Hoje tive uma daquelas manhãs que merecem um registro memorável. Estive em um encontro metalinguístico de proporções incríveis.
Preciso escrever sobre isso a partir das minhas anotações, sensações, memórias enfim. Por hora, basta dizer que foi um encontro sobre mediação. Num espaço que, simultaneamente, apresenta uma exposição derivada do livro "Eu devia estar na escola". Que foi usado pela exuberante Sandra Guzman como exemplo para mediação de leitura. Publicação que, por sua vez, serviu de mediação entre editoras e as crianças que vivem uma realidade absurda, porém real, no complexo da Maré.
Então comecei a pensar no quanto mediar significa amparar a apresentação do conhecimento ao outro, sem perder de vista o convite para que essa ponte seja feita colaborativamente. E no quanto há um esforço permanente para que ela seja substituída por conexões unilaterais por onde circulam fragmentos. Não há construção. O aprendizado se esfarela. A sensibilidade com o outro se transforma. Para o bem ou para o mal.
Joana, nove anos, vai ter que levar um jornal impresso para a escola nesta semana.
Jornal. Impresso. Talvez você não conheça.
Até recentemente, pessoas circulavam pelas calçadas e encontravam bancas, estruturas que remetem a quiosques, e edições de jornais do dia, penduradas na lateral. Gente parava pra olhar as manchetes e se informar - basicamente, é o que aquele tio do Zap faz naquele grupo reaça com os amigos do bingo.
Outras bancas do centro, ou aquela enorme, no Terminal Tiet~e, traziam jornais do país todo - dava pra comprar O Globo ou o Zero Hora.
Lembrei desse texto delicioso do Tiago Dias, publicado "na UOL", em 2021, em plena pandemia. Ali, as bancas de revistas já estavam em decadência.
> "Era uma época em que o povo chegava antes aqui para saber o resultado do jogo do bicho, do jogo do campeonato de ontem. Que o pai vinha na sexta comprar gibi para o filho e revista para a mulher. Não tinha internet. Agora ela acabou com tudo."
Joana vai visitar uma banca de jornal e, provavelmente, vai se ligar em algum objeto interessante e, provavelmente, não-impresso.
Incríveis as fotos - além do trabalho de edição, claro
Começou, mais ou menos, nesta sexta-feira. Acompanharemos...
Ao invés de esmolas, Rodrigo Ratier distribuiu livros nos semáforos.
Também tenho saudades dele e sua cobrinha azul...
Dica do Inagaki no Twitter, muito bacana!
Certamente vou adquirir este (e outros volumes) na bienal do livro.
Dizem que serviram moqueca de cação na assembléia do condomínio...
Vai ser no IG, quinta-feira (17/7/2008), 15 horas.
Incrível como, há uns quinze anos, todo mundo vivia bem sem Internet...
Comece a ler pelo primeiro comentário (se puder ler tudo) e siga a leitura feliz diante da incrível variedade da fauna virtual.
Site da Vera Lucia Dias, especialista em turismo cultural pela cidade de São Paulo
O blog coletivo com questões ligadas ao trânsito está crescendo.