O poema mais famoso de Jorge Luis Borges

Devo aqui admitir novamente minha ignorância: o máximo que li sobre o mundialmente conhecido escritor Jorge Luis Borges foi Borges e os orangotangos eternos, um saborosíssimo livro de Luis Fernando Veríssimo, repleto de mistérios e muito bom humor, além de prestar uma verdadeira homenagem ao argentino falecido em 1986.

Pois bem. Ao que consta, uma revista argentina encontrou um poema muito simpático e o publicou logo após a morte de Borges. Trata-se de um texto assinado por Nadine Stair, uma norte-americana, em 1978. Anos mais tarde, o mesmo texto foi parar num outro livro, atribuído a um homem que estava prestes a morrer. Foi parar na tal revista argentina e, com o boom da Internet, em milhões de caixas postais pelo mundo.

(Na verdade, a coisa vai muito, muito mais longe…).

Trata-se de mais um daqueles textos apócrifos que ganham autoria famosa, mas que após uma análise de qualquer especialista, percebe-se que não tem nada a ver com a obra de Jorge Luis Borges. Infelizmente, muitos são “analfabetos literários” como eu, e certamente acreditariam em qualquer historinha relacionada à morte do poeta e diria: puxa, que bacana.

Nossos visitantes mais antigos lembram que este espaço cansou de cair do cavalo e prestar desserviços aos leitores, confiando cegamente em e-mails enviados por colegas que, em tese, não se deixariam enganar por textos apócrifos. Enfim, já feita a devida ressalva, reapresentamos aqui “Instantes”, o poema mais famoso de Jorge Luis Borges. Que não é dele.

Si pudiera vivir nuevamente mi vida.
En la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido, de hecho
tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos, haría más viajes, contemplaría
más atardeceres, subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido, comería
más helados y menos habas, tendría más problemas
reales y menos imaginarios.
Yo fui una de esas personas que vivió sensata y prolíficamente
cada minuto de su vida; claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría de tener
solamente buenos momentos.
Por si no lo saben, de eso está hecha la vida, sólo de momentos;
no te pierdas el ahora.
Yo era uno de esos que nunca iban a ninguna parte sin termómetro,
una bolsa de agua caliente, un paraguas y un paracaídas;
Si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir comenzaría a andar descalzo a principios
de la primavera y seguiría así hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita, contemplaría más amaneceres
y jugaría con más niños, si tuviera otra vez la vida por delante.
Pero ya tengo 85 años y sé que me estoy muriendo.

Enfim, independente da autoria, preciso tomar providências antes dos 85.

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

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