O texto do Guilherme Ravache é fechado. Mas ele trouxe muita coisa pro LINQUEDISNEY.
> Não faz muito tempo, quatro ou ou cinco grupos de mídia decidiam o que todos viam; agora, meia dúzia de plataformas e seus algoritmos decidem o que veremos ou não. Trocamos a hegemonia da TV pela cultura dos algoritmos.
Ele vai explicar que não foi, exatamente, uma troca.
> O algoritmo mudou até como fazemos entretenimento. Segundo o ator Matt Damon, os filmes agora são escritos para quem assiste mexendo no celular. Os diálogos repetem o enredo 3 ou 4 vezes porque a atenção do espectador está fragmentada.
Trocamos o olho no olho na hora do almoço pelo olho na tela.
> Conversar no trabalho sobre o que assistiu na noite anterior, sentar ao lado de outras pessoas no cinema, cantarolar em coro um hit nacional... acontece cada vez menos. E isso ajuda a explicar muitos dos problemas atuais.
A frase que me pegou foi essa aqui.
> O problema é que o consumo solitário atrofia nossa capacidade de compartilhar histórias e valores, cria abismos entre as pessoas. Falta conversa, há menos troca de ideias e experiências.
Lembro que estive na biblioteca Hans no último sábado. Com Renata Rossi, Sandra Guzman e uma turma (incluindo a Fábia Medeiros, que me aturou por dois semestres na São Judas). Trocamos figurinhas sobre mediação de leitura.
Mediar não é só mostrar um livro e suas ilustrações ou ler, respeitando cada palavra escolhida pelo autor. É um exercício social. É servir de intermediário entre o ouvinte e as ideias encapsuladas editorialmente. Processos com nuances impossíveis de serem emuladas por um modelo de linguagem computacional.
É como deveria ser uma conversa: o mediador faz um convite. Abra a sua mente. Venha comigo. Traga suas referências, indique o que você entendeu, compartilhe suas interpretações.
Bons mediadores respeitam individualidades (difícil!) e vão além da descrição do objeto. Contextualizam ao máximo: qual a história desse autor, onde ele vive, quais suas angústias, o que passou na cabeça do ilustrador, por que essa dedicatória, enfim.
Bakhtin diria que mediar é construir sentido coletivamente, dialogando.
O "anti-Bakhtin" (socorro!) deve reforçar a hipótese na qual as plataformas não funcionam como suporte pra essa mediação. Pelo contrário: o fluxo que elas produzem se torna a única condição para existência do conteúdo.
Que tipo de construção coletiva estamos dispostos a perder quando tratamos palavras jogadas na rede como métrica? Ou a metáfora da construção não cabe mais: virou pescaria predatória. E os peixes somos nós.
Não sei se é uma tática viável, mas o Tecnoblog está apinhado de artigos que começam com "o que é" - talvez pra tentar fisgar alguma credibilidade nas buscas catapultadas por IA.
Enfim. Esse, assinado Igor Shimabukuro, faz um resumo bem interessante sobre redes sociais.
As últimas linhas, provavelmente, mereceriam um texto longform à parte. O texto se arrisca a diferenciar "rede social" de "mídia social". Veja lá e, depois, compare com o que o Walter Lima definia, em 2009:
> A mídia social conectada é um formato de comunicação mediada por computador (CMC) que permite a criação, compartilhamento, comentário, avaliação, classificação, recomendação e disseminação de conteúdos digitais de relevância social de forma descentralizada, colaborativa e autônoma tecnologicamente. Possui como principal característica a participação ativa (síncrona e/ou assíncrona) da comunidade de usuários na integração de informações.
Victor Barone resume o seminário - que só deixei de ir pois custava R$ 750...
Estou encantado com esse negócio... Quem será o primeiro site tupiniquim a "copiar"?
Gosto muito dos textos do Carlos Nepomuceno.
Não conhecia este site. Vou navegar com calma.
Mais uma dessas listas que costumamos encontrar há uns dois, três anos...
Computadores e algoritmos calculando sentimentos? "Embora os algoritmos avançados da Scout Labs, Jodange e Newssift utilizem métodos avançados, nenhum dos serviços funciona com perfeição".
André de Abreu alerta: antes de fechar negócio com o "evangelizador", pergunte se ele conhece SNA
a partir deste link do Rogério Christofoletti, dá pra descobrir muitos outros sobre o tema...
"A nova era da computação pertence a quem souber aproveitar o potencial da inteligência coletiva de maneira eficiente e ágil, garantindo qualidade". Opa!
Texto bastante elucidativo do Guilherme Felitti.