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Cadeira de Barbeiro: Reminiscências
Texto de Demi Getschko, lenda da Internet brasileira, sobre o que fizeram da nossa contracultura.
É um texto que nos lembra que a internet foi criada com visão libertária, sem controle central, por acadêmicos dos anos 70. Um troço completamente distante do que se vê hoje.
Ele aponta para os perigos de dar voz a qualquer bobagem, o problema dos "jardins murados" por plataformas e o sumiço da praça pública de Habermas. O resultado é: vence o engajamento (seja lá o que isso quer dizer), perde a conversa. -
30 anos do Observatório da Imprensa; assista ao vídeo | Observatório da Imprensa
Vida longa!
> São 30 anos de análise crítica da mídia, com o objetivo de aprimorar a cobertura jornalística. O projeto criado em 1996 pelo jornalista Alberto Dines (1931-2018) começou na internet, chegou à televisão e agora está na internet, nas redes sociais, em uma newsletter semanal e em webinários mensais -
Ensinando a questionar notícias | Frank Investigator – AkitaOnRails.com
Existe verdade?
Sim, a pergunta é filosófica -- e praticamente retórica. Mas a busca por ela não deixa de ser uma tarefa importante.
Esbarrei com uma ideia sensacional do Fábio Akita, programador e escritor muito conhecido entre os devs. Chama-se Frank Investigator. É um sistema automatizado que ajuda a "questionar" notícias
Começa com uma extração do conteúdo textual, divide o texto em afirmações verificáveis (claims) -- isto é, quebrar o parágrafo em pedaços lógicos menores, cada um com um “fato” ou “tese” que pode, em teoria, ser checado ou confrontado com evidências. Não sei ler código em Rails, mas ao que parece, ele usa um tokenizer ou parser de frases (por exemplo, quebra por pontos, pontos‑exclamação, quebras de parágrafo, enfim) e usa algum critério para definir o que "afirmação verificável", separando opinião, contexto retórico e fatos que podem ser checados.
A partir daí, o Frank roda cada afirmação em três modelos de IA diferentes e analisa se as fontes realmente dizem o que o texto afirma, se tem divergência entre título e corpo do texto, procura falácias retóricas (falsa causalidade, espantalho, entre outras).
Ele diz ainda:
> Quando vários veículos cobrem o mesmo tema usando a mesma linguagem carregada, mesmos focos e omitindo os mesmos contrapontos ao mesmo tempo, isso quer dizer que há fortes indícios de coordenação -- isto é, o que todos deixam de dizer em comum, não o que todos repetem.
Eu diria que isso pode significar, na verdade, BRAÇO CURTO de quem apura notícias, "cozinhando" fatos entre sites. Mas é legal pensar que "existe coordenação da mídia", né?
> Aviso: o Frank Investigator é um projeto experimental, em desenvolvimento ativo, e não pretende ser a palavra final sobre nenhuma matéria analisada. Ele não diz o que é verdade ou mentira. O que ele faz é perguntar o que o artigo se recusou a perguntar, identificar padrões retóricos conhecidos, e buscar fontes externas que o autor omitiu. -
David DeSandro
Das coisas que eu já deveria ter visto antes: David DeSandro, engenheiro e designer especializado em JavaScript e UX, mantém bibliotecas open-source muito legais como Masonry (layout em grade em cascata) e Isotope (filtros e ordenação sensacionais). -
Claude Code's Entire Source Code Got Leaked via a Sourcemap in npm, Let's Talk About it
Ao que tudo indica, vazou o código-fonte do CLODE CLODE.
Entre outras discussões (que ainda não entendi), isso inspirou a criação desse documento: https://www.mintlify.com/VineeTagarwaL-code/claude-code -
cssDOOM
Niels Leenheer, recria o jogo Doom usando CSS. Put I Keep Are You. -
Agentic Engineering Patterns - Simon Willison's Weblog
Simon Willison é um programador britânico. Saiu da mente dele o Datasette, uma ferramenta pensada para explorar e publicar dados de forma rápida e intuitiva (preciso pesquisar mais).
O blog dele tem coisas interessantíssimas (preciso pesquisar mais).
Essa é uma delas. Ele documenta práticas e padrões para aproveitarmos melhor agentes de codificação - como o CLODE CLODE.
Entendi que "agentic engineering" é um contraste a "vibe coding". O que é ótimo. -
Breeza – Jornalismo com Referência de Ousadia
Bicho. Mó viagem. -
O brasileiro que liderou revolução global na ciência dos alimentos: 'Ultraprocessados são desenhados para enganar o apetite. Você quer comer sempre mais e mais' - BBC News Brasil
O epidemiologista brasileiro Carlos Augusto Monteiro ganhou notoriedade internacional pelas pesquisas que culminaram na criação do conceito de alimentos ultraprocessados — que virou tema de uma série de publicações no prestigioso periódico The Lancet.
