Fiz. E agora?

Até que ponto a Internet está mudando nossa maneira de ver televisão? Difícil dizer: enquanto pesquisas no mundo todo indicam que a população está ficando menos tempo diante da TV, o brasileiro dificilmente vai se desconectar do “mainstream” – ainda não consigo imaginar a Globo perdendo terreno a curto prazo, a não ser para os bispos da Record.

Enquanto as grandes redes se preparam para a chegada da TV Digital (e tentam impedir o povão de gravar), a rede se aquece e lança uma experiência nova atrás da outra. Começou com a AllTV em 2002 (que não evoluiu muito de lá para cá), chegando ao , com transmissões “ao vivo” via web. Apesar pelo burburinho causado pelo Joost, talvez a maneira mais próxima do que pretende ser a IPTV em alguns anos, não é preciso dizer que o YouTube foi a experiência mais bem-sucedida. Tanto é que, baseado no seu princípio básico de não-linearidade, outros sub-produtos como Vimeo ou o WeShow.

Mas tem mais. No final de maio, a TV Cultura de São Paulo, em parceria com a CellCast (os mesmos daquele programa xarope “Insomnia”) lançaram a versão brasileira do Sumo TV, um programinha diário apresentando vídeos engraçadinhos produzidos pelos telespectadores e enviados a partir do site. Trata-se de mais um caminho: aproveitar a oferta crescente de material despejado por usuários com a inegável força da boa e velha televisão.

É mais ou menos por aí o caminho do mais novo canal de TV por assinatura do Brasil, o Fiz TV.

Jeremias e sanduíche-iche? – Lembro que a primeira vez que ouvi falar nessa empreitada da Abril foi com os comentários, hmmm, pouco alvissareiros do Alexandre Fugita. Em uma primeira impressão (ou comparação simples com qualquer compilação dos “peores vídeos” da web), o Fiz seria um simples canal de “videocassetadas”, como se Jeremias Muito Louco, Ruth Sanduíche-Iche Lemos ou mesmo Cicarelli e o namorado fossem transmitidos num programete – cuja vinheta poderia ser a marmota dramática.

O próprio Fugita foi convidado pela equipe do novo canal para conhecer a proposta antes de todo mundo. Ele foi o primeiro a perceber que o Fiz não era simplesmente uma misturinha de YouTube com televisão tradicional. O upload de arquivos (limite de 50Mb) e a navegação não-linear estão lá, mas o “pulo do gato” é como esse material vai parar na TV. A programação será dividida em blocos temáticos: Fiz.doc para documentários, Fiz.anima para animações, Fiz.clipe para músicas, e assim vai (o nome “fiz” permite uma porção de trocadalhos do carilho, como Fiz.bebê ou Fiz.caca). A única coisa que a equipe deve fazer é “empacotar” o produto e colocá-lo no ar: os demais processos, desde a produção do material até a escolha do que vai ao ar é feita pela audiência.

Ainda com o novo aval do Fugita, restava um turbilhão de dúvidas. Para acabar com a maioria delas, a patota do Fiz TV convidou vinte felizardos para uma noitada movida à pizza e bate-papo na última sexta-feira, dia 28 de junho.

A casa é sua, pode entrar – Logo na escada do metrô Sumaré, esbarrei com o Gustavo Jreige, sujeito que não só é um entusiasta dos meios digitais como também guarda dentro de si uma visão idealista que jamais deveria acabar. Enfim, por pouco não o enganei: como o Fiz TV é um projeto da Abril, que também mantém a MTV, fui caminhando pela Doutor Arnaldo sem me dar conta que o local do encontro havia ficado para trás.

Veio aí a primeira surpresa: a sede do canal é uma bela e ampla casa, com um quintal muito agradável. “Deve ser muito gostoso trabalhar num lugar desses”, pensei. Antes da apresentação oficial do canal, deu tempo de dar um alô para velhos conhecidos. Caso do próprio Fugita, da Marisa Toma do Luiz Biajoni, da Clarissa Passos, do Tiago Dória e da Renata Honorato.

Também tive o privilégio de trocar idéias duas grandes figuras: o Phelipe Cruz e o Carlos Merigo – acompanhado da Bruