Joana, nove anos, vai ter que levar um jornal impresso para a escola nesta semana.
Jornal. Impresso. Talvez você não conheça.
Até recentemente, pessoas circulavam pelas calçadas e encontravam bancas, estruturas que remetem a quiosques, e edições de jornais do dia, penduradas na lateral. Gente parava pra olhar as manchetes e se informar - basicamente, é o que aquele tio do Zap faz naquele grupo reaça com os amigos do bingo.
Outras bancas do centro, ou aquela enorme, no Terminal Tiet~e, traziam jornais do país todo - dava pra comprar O Globo ou o Zero Hora.
Lembrei desse texto delicioso do Tiago Dias, publicado "na UOL", em 2021, em plena pandemia. Ali, as bancas de revistas já estavam em decadência.
> "Era uma época em que o povo chegava antes aqui para saber o resultado do jogo do bicho, do jogo do campeonato de ontem. Que o pai vinha na sexta comprar gibi para o filho e revista para a mulher. Não tinha internet. Agora ela acabou com tudo."
Joana vai visitar uma banca de jornal e, provavelmente, vai se ligar em algum objeto interessante e, provavelmente, não-impresso.
Comentário do Sergio Ludke, um dos profissionais que mais se debruça sobre a questão da desinformação, no linquedisney.
> Há tempos eu guardo uma recomendação do Peter Cunliffe-Jones, fundador do Africa Check, para ser mais empático no trato com os leitores. Ele dizia, no antigo Twitter que deveríamos reconhecer o núcleo de verdade que havia numa peça de desinformação e mostrar aos leitores por que eles podem ter acreditado em algo que se provou falso ou enganoso.
Faz todo sentido, ainda que nosso estado mental tenha esfarelado qualquer esforço cognitivo do usuário mergulhado no viés comportamental.
> Desde março, estamos debatendo novas abordagens no Comprova para buscar conexão com um público mais amplo ... Entre as mudanças estão a adoção de outros dois fatores além da verificação do conteúdo (agora estamos analisando com mais profundidade as táticas utilizadas e o contexto dos criadores da desinformação), a abolição das etiquetas (falso, enganoso) e a redação de títulos que enfatizem primeiro a verdade e evitem sempre que possível a reprodução de uma mentira, mesmo como negação ... Precisamos do atrito, de uma fricção de ideias que permita confrontar as evidências da verificação com as alegações falsas ou enganosas. E tudo isso se torna letramento.
A iniciativa é sensacional.
Pague 20 Janjas por mês para receber notificações de notícias no WhatsApp elaboradas por uma curadoria feita por IA. Tem tudo pra dar certo - só que ao contrário.
Ainda não entendi exatamente como funciona. Mas esse artigo do Nick Hagar é mais um lembrete: vá entender o que é NLWeb e como funciona "Semantic Search".
> A Three-Step Pipeline. Behind the scenes, NLWeb operates on a straightforward three-stage pipeline designed for simplicity, cost-efficiency, and publisher control.
> Ingest: Standardized Item Collections. To cut down on complexity, it standardizes this process using schema.org conventions.
> Process: Efficient, Low-Cost LLM Logic. Next, when a user sends a query, NLWeb assesses relevance, scores results, and generates explanations.
> Serve: A Flexible, Headless API. Finally, NLWeb delivers its results via a flexible API. It is a “headless” system, meaning it has no built-in, mandatory UI.
Exemplo de reportagem (incluindo personagem ENDIVIDADO) que utiliza uma IA para apoiar a construção de uma base de dados - etapa elaborada pelo brilhante Rodrigo Menegat.
"As ferramentas tecnológicas e a web propiciaram ao cidadão um contato mais próximo com a universalização do conhecimento, transformando-os em influentes atores sociais mais ativos e influentes. Isso permitiu ao leitor e telespectador entrarem em contato com vozes dissonantes, complicando o trabalho dos veículos de comunicação. "
"Many national newspapers have more male readers than female. But that gap is closing fast, and the success of female-friendly websites like Mail Online are beginning to suggest a clear direction for the future". Via @rafaelsbarai.
Mais uma do Tiago Doria: livro a ser lançado sobre visualização de dados.
"Hoje o jornalismo deve ser mais atraente, não somente no uso de novas interfaces, mas também na busca de histórias que sejam relevantes", diz Tiago Doria.
Princípios de uso das mídias sociais na Reuters.
Verdadeira aula a resposta de Pedro Doria sobre a reformulação do Estadão. Vale a leitura!
Texto complementar ao do Dan Gillmor, com uma questão de panorama nacional: por que não se discute tanto o ensino de jornalismo no Brasil?
Dan Gillmor e o que jornalistas deveriam aprender na faculdade.
Incríveis as fotos - além do trabalho de edição, claro
Vencedores de 2009. Para ver com calma.
E-book: Son tiempos de profunda crisis estructural para los periódicos. Tiempos de cambio en los hábitos de lectura y acceso a la información a través de una pléyade de dispositivos. En consecuencia, tiempos para reinventar el modelo de negocio de una industria que sigue siendo imprescindible para el desarrollo, establecimiento y control de democracias.