Paulo Nassar, professor da ECA, cita Byung-Chul Han e faz menção a "espaços de resistência" contra algoritmos.
Quanto mais a vida é organizada por plataformas alimentadas por atenção, dados e otimização) mais as pessoas criam ou voltam a praticar rituais fora das telas e sem a obrigação de serem produtivos, capazes de interrompem essa lógica e recuperar silêncio, presença e sentido.
Quero acreditar nisso.
Dentro de campo, o futebol ajuda a contar as histórias dessa Copa inflada; três sedes, 48 times.
Fora dele, a Internet colocou dois personagens em órbita.
Um é Vozinha. O outro, Tim Payne.
O defensor da Nova Zelândia começou o mundial como o "jogador com menos seguidores"; então os argentinos encamparam uma missão e o tornaram popular.
Procure aí pela cumbia que diz:
"No será la Copa de Yamal / Como decía mi abuelo / Ojo con Tim Payne en el Mundial / Es el nuevo Di María!"
Pois em menos de 20 horas, o goleiro de Cabo Verde, cujo nome real (Josimar) também tem relação com futebol e Copa do Mundo, tornou-se o novo fenômeno.
> El meta de Cabo Verde cuajó una impecable actuación hasta España, que le ha valido entrar en el club de los 'millonarios' para superar al neozelandés
O texto do Marca não menciona Valen Scarsini (conhecido como "El Scarso") ou mesmo a CazéTV como impulsionadores (como de fato foram). Apenas perguntam: "¿Habrá algún otro fenómeno que desbanque a Vozinha?"
O tempo é sábio.
Tá com tempo livre? Divirta-se!
> Transform any website into pure chaos with burning cursors, Comic Sans everything, fake cursors, runaway buttons, and more. A humorous parody tool - NOT for actual use on real sites. Some people just want to watch the web burn.
A Morte do Design Industrial e a Era dos Eletrônicos Sem Graça, escrito por Maya Posch, é uma viagem no tempo.
A estética plástica vibrante dos anos 2000 virou uma obsessão pelo app reducionista.
Já devo ter dito isso antes. Mas eu sou muito, muito fã da Inesplorato.
Um dos meus objetivos pessoais é: entender os pormenores do que eles entendem por "curadoria do conhecimento" e aplicar a qualquer contexto.
Debora Emm, uma das fundadoras, compartilha aqui um dos tópicos que mais me angustia nesse 2026: de que forma nossa ginástica mental está sendo substituída por "snacks" produzidos por IA.
> Desenvolver mecanismos para lidar com os inúmeros estímulos da realidade faz parte da forma como organizamos a vida em sociedade. Simplesmente não dá para parar, prestar atenção e pensar sobre tudo. Mas o que perdemos quando passamos a consumir apenas aquilo que já chega pronto e elaborado?
Não sei. Preciso de ajuda pra responder a isso.
Preciso ler mais de uma vez pra entender por que fiquei incomodado com esse texto do Mauro Amaral.
É um artigo publicado em uma consultoria que se apresenta com "metodologias proprietárias para produção de conteúdo em alto volume"
Não sei se é o argumento principal, o tal do "liquid content". Entendi que, na verdade, a metáfora devia ser "snack content" ou "fast food content": produzir "conteúdo" em escala e velocidade para "alimentar" plataformas.
> A produção de conteúdo, para todos os efeitos práticos, acaba de virar commodity.
Para todos os efeitos práticos, quem se importa com volume de conteúdo?
> Boa IA precisa de bons dados. Este é o nó que ninguém quer enfrentar porque envolve trabalho chato, não glamoroso.
> Organização do acervo é investimento estratégico. Taxonomia de conteúdo, metadados bem estruturados, categorização consistente: tudo isso que parecia burocracia interna vira infraestrutura competitiva.
O trabalho chama-se "pensar e organizar". Igual o seu TCC. Se ele foi bem feito, tem introdução, desenvolvimento, conclusão. Estrutura. E foi pensado assim.
Hoje o pessoal do Núcleo escreveu esse texto.
Vamos reavaliar nossas operações, negócios e audiência para nos adaptar a uma nova realidade que se impõe sobre o jornalismo, desencadeada por distribuição insuficiente, inteligência artificial e queda em financiamento
Em 10 de dezembro de 2025, o pessoal do Nucleo fez um evento presencial. Estavam animados. Escrevi sobre ele no Linkedisney.
