Saudade de quando a Internet era assim
Configurações para "remove AI features, telemetry data reporting, sponsored content, product integrations, and other annoyances from web browsers". Dica do Ghedin.
Já li uma porção de coisas sobre "bullshit"- não dá pra traduzir pr aum termo só; bobagem, desnecessário, supérfluo, aquilo que só desvia o olhar.
Estudando Atomic Design de Brad Frost, descobri que ele também é, há uma década, uma voz elevada contra o bullshit.
Estou encatado.
Um abraço a todos os professores que estão sendo convidados por todos os lados a preparar material de aula com apoio do Claudio, Gepeto e outros estagiários bem intencionados.
> Apagão de arquivos ocorreu com clique em opção de controle de dados no ChatGPT. De acordo com Bucher, ele desativou o recurso para ver se continuaria a ter acesso a todas as funcionalidades do ChatGPT. No entanto, ele relata que a desativação fez com que ele perdesse todos os seus chats.
Lei do becape, pessoal. Quem tem dois, tem um. Vale também para neurônios.
Shane Parrish, autor de "Pensamento Eficaz", sem querer faz um convite para celebrarmos trinta anos de Jornalismo na Internet:
Livre-se dele. É manchete demais.
> É como tentar beber água de uma mangueira de incêndio – estamos afogados em fatos, mas famintos por conhecimento verdadeiro.
Por que? Em essência: a velocidade prejudica a qualidade e o contexto. Conteúdo superficial produzido por custos de produção nulos. Máquinas de caça-níqueis querem sua atenção. A narrativa derrota a realidade ou desviam a atenção para a história que deveria ser contada.
> Num mundo onde as notícias são gratuitas e abundantes, estar errado não custa nada, mas ser enfadonho custa tudo.
O problema, diz ele, está na economia da atenção. Por conta dela, notícias funcionam ainda como câmara de eco: atenção fragmentada, compreensão superficial e da erosão gradual da nossa capacidade de enxergar o que realmente importa. "Quando foi a última vez que você leu algo e pensou: opa, eu estava errado?".
Isso tem a ver com que o Ces Michelin postou esses dias no LINQUEDISNEY:
> O mundo está cheio de gente "bem-informada". Eles sabem recitar as buzzwords da semana. São enciclopédias ambulantes de trivialidades. Mas estamos famintos por algo mais raro: criadores de sentido. Não precisamos de mais um repassador de links. O mundo precisa da sua visão sobre eles.
Evidentemente, nem Shane nem Ces estão falando do modelo opinativo dos canais de notícia. É outra coisa.
Do blog do Leandro Paganelli, sobre o filme mais "eitaporra" que já vi na vida:
> Um camarada chamado Wyatt Hodgson acelerou o Koyaanisqatsi 1552%, reduzindo todo o filme em 5 minutos. Dá para entender toda a estrutura do filme, mas se perde toda a emoção.
Orange Data Mining Toolbox é uma ferramenta gratuita e de código aberto que facilita a análise de dados e a criação de gráficos, sem precisar programa. Um "lego para dados". Interessante, hein?
Graças a essa notícia descobri Tristan Donovan, autor de livros sobre refrigerante, videogames e jogos de tabuleiro.
Em resumo: a Fanta nasceu das restrições impostas pela guerra. Sensacional.
Fui IMPAQUITADO com essa música: Jornal da Morte.
Vejam só este jornal / É o maior hospital / Porta-voz do bangue-bangue / E da polícia central
A gravação, de 1961, é de Roberto Silva, que mereceu texto impecável de Pedro Paulo Malta, em celebração ao seu centenário.
O Jornal da Morte, por sua vez, poderia ser regravado agora mesmo, de tão atual.
Curiosidades que o Perplexity me trouxe:
"Jornal da Morte" foi censurada na época por seu tom provocativo, incluindo referências a escândalos como suicídios e maconha.
Roberto Silva, falecido em 2023 aos 92 anos após luta contra o câncer, reviveu a faixa em colaborações como com o grupo Casuarina.
Pra pesquisar quando der tempo.
Em Svelte, cada componente é um arquivo .svelte que mistura HTML, CSS e JavaScript no mesmo bloco.
O texto do Guilherme Ravache é fechado. Mas ele trouxe muita coisa pro LINQUEDISNEY.
> Não faz muito tempo, quatro ou ou cinco grupos de mídia decidiam o que todos viam; agora, meia dúzia de plataformas e seus algoritmos decidem o que veremos ou não. Trocamos a hegemonia da TV pela cultura dos algoritmos.
Ele vai explicar que não foi, exatamente, uma troca.
> O algoritmo mudou até como fazemos entretenimento. Segundo o ator Matt Damon, os filmes agora são escritos para quem assiste mexendo no celular. Os diálogos repetem o enredo 3 ou 4 vezes porque a atenção do espectador está fragmentada.
Trocamos o olho no olho na hora do almoço pelo olho na tela.
> Conversar no trabalho sobre o que assistiu na noite anterior, sentar ao lado de outras pessoas no cinema, cantarolar em coro um hit nacional... acontece cada vez menos. E isso ajuda a explicar muitos dos problemas atuais.
A frase que me pegou foi essa aqui.
> O problema é que o consumo solitário atrofia nossa capacidade de compartilhar histórias e valores, cria abismos entre as pessoas. Falta conversa, há menos troca de ideias e experiências.
Lembro que estive na biblioteca Hans no último sábado. Com Renata Rossi, Sandra Guzman e uma turma (incluindo a Fábia Medeiros, que me aturou por dois semestres na São Judas). Trocamos figurinhas sobre mediação de leitura.
