Top five olímpico do MMM

Já descobri que vai ser difícil me desvencilhar o dia-a-dia olímpico assim, de uma hora para outra. Engraçado dizer isso, mas admito que não via a hora dos Jogos acabarem – e agora, acho que vou sentir falta.

Enfim. Ainda ao sabor da ressaca olímpica, vamos aos nossos top five de Atenas. Antes, um aviso: em cada lista, a ordem é totalmente aleatória, ou seja, qualquer um dos cinco itens por quesito poderia levar o ouro.

As cinco provas campeãs de audiência
– O irrespirável tie-break do primeiro confronto entre Brasil e Itália, na primeira fase: vitória brasileira por 33 a 31.
– A injusta final do futebol feminino, já que as melhores em campo ficaram com a prata.
– Os minutos finais da maratona masculina.
– A primeira derrota do ex-“Dream Team” no basquete masculino, para Porto Rico. Depois dessa, as outras – contra Lituânia e Argentina – já viraram “esperadas”…
– A final do solo, com Daiane dos Santos.

As cinco maiores demonstrações de superação
– Vanderlei Cordeiro de Lima, derrubado e machucado, mas levantou-se e seguiu em busca do bronze.
– A seleção feminina de futebol, que fez bonito mesmo com apoio zero e apenas seis meses de treino.
– A australiana Natalie Cook, que disputou os Jogos com uma lesão no ombro direito e chegou à disputa do bronze – onde resistiu às dores e chegou ao seu limite.
– Os chilenos Nicolas Massú e Fernando Gonzales, que passaram o primeiro fim-de-semana olímpico jogando tênis por horas a fio. E ainda conquistaram o ouro!
– Baloubet du Rouet. Marcado por refugar e jogar no lixo a última chance de ouro do Brasil em Atenas, o valioso cavalo garantiu a prata de Rodrigo Pessoa, quatro anos depois.

As cinco grandes surpresas brasileiras
– A quarta colocação de Diogo Silva e da minha mais nova musa, Natália Falavigna, no taekwondo.
– Joanna Maranhão, que nadou muito e disputou duas finais olímpicas – representa bem as outras jovens promessas da natação.
– César Castro, nono lugar no trampolim de 3m no saltos ornamentais.
– Matheus Inocêncio, único que também já disputou os Jogos de Inverno, sétimo lugar nos 110m com barreiras.
– Leandro Guilheiro e Flávio Canto. Longe de serem favoritos, conquistaram o bronze em suas categorias.

As cinco maiores vaciladas do Brasil
– O time de vôlei feminino, que se desmantelou após perder sete match points contra a Rússia.
– Ricardo “Bimba” Winick, que tinha apenas uma única chance de ficar sem medalha na última regata da Mistral e conseguiu.
– Carlos Honorato, favorito ao ouro em sua categoria no judô, derrotado por falta de combatividade… Antes que perguntem, a Edinanci não conta.
– Gustavo Kuerten, que tinha uma chave tranquila até a decisão (ainda mais sem os favoritos), mas caiu logo na primeira rodada.
– O time do revezamento 4 x 100m masculino. Bronze em Atlanta. Prata em Sydney. E último em Atenas. Da mesma forma, o Jadel também não conta.

Os cinco fatos pouco esportivos mais comentados
– Michael “Nerso da Capetinga” Phelps, que ia superar as sete medalhas douradas de Mark Spitz – e embolsar uma boa grana do seu patrocinador.
– Kostas Kenteris e Ekaterini Thanou, atletas gregos favoritos em suas provas no atletismo, que protagonizaram um misterioso acidente de moto após evitarem o teste antidoping.
– A judoca Eleni Ioannou, outra esperança grega, que pulou do terceiro andar após brigar com o namorado e morreu dias depois.
– A norte-americana Marion Jones, suposta envolvida no escândalo do doping da Balco, que protagonizou fiascos no salto em distância e no revezamento 4×100 feminino.
– A brasileira Ana Paula, cuja região glútea foi eleita por um jornal britânico como “a mais bela dos jogos”. Aliás, é sabido que um fotógrafo da Reuters estava contratado apenas para clicar bundas em close-up.

As cinco maiores gafes na TV
– “Pode cantar, Margareth. É prata para o Brasil”. Álvaro José na Bandeirantes, anunciando o pódio de Bimba. Minutos depois do axé, Álvaro José anunciou o quarto lugar do velejador brasileiro. E nem pediu desculpas.
– “O Brasil está com o coração na ponta do quimono!”. Humberto Karam, exímio judoca e comentarista da TV Globo, seguindo à risca o método “analítico-torcedor” de seus colegas de profissão.
– “A dupla alemã está prestes a conquistar o ouro”. Dácio Campos, da SporTV, sem saber que a final de duplas do tênis masculino é decidida em cinco sets – este representa as mancadas dos quatro canais. No fim, os heróicos chilenos venceram.
– “É chocolate brasileiro para os suíços no território olímpico da turma bandvôlei”. José Luiz Datena, o mais ufanista dos narradores, minutos antes da dupla Márcio e Benjamin perder no vôlei de praia para os Irmãos Laciga.
– “Mas você ficou nervosa… Por que você errou? Sentiu a pressão? Espera, a sua mãe está te ouvindo…”. Toda a constrangedora entrevista de Daiane dos Santos, concedida à Delisiée Teixeira, naquela segunda-feira à tarde.

