Por que um profissional, uma empresa, um chefe, um cabeça-de-planilha, trocaria uma mente pensante por uma calculadora?
“Não fazia sentido para a empresa que ficasse bem feito o e-mail. Eles queriam mandar o máximo possível de mensagens no menor tempo possível. Ninguém ia ler aquilo. Nem quem fazia, nem quem revisava, nem quem recebia”.
Taí a resposta.
“Eu começo a sentir que tem uma ressaca desse movimento. Tem algumas pessoas percebendo que você não consegue substituir redator por IA e valorizando um pouco mais o trabalho. Mas eu diria que não voltou ao que era em 2023, ainda está longe disso”
Essa distância vai diminuir quando a percepção de valor e a vontade de pagar também se aproximarem.
Conversava com Rina sobre "como era gostoso aquele tempo da Internet" e similares. Então a gente lembrou do Michel Lent.
Vez ou outra me vem essa "sensação de lobotomia", como se parte dos últimos anos (casamento, crianças, pandemia, ritmo de vida) contribuísse para que o "meme do 2016" se instale na mente. No meu caso, volto pra 2006, 1996...
Daí, Michel Lent. Lembro dele em palestras, artigos. Ele tinha um site incrível (Viu Isso, cujo domínio agora pertence a um desses caça-níqueis).
Dessa lembrança, veio outro nome: Vicente Tardin. "Lembra dele também?", perguntei pra Rina.
Ela não ligou o nome à pessoa. Então lembramos do Webinsider.
Estou desacostumado a clicar nesses nomes da época do "como era gostoso aquele tempo da Internet" e não esbarrar em links quebrados, sites inexistentes, enfim.
E lá estão, Webinsider, Vicente Tardin, Michel Lent. E seu último artigo conversa comigo como na época em que ele dizia "tem muito ruído sendo dito por aí", sei lá, em 2006.
> Para quem entrega estratégia, visão e resolução de problemas complexos (o sênior), vender 100% do tempo para um único CNPJ é ineficiente para a empresa e arriscado para o profissional.
Chablau.
Não quero passar raiva sozinho. Por isso dividi esse link no Órbita, ótimo lugar para debates promovido pelo Manual do Usuário. É um texto de opinião, assinado por uma empreendedora (nunca tinha ouvido falar dela) e publicado num periódico de grande circulação (não entendi a razão).
> Essa rotina maluca não é sacrifício. É entrega, paixão. É gostar tanto do que faz que… A EXAUSTÃO vira PARTE DA DANÇA e não um motivo para desistir
Tem outro nome pra isso na língua portuguesa: masoquismo.
> Porque quem ama o que faz não vive esperando o final de semana, não deseja fugir da segunda-feira e não conta os minutos para desligar o computador
Vive, sim.
> Quando o equilíbrio se torna a única meta, a gente corre o risco de trocar a exaustão pela estagnação
E quem fixa sua meta em qualquer missão que não seja, digamos, humana, fincada na realidade, preocupada consigo mesmo ou com o outro, corre o risco de priorizar o que não importa.
> Isso não é uma apologia ao burnout
É, sim.