Mediar não é só mostrar um livro e suas ilustrações ou ler, respeitando cada palavra escolhida pelo autor. É um exercício social. É servir de intermediário entre o ouvinte e as ideias encapsuladas editorialmente. Processos com nuances impossíveis de serem emuladas por um modelo de linguagem computacional.
É como deveria ser uma conversa: o mediador faz um convite. Abra a sua mente. Venha comigo. Traga suas referências, indique o que você entendeu, compartilhe suas interpretações.
Bons mediadores respeitam individualidades (difícil!) e vão além da descrição do objeto. Contextualizam ao máximo: qual a história desse autor, onde ele vive, quais suas angústias, o que passou na cabeça do ilustrador, por que essa dedicatória, enfim.
Bakhtin diria que mediar é construir sentido coletivamente, dialogando.
O "anti-Bakhtin" (socorro!) deve reforçar a hipótese na qual as plataformas não funcionam como suporte pra essa mediação. Pelo contrário: o fluxo que elas produzem se torna a única condição para existência do conteúdo.
Que tipo de construção coletiva estamos dispostos a perder quando tratamos palavras jogadas na rede como métrica? Ou a metáfora da construção não cabe mais: virou pescaria predatória. E os peixes somos nós.
Olha isso! Pincei no LINQUEDISNEY do Alberto Cairo.
> On Friday we launched the Open Visualization Academy with 7 free courses (1-2 more will be released monthly) and it has received much more attention than I expected: 300+ have subscribed to the website, even if it's not needed to see any of the materials we've made available, and our newsletter is nearing 4,000 readers. Those are incredible numbers. I feel happy and grateful.
Stephen Turner, professor de Data Science, fez algumas anotações a partir do recente artigo "How AI Impacts Skill Formation".
Falando de um jeito que o Marcelo Soares concorde: geradores de lero lero pode aumentar a produtividade de desenvolvedores, mas reduz o aprendizado de quem, assumidamente, atua como um mero ARROMBADO DO VIBE CODING.
De forma controlada e metodológica: desenvolvedores novatos usando IA tiveram desempenho 17% pior em testes de compreensão voltados a leitura de código e conceitos, inclusive no debugging (isto é, ENTENDER O QUE DEU ERRADO). Isso porque a IA substitui o raciocínio crítico. (Mah váh!)
Turner sustenta o binômio "produtividade equilibrada" e "supervisão crítica" baseada no fortalecimento de conceitos. Aprender, moçada, não é fácil. Mas faz diferença.
O texto e a imagem não são exatamente bons. Mas por causa desse link, descobri o tal MCP.
Model Context Protocol (MCP) é uma tecnologia da Anthropic que facilita conectar o CLAUDE CLAUDE a ferramentas externas, como arquivos no computador, bancos de dados ou aplicativos como o Figma.
Entendi que MCP é útil para experimentos em Python porque oferece ao CLAUDE CLAUDE acesso facilitado a arquivos locais, acelerando análise. A ver.
Hoje tive uma daquelas manhãs que merecem um registro memorável. Estive em um encontro metalinguístico de proporções incríveis.
Preciso escrever sobre isso a partir das minhas anotações, sensações, memórias enfim. Por hora, basta dizer que foi um encontro sobre mediação. Num espaço que, simultaneamente, apresenta uma exposição derivada do livro "Eu devia estar na escola". Que foi usado pela exuberante Sandra Guzman como exemplo para mediação de leitura. Publicação que, por sua vez, serviu de mediação entre editoras e as crianças que vivem uma realidade absurda, porém real, no complexo da Maré.
Então comecei a pensar no quanto mediar significa amparar a apresentação do conhecimento ao outro, sem perder de vista o convite para que essa ponte seja feita colaborativamente. E no quanto há um esforço permanente para que ela seja substituída por conexões unilaterais por onde circulam fragmentos. Não há construção. O aprendizado se esfarela. A sensibilidade com o outro se transforma. Para o bem ou para o mal.
Procrastinando por aí, encontrei esse site. Como é que eu não conhecia?
O texto da Manuela Bernadino é de 2023 e compõe a edição temática "O Que me Falta".
> Antes de discutirmos se uma pessoa existe ou não por ser ausente nesse universo virtual, temos que garantir que todos tenham acesso a uma internet de qualidade. Temos que incluir todas as pessoas nesse processo de digitalização, precisamos sair das nossas bolhas sociais e perceber que temos muito o que fazer. Precisamos levar informação, tecnologia e oportunidades para as favelas do Brasil. Além disso, é necessário encontrar um equilíbrio entre a utilização da internet e a saúde mental, e conscientizar as pessoas sobre os limites dentro das redes sociais.
É um CLAUDE CLAUDE mas sem o custo (e, certamente, sem as mesmas alegrias). Provavelmente consigo fazer experiências de VIBE CODING DADAÍSTA com isso.
Ontem ouvi Rita Lobo conversando com a Tati e o Fernando na CBN.
> A lógica do nutricionismo rompe com o conceito de refeição, que envolve rotina, contexto e sociabilidade.
É marketing capitalista o nome disso.
> "“A epidemia de obesidade está diretamente ligada ao aumento do consumo de ultraprocessados. O corpo não reconhece isso como comida, não sacia e vicia. E não é falta de força de vontade, é fisiologia ... Comida é comida, ultraprocessado é ultraprocessado, remédio é remédio. Misturar tudo isso interessa a um sistema que lucra com a confusão"