As cinco grandes frases brazucas
– “Puta merda”. Daiane, assim que terminou sua participação na final do solo.
– “É difícil explicar o inexplicável. Vai ser difícil dormir essa noite”. José Roberto Guimarães, após assistir, incrédulo, a derrota de seu time para a Rússia.
– “Sempre sobra para mim, já estou acostumado”. Rodrigo Pessoa, único cavaleiro do país a não cometer faltas em seu percurso e, com isso, classificar o Brasil para a final de saltos por equipes.
– “O que gastam numa noite com prostitutas daria para a gente passar um mês”. Do meu novo ídolo no esporte, Diogo Silva, do taekwondo.
– “Um trabalho só amadurece após dez, doze anos, desde que se tenha dinheiro e condições para isso”. Carlos Arthur Nuzman, que prometeu transformar o país em “potência olímpica” quando assumiu. Há uns dez, doze anos.

Por fim, as cinco imagens inesquecíveis
– Vanderlei Cordeiro de Lima sendo ovacionado no estádio Panatinaiko, após perder segundos preciosos ao ser empurrado por um doidivana irlandês e, ainda assim, seguir em frente.
– O judoca russo Dimitri Nussov, que mesmo com um braço totalmente lesionado e o rosto sangrando muito, conseguiu a medalha de bronze.
– A russa Yelena Isinbayeva, que levou o estádio Olímpico de Atenas ao delírio ao saltar 4m91, recorde mundial no salto com vara.
– A festa da seleção masculina de vôlei – com direito a “mergulho” na quadra e homenagem a Hernrique, que foi cortado da delegação.
– A comemoração da dupla norte-americana Walsh e May após o título no vôlei de praia. Abraçadas e rolando apaixonadamente na areia.

Faltou alguma coisa?

André Marmota acredita em um futuro com blogs atualizados, livros impressos, videolocadoras, amores sinceros, entre outros anacronismos. Quer saber mais?

Leia outros posts em Especiais do MMM. Permalink

Comentários em blogs: ainda existem? (15)

  1. Ei, o Gustavo Kuerten caiu logo na primeira rodada, mas foi justamente pro chileno que ganhou o ouro :-)

  2. Acho que faltou as infindáveis vaias aos jurados depois da empolgante apresentação do ginasta bulgaro (não lembro se era essa a nacionalidade) nas barras (não conheço ginástica, mas deve ter sido esse o aparelho).

    Ele pediu a torcida para parar de vaiar e dar continuidade à competição.

  3. Luís, é verdade. E o ouro dele foi merecidíssimo. Mas o fato é que o Massú era freguês do Guga…

    Pedrox, o ginasta em questão era russo – aliás, bem lembrado!

  4. Analógico! Muita coisa pra dentro dos anais olímpicos!
    Hehehe!
    Bom, só falando do Gustavo Kuken, o Buga…Acho que a melhor chance dele foi em Sidney…mas ele jogou fora por causa daquela palhaçada da Olimpikus…(acento no “ú” ^_^)

  5. Sua análise está completíssima mesmo, André. Também torcia para as Olimpíadas acabarem logo, mas já estou com saudades. Eh, Brasil!

  6. Delícia de texto! Muito legal! Eu, infelizmente, não pude acompanhar muito destas Olimpíadas justamente porque não é permitido assistir TV aqui no escritório. Acho que em 2008 conseguirei adequar os horários.

  7. Nowhere Man, o ginasta que pediu silêncio foi o russo Alexei Nemov. Teve outro nadador, que teve muito fair play. Ele estava com a medalha de prata quando o que levou o ouro seria desclassificado por virar antes do permitido. Mas o próprio vice foi até os árbitros dizer que o campeão não tinha errado.
    E também o atirador americano que acertou no alvo. Do vizinho!

  8. Só para constar, a chave de Guga não era fácil. Massu, apesar do retrospecto favorável do brasileiro, tem bons golpes e quando está num bom dia (como o do jogo do Guga) é difícil ser derrotado. Flávio Canto estava cotado entre os melhores de sua categoria. O judoca russo é NEMOV, não NUMOV… e discordo da lista de superação… quem viu a luta do Nemov que lhe rendeu a medalha, ele esperando cautelosamente, mesmo com a dor que sofria, e inventando um golpe que se adequasse a sua precária condição física colocaria esse entre os momentos de superação… Honorato não era favorito absoluto ao ouro (além do quê, favoritimo absoluto não existe… tanto que o judoca japonês Kosei Inoue, categoria meio-pesado, estava invicto há anos em sua categoria e nem sequer ganhou medalha), tendo concorrentes muito fortes… fora esses, de acordo com os outros destaques do blog!!!!

  9. caros amigos . gostaria de pedir a gentilesa de que seja retirado o comentario feito sobre minha pessoa já que o mesmo embora correto e pertinente . já a muito tempo se passou e ao se fazer uma pesquiza de meu nome o primeiro que suge é exatamente este agradeço . imensamente a possibilidade . desde ja agradeço … humberto karam . acho incrivél o poder e competencia deste portal e vencer a todos e estar em primeiro lugar nas pequisas mesmo fazendo um eternidade que …

Vai comentar ou ficar apenas olhando?

Campos com * são obrigatórios. Relaxe: não vou montar um mailing com seus dados para vender na Praça da República.


*