Tem uma coroa de flores na praça da Saudade

Essa foto é do dia 8 de setembro, tirada na Praça da Saudade, em Manaus. O Instagram fez o milagre de torná-la uma pintura.

Hoje vi uma coroa de flores na praça da Saudade
Bem no lugar onde eu a conheci.
Linda, parecia saída do banho qual rosa morena.
Naquele dia, parou de chover.
Passavam pela praça outros sentimentos, sonhos, desejos
Mas foi a Saudade que me deu a mão.
Encheu o espaço ao seu redor de elogios
E dizia: “não importa onde minha vida passe
Desde que ela se passe com você”.

Na praça da Saudade, eu a nomeei minha rainha.
“Você acha que eu vou te esquecer?”, prometia.

Mas estive fora uns dias e, quando voltei,
A Saudade agonizava, com uma faca no peito.
Ninguém viu o que houve. “Deve ter sido a Rotina”.
“Ou o Desgosto”. “Foi a Estupidez”, especulavam.
“Mas também, com a cabeça cheia de problemas…
Ela queria mais. Queria tudo, do jeito dela”, queixaram-se.

Não dei ouvidos ao burburinho na praça.
Sentei, chorei, lamentei tudo o que não fizemos
Por ter caminhado demais, longe dali,
Por me sentir incapaz de manusear poesia.
Devia ter escrito palavras apaixonadas,
Tiradas do coração de forma insana e irracional,
Entregá-las num cartão, com rosas vermelhas.
Agarrá-la mais, convidá-la para dançar,
Viajar mais por estradas curvas e estreitas.

Agora a Saudade está morta.
A Esperança foi embora também.
Só restou uma coroa de flores na praça,
Desejos, sentimentos, sonhos jogados no chão
E o vazio que a ausência da Saudade me deixou.

***

“Um dia vou me separar de você para ver se escreve alguma coisa linda”. Nem assim, viu.

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

Leia outros posts em Marmota ilustrado. Permalink

Comentários em blogs: ainda existem? (3)

  1. A forma de expor os sentimentos nas palavras que tu possui é de uma beleza adimirável. Que pena que vida realmente é o que o teu texto descreves…

Vai comentar ou ficar apenas olhando?

Campos com * são obrigatórios. Relaxe: não vou montar um mailing com seus dados para vender na Praça da República.


*