hipótese em relação ao fato do vídeo ter sido mais impactante em relação a qualquer reportagem recente sobre o tema: o espectador reage junto. Quem se apresenta não tenta ser isento, imparcial. Não disfarça sua espontaneidade.
Encontrei um podcast do Luli Radfahrer, professor da ECA, explicando esse conceito em 2020.
> É aquele momento que você vê uma pessoa caindo e você meio que se arrepia e se retrai porque você sente na sua pele isso. Ou quando você vê uma cena num filme de terror e se esconde, você se encolhe. O que está acontecendo ali? Você está projetando esse tipo de informação dentro de você, vivendo essa informação.
Segundo Luli, a lógica também é usada no cinema e nos games. Também na educação. "Não adianta pedir para uma criança comer verdura sem que o adulto o faça. Crianças repetem ações e falas de adultos. Imitam para aprender. Ao aprender uma língua, repetimos frases para assimilá-las".
Estou seguindo as pessoas erradas? Por que será que, durante a semana, vejo essa discussão rolando:
> É muito comum, quando um influenciador faz um vídeo muito popular que toca em assuntos cobertos pela imprensa, que jornalistas se questionem: onde é que estamos errando? Por que nosso conteúdo, que passamos meses e gastamos milhares de reais apurando, possui tão menos visibilidade do que o vídeo de um influencer de 27 anos que nunca dedicou um minuto de sua vida ao jornalismo?
Não foi apenas o Sergio Spagnuolo que levantou essa bola.
Talvez um dos pontos mais calorosos da conversa tenha a ver com isso aqui:
> O Felca faz o rolê dele, do jeito que ele quer, com a linguagem que ele quer. Ele não tem padrões jornalísticos pra seguir, ele não tem que ouvir o contraditório, checar fatos nem discutir pautas à exaustão. Ele não tem editores que vão ler e reler o roteiro dele nem checar suas afirmações. O processo dele não é jornalístico.
Mas o processo relacionado ao vídeo sobre adultização, capaz de furar a bolha, pautar a grande imprensa e virar debate no Congresso, teve em seu processo algo bem mais próximo do Jornalismo em comparação com os perfis de celebridade, os caçadores de clique e outras pragas programáticas.
> O jornalismo precisa se preocupar em chegar ao máximo de pessoas, claro, mas a partir do momento em que começar a se preocupar mais com pageviews do que em "intencionalidade" e "processo", tudo o que vão sobrar são influenciadores.
Concordo. E aqui reside a pergunta-Tostines dessa questão: quem alimenta as plataformas digitais, que sustentam influenciadores e promovem conteúdos que, não necessariamente, geram debate - mas fazem muita espuma?
Sobre o que você anda escrevendo? Pra onde você vai passear? E as crianças, onde estão?
Miles Richardson é professor de CONEXÃO COM A NATUREZA.
Sim. Existe. Pode parecer um professor de, digamos, "bebeção de água".
Mas não é tão óbvio assim. Diz o The Guardian:
> People’s connection to nature has declined by more than 60% since 1800, almost exactly mirroring the disappearance of nature words such as river, moss and blossom from books.
Em 200 anos, deixamos de publicar mais da metade das palavras relacionadas ao mato ou morro. O que representa uma gradual "extinção contínua da experiência com a natureza" - isto é, ou mato, ou morro.
> More effective, according to the study, are measures instilling awareness and engagement with nature in young children and families, such as forest school nurseries.
Pé na grama, olhar atento e léxico forte.
Recado de Alberto Cairo no LinkedIsney:
> Big news: The archive of my old weblog, The Functional Art, is back online: www.thefunctionalart.com
> The blog won't be updated anymore, though. In the next 2-3 weeks I'll share some news about resuming the newsletter related to my upcoming big project: openvisualizationacademy.org
A ver.
Tradução de um texto de Colson Whitehead, publicado há um tempinho.
> A arte da escrita pode ser sintetizada a algumas regras básicas. Divido-as com vocês agora.
São 11. Ei-las, em uma tuitada.
1. Mostre o seu trabalho aos colegas.
2. Não procure o assunto, deixe que ele te encontre.
3. Escreva sobre aquilo que você sabe.
4. Não use três palavras quando basta uma.
5. Faça um diário dos seus sonhos.
6. O que não é dito é tão importante quanto o que é dito.
7. O bloqueio criativo é uma ferramenta útil.
8. Essa é segredo.
(Pausa para uma palavra: MAQUEFIADAPUTA!)
9. Viva aventuras.
10. Revise, revise, revise.
11. Não há regras.
Compra perdulária para o futuro: um jogo de cartas, ao estilo super trunfo, com carros antigos. Muito legal!
Consegui assistir, na TV aberta (como os antepassados dos sapiens faziam), o documentário que conta a história de Bozo Bozoca Nariz de Pipoca.
Silvia Abravanel atua como apresentadora engessada e entrevistada, onde ela se sai melhor. Talvez seja a única coisa que realmente me incomodou.
De resto, é uma viagem sensacional ao tempo que a TV Mistubishi era minha babá, com intervenções de personagens como Zecão, Lili, Macarrão, Zico, Zoca, Candinha, Marocaa e Sônia Abrão.