Isso aqui assusta.
> Ele é o líder do grupo de estudos que cunhou o termo "alimentos ultraprocessados", classificação que ganhou notoriedade internacional.
> Segundo a definição desenvolvida pela equipe de Monteiro, esses produtos são feitos a partir de ingredientes isolados — como gordura, açúcar, amido e proteínas — e contam com uma série de aditivos cosméticos — flavorizantes, corantes, emulsificantes, entre outros — que dão sabor, aroma e outros atributos desejáveis.
> De acordo com o pesquisador, essa indústria está baseada num modelo de negócios altamente lucrativo, que usa em ingredientes baratos, publicidade massiva e produtos que estimulam o consumo em excesso. -
Chappell Roan e Jorginho: entenda a polêmica envolvendo segurança | G1
Essa é, seguramente, a história mais sensacional de 2026.
Uma criança de 11 anos é fã de uma cantora pop aí. Chapelle Foam ou algo parecido.
Nunca ouvi. Mas deve ser famosa: era um dos "cabeças-de-chave" do LULAPALUSA, aquele festival de música enlameado que ocupa Interlagos todo ano.
A criança estava com sua mãe no hotel, tomando café, preparando-se pra ir ao festival assistir ao show dessa Chapelle aí. Quando ela percebe: a cantora também está ali, no mesmo hotel. "Será que é ela mesma?", empolga-se.
A menina faz algo que qualquer fã aplaudiria: deu uma volta pelo salão do restaurante e, discretamente, confirmou a presença de sua cantora favorita.
Cinco minutos depois, um segurança se aproximou da criança e DEU UMA ENQUADRADA nela.
"Não sei o quê comportamento não sei o quê assédio não sei o quê iremos reclamar não sei o quê mais respeito".
A menina começou a chorar. Acabou não indo ao LULAPALUSA.
A criança é enteada de Jorginho, jogador do Flamengo e da Seleção Italiana de futebol. O atleta DESCEU O SARRAFO na tal Chapelle. "Sinceramente, não sei em que momento passar por uma mesa e olhar para ver se é alguém é considerado assédio [...]. É triste ver esse tipo de tratamento vindo de quem deveria entender o peso que os fãs têm. Sem os seus fãs você não seria ninguém".
A história avança. Jorginho é casado, desde 2020, com Catherine Harding. A criança é filha de um relacionamento anterior. COM O ATOR BRITÂNICO JUDE LAW!
A essa altura, a torcida do Flamengo já havia invadido o Instagram da Chapelle Foam."QUANTAS LIBERTADORES ESSA MULHER JÁ GANHOU!?", questionavam, indignados (com toda razão!).
Fãs de Jude Law e torcedores da Itália também descobriram a história e reforçaram o COMENTAÇO no feed da figura pop. Comenta-se que alguns "Swifters" (membros da seita que venera outra cantora contemporânea) contribuíram para o linchamento.Não assisti, mas parece que os torcedores do Flamengo GRITARAM PALAVRÕES durante o show de Chapelle Foam, o que deve ter "bugado" a transmissão.
Artigo da Rolling Stone revela que Chapelle Foam publicou um vídeo lamentando, dizendo que "não autorizou segurança" que " nem era da equipe dela" (a mãe da menina rebateu, alegando que "do hotel também não era"), que "não viu a criança" e, principalmente, que "não odeia fãs ou crianças". Antes, porém, um texto (apagado posteriormente) dizia algo diferente. "Eu acabei de acordar, eu mereço meu espaço, especialmente em momentos como o café da manhã... Eu não brinco quando se trata do meu café da manhã" .
Essa Chapelle Foam conseguiu unir, em um único final de semana, todas as torcidas do Rio de Janeiro, da Itália, do Jude Law, da Taylor Swift e gente que nunca tinha ouvido falar em Chapelle Foam mas quer distância. -
Jupyter Book -- Community Guide
Não confunda com o notebook que compartilha código e texto - formato ipynb.
