Em busca por comentários relacionados ao princípio "Felca, Jornalismo e os algoritmos", cheguei no conceito de "neurônio-espelho".
Uma boa hipótese em relação ao fato do vídeo ter sido mais impactante em relação a qualquer reportagem recente sobre o tema: o espectador reage junto. Quem se apresenta não tenta ser isento, imparcial. Não disfarça sua espontaneidade.
Encontrei um podcast do Luli Radfahrer, professor da ECA, explicando esse conceito em 2020.
> É aquele momento que você vê uma pessoa caindo e você meio que se arrepia e se retrai porque você sente na sua pele isso. Ou quando você vê uma cena num filme de terror e se esconde, você se encolhe. O que está acontecendo ali? Você está projetando esse tipo de informação dentro de você, vivendo essa informação.
Segundo Luli, a lógica também é usada no cinema e nos games. Também na educação. "Não adianta pedir para uma criança comer verdura sem que o adulto o faça. Crianças repetem ações e falas de adultos. Imitam para aprender. Ao aprender uma língua, repetimos frases para assimilá-las".
Olha isso. Texto escrito por David Gisselsson Nord e Alberto Rinaldi, no The Conversation publicado na BBC.
> O uso de táticas e tecnologias cada vez mais sofisticadas para manipular a cognição e a emoção representa uma das ameaças mais insidiosas à autonomia humana em nosso tempo.
> A guerra cognitiva serve para obter vantagem sobre um adversário, visando atitudes e comportamentos a nível individual, de grupo ou populacional. Ela é projetada para modificar as percepções da realidade, transformando a "configuração da cognição humana" em um domínio crucial da guerra. Trata-se, portanto, de uma arma em uma batalha geopolítica que se desenrola por meio de interações entre mentes humanas, em vez de em domínios físicos.
> A capacidade de microssegmentação pode evoluir rapidamente à medida que os métodos de acoplamento entre cérebro e máquina se tornam mais eficientes na coleta de dados sobre padrões de cognição.
Nem todo mundo gosta desse livro do Jonathan Haidt. Mas ele pontua algo importante: estamos deixando de ler, trocando um tempo de concentração por dancinhas.
> Segundo Haidt, os universitários usam inclusive plataformas que transformam textos PDF em vídeos curtos para que consigam acompanhar o conteúdo com palavras e frases que piscam na tela.
Vi esse conceito, "cérebro pipoca", e pensei: bingo!
> It was first coined in 2011 by David M Levy, whose books include Mindful Tech and No Time to Think. Now, he says, the design of many of our most-used apps “seem uniquely suited to scatter focus”.
> Sorry, I wasn’t paying attention. I was watching TikTok panda fails. Pandas are so useless. Why aren’t they extinct? Focus! Levy’s suggestion is that the brain has become so accustomed to incessant digital yip-yap – notification dings, new tabs, adverts, fatuous content, cute pandas – that it mimics that frenetic pace.