Impressionante o momento em que Luiz Ricardo confidencia, em detalhes, seu momento de fraqueza ao ser demitido da função de Bozo.
Uma das pautas pro blog que estão guardadas há séculos: eu ganhei um Lango Lango no programa, vestido de coelho. Lembrei disso (e da minha Charanga da Estrela) enquanto assistia.
Vale rever no Mais SBT.
Hoje mandei um e-mail pra Bia Granja.
Talvez ela não veja, nem responda. Tudo bem.
Se você não tem ideia de quem estou falando, esse artigo, de 2015, redigido pela Daniela Paiva, faz uma bpa síntese.
O que o texto, digamos assim, não se aprofunda, tem a ver com a iniciativa construída por ela, ao lado de Bob Wollheim, em 2006.
> Juntos (afetivamente e profissionalmente), em 2006 encamparam o projeto da revistinha PIX, que falava das coisas legais da internet, mas sem afetação. Sem achar que aqueles seres eram ETs.
Todo mundo conhece YouPIX como plataforma impulsionadora de creators. Mas ninguém lembra da revistinha, em formato de cartão-postal, distribuída gratuitamente.
Levante a mão quem desejaria reencontrar esse acervo, que conta uma boa parte dos primórdios da web nacional.
> Em depoimento, o homem disse que o ambiente era de brincadeira e harmônico, e estava comemorando o nascimento da sua filha. Ele também disse que, no dia do evento, fez uma brincadeira e que aconteceu de "lamber a orelha", mas que o ambiente era "de muita descontração".
Sempre uma brincadeira.
Olha isso. Texto escrito por David Gisselsson Nord e Alberto Rinaldi, no The Conversation publicado na BBC.
> O uso de táticas e tecnologias cada vez mais sofisticadas para manipular a cognição e a emoção representa uma das ameaças mais insidiosas à autonomia humana em nosso tempo.
> A guerra cognitiva serve para obter vantagem sobre um adversário, visando atitudes e comportamentos a nível individual, de grupo ou populacional. Ela é projetada para modificar as percepções da realidade, transformando a "configuração da cognição humana" em um domínio crucial da guerra. Trata-se, portanto, de uma arma em uma batalha geopolítica que se desenrola por meio de interações entre mentes humanas, em vez de em domínios físicos.
> A capacidade de microssegmentação pode evoluir rapidamente à medida que os métodos de acoplamento entre cérebro e máquina se tornam mais eficientes na coleta de dados sobre padrões de cognição.
Resenha escrita por sol2070 que me faz correr atrás desse livro - o primeiro escrito pela Cecilia Olliveira.
Joana, nove anos, vai ter que levar um jornal impresso para a escola nesta semana.
Jornal. Impresso. Talvez você não conheça.
Até recentemente, pessoas circulavam pelas calçadas e encontravam bancas, estruturas que remetem a quiosques, e edições de jornais do dia, penduradas na lateral. Gente parava pra olhar as manchetes e se informar - basicamente, é o que aquele tio do Zap faz naquele grupo reaça com os amigos do bingo.
Outras bancas do centro, ou aquela enorme, no Terminal Tiet~e, traziam jornais do país todo - dava pra comprar O Globo ou o Zero Hora.
Lembrei desse texto delicioso do Tiago Dias, publicado "na UOL", em 2021, em plena pandemia. Ali, as bancas de revistas já estavam em decadência.
> "Era uma época em que o povo chegava antes aqui para saber o resultado do jogo do bicho, do jogo do campeonato de ontem. Que o pai vinha na sexta comprar gibi para o filho e revista para a mulher. Não tinha internet. Agora ela acabou com tudo."
Joana vai visitar uma banca de jornal e, provavelmente, vai se ligar em algum objeto interessante e, provavelmente, não-impresso.
Rodrigo Ghedin descobriu esse longo ensaio de Dan Williams e explica, no indispensável Órbita:
> O autor defende que a crise de populismo/demagogia é fruto do que chama de “caridade epistêmica”, um tipo de humilhação sentida por aqueles fora do circuito de produção do conhecimento.
Para ele,
> Muitos dos nossos problemas políticos mais profundos parecem estar entrelaçados com questões epistêmicas . Pense em nossas supostas crises de "desinformação", "informação enganosa", "pós-verdade" e teorias da conspiração.
Vou ler e reler com calma. Mas o ponto que ele oferece é sensacional.
Lembrei de um livro muito interessante, “O Mundo do Avesso”, onde a antopóloga Leticia Cesarino observa de que forma a estrutura digital “esfarela” a confiança em algumas instituições e desestabiliza o diálogo. É como se houvesse, ainda, uma camada “cibernética” nesse debate – além da questão dialógica, trazida pelo texto.
Então posso usar Python para distorcer vozes? Na prática, posso usar Python pra toda jornada de um áudio? Mmmhhh!
Não sei se um dia eu vou usar isso aqui. Mas é bem interessante. Descobri ao abrir a versão demonstração da biblioteca Pedalboard.