Da Wikipedia:
> Jupyter Book é uma ferramenta open-source para criar livros interativos e narrativas computacionais a partir de notebooks Jupyter ou Markdown. Ela permite publicar conteúdo com código executável, referências cruzadas e elementos interativos diretamente na web, ideal para pesquisadores, educadores e cientistas de dados. -
Você Resolveu o Problema Errado - Risco Humano
Quase toda destruição começa com uma decisão que parecia certa. Douglas Rodrigues explica:
> Howard Marks chamou de pensamento de segundo nível. Primeira ordem é o efeito imediato da sua decisão. É o que você vê, o que calcula, o que justifica para si mesmo e para os outros. É onde quase todo mundo para, porque é onde o raciocínio parece completo. Segunda ordem é o que o sistema faz depois que sua decisão entra nele. Como as pessoas ao redor respondem. O que muda no ambiente que você não estava observando. O efeito do efeito. A jogada de cada um era racional. O sistema que as jogadas ativaram juntas não era. Você age de forma perfeitamente coerente com o pedaço de realidade que enxerga. Esse é o limite: coerência local. A jogada faz sentido. O sistema que ela ativa, nem sempre. -
Fusca elétrico por menos de R$15 mil? Kit chinês acessível já é tendência no Brasil e conquista fãs de carros antigos e sustentabilidade
Você transformaria um fusca em um carro elétrico? E por que a única resposta possível pra essa ideia é COM TODA CERTEZA? -
Underused Techniques for Effective Emails · Refactoring English
Vai mandar um e-mail? Pense antes!
Clareza. Relevância. Eficiência. Concisão. Comece com o que importa.
Obrigado, Michael Lynch -
A valid HTML zip bomb - ache
Técnica de defesa que utiliza arquivos HTML ignorantemente compactados para travar robôs de IA agressivos que ignoram o robots.txt. -
The Design Vibeshift | Pablo Stanley
Olha que interessante esse contraponto do Pablo Stanley ao que costumo chamar de "ARROMBADOS DO VIBE CODING".
Essa frase: "o código se torna o principal campo de atuação para fluxos de trabalho criativos" é forte e rende um debate daqueles.
Em sua visão: "designers stão descrevendo um ciclo híbrido: ideia → código → produto, e o código é a fonte da verdade".
O que me incomoda: a visão de um produto levando em conta modelos mentais e arquitetura de código precisam coexitir, mas na prática, são idiomas com raízes e ramificações de origens diferentes. Híbridos implicam em escolhas que, na prática, "podam" algumas dessas raízes em qualquer dos lados. Qual o resultado disso?
"Algumas pessoas usam o Figma para exploração, alinhamento ou trabalho detalhado, como componentes e consistência ... Se todo mundo está focado no código da aplica;áo, quem está cuidando da visão geral? Da consistência entre as telas? Do sistema de design?". Pois bem.
O texto se encmainha para o fim com? "isso impulsiona o design em direção à estratégia". Adoraria acreditar nisso. Mas qual a chance de, na prática, impulsionar o "fazer pelo fazer" ao operacional?
Como diria Luna, são tantas perguntas... -
Unsung heroes: Flickr’s URLs scheme – Unsung
Taí algo que ninguém fala: por que diabos não organizam URLs de acordo com seus conteúdos, do jeito que o Flickr faz? (Pincei esse link do Gabriel, no Órbita) -
Pseudoprose -- taylor.town
Guardei esse link pra explorar com calma o blog do Taylor Troesh. -
microgpt
MicroGPT é um projeto simples e educativo criado por Andrej Karpathy, um famoso pesquisador em IA, que permite treinar um modelo de linguagem parecido com o GPT (como o ChatGPT) usando apenas poucas linhas de código Python, sem dependências complexas.
Mostra o "coração" da IA: tokenização (corta texto), treinamento e geração de respostas. -
Crítica à teoria da bostificação - sol2070
Olha que interessante a resenha feita pelo escritor Jacob Bacharach do livro "Enshittification", do Cory Doctorow. Palavras pinçadas de sol2070:
> Enshittification baseia-se na ideia de que nós criamos uma maravilha tecnológica (ou um conjunto delas) e que, depois, a ganância e a avareza das empresas a arruinaram. Mas e se não for esse o caso? E se, tal como aconteceu com as armas nucleares, tivermos criado uma tecnologia que ainda não estamos suficientemente maduros para utilizar? E se, na nossa busca por energia infinita, tivermos construído uma bomba?
Muito interessante. Remete ao livro mais recente do Tim Berners-Lee, "This Is for Everyone: The Unfinished Story of the World Wide Web".
É sabido que Tim Berners-Lee tem uma visão filosófica bem mais, digamos assim, positiva.
Ainda não li o livro todo. Mas ele lamenta a substituição da estrutura descentralizada idealizada por ele por monopólios que tratam o usuário como produto, uma escolha deliberada para alimentar a "economia da atenção".
Esse é o "pulo do gato": se a questão for uma "falha de design deliberada", a Web não é uma tecnologia que vai nos destruir na sua essência. Dá pra corrigir a estratégia.
Façam suas apostas.