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O dia 10 foi aquela quarta-feira da ventania. A imagem de quem caminhou por Pinheiros naquele fim de tarde foi a dos bares e restaurantes apagados, funcionários na calçada, portas fechadas, aquele “o que fazer agora?”.
Foi a mesma pergunta que permeou a audiência durante as conversas sobre dados abertos e inovação no Jornalismo. Também ouvi do Sérgio Lüdtke (e concordo) que está cada vez mais difícil definir ou delimitar o seu papel.
É o impacto da ventania daquela quarta, mas “soprando no Jornalismo” desde os anos 2010.
Entre as minhas anotações, guardei essa frase: “um dos desafios é diminuir a dependência das bigtechs e retomar o protagonismo a partir do relacionamento com a audiência”.
Resumindo: discurso forte de valorização do relacionamento em um evento presencial — chamado “Núcleo convida” — promovido por profissionais apoiados em uma missão clara (construir uma Internet melhor) e conhecida por dialogar com seu público por meio de newsletters.
A tática está dada: fortalecer uma comunidade. A quem se prontifica, desejo sorte e resiliência.
Nos anos 1990, Howard Rheingold já dizia que as comunidades giram em torno do capital social e do conhecimento construído coletivamente. Esse é o combustível que nos faz manter acesa a vontade de fazer parte — é o que a turma do coach costuma chamar de “funil”.
Outra ideia compartilhada por Rheingold há uns 30 anos era a de que “comunidades não são acidentes de proximidade”. Em outras palavras: eu não posso chamar um vagão de metrô de “comunidade” só porque estão todos à bordo indo para a mesma direção. Aliás, a articulação entre plataformas e dispositivos promovida pelas bigtechs transformou cada passageiro em uma ilha.
Movimentar uma comunidade em busca de uma internet melhor depende de gente, boas ideias interessadas em construir algo coletivamente e um esforço imensurável para convencer essa gente a embarcar e conversar — apesar dos estímulos contrários.
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Um abraço forte pro time do Núcleo. É extremamente difícil fazer o que eles sonham; torço para que não adormeçam tempo demais.
> A janela entre uma recolocação e a próxima é curta. É a chance de se estruturar antes da próxima mudança chegar.
Mais um CHABLAU.
Ultimamente, me sinto medíocre.
Gosto de escrever e articular pensamentos de forma encadeada e organizada. Talvez por hábito, não costumo fazer isso na mesma velocidade na qual costumava ter quando vivia em uma redação. Escolho uma palavra, depois outra. Releio. Apago. Começo de novo.
Chamam isso de "intenção". É o que a IA, por mais que tente emular, não consegue entregar.
Essas linhas funcionam como justificativa. Já cometi, por pura pressão, a atrocidade de terceirizar redação para um modelo de linguagem.
Fiz algum esforço para guiar o modelo estruturando a ideia de cada parágrafo.
Atendi ao prazo enquanto girava outros pratinhos da vida. Mas recebi, como feedback, um chute forte nos princípios.
Doeu muito. A pancada que vem da sensação de ter sido suficientemente criterioso. Mas, na prática, estar bem longe disso. É a intencionalidade da ação como peso gravitacional ao invés de força motriz.
A dor aumenta quando leio o Marcelo Soares. Ele se posiciona como todo profissional deveria: manter o "controle alto".
> O que descrevi como "controle alto" é o padrão profissional básico para quem trabalha com dados públicos, jornalismo e pesquisa. Verificar fontes, recusar termos imprecisos, parar processos que não convergem, não delegar definição de problema.
Em síntese, o texto compara um chat baseado em LLM como uma BET qualquer. O "uso responsável" sugere um "deslocamento de responsabilidade": se existe um problema, ele se apoia exclusivamente "no usuário que não sabe usar". Ao mesmo tempo, segue a lógica de mercado dos produtos digitais: ele "é desenhado para funcionar bem", sem atrito, e "é com esse perfil que ele cresce".
Na BET qualquer, perde-se dinheiro. Aqui, perdemos capacidade cognitiva.
Recentemente, ao falar de IA, lancei mão de uma metáfora gastronômica. Fricção cognitiva é como preparar a própria comida; IA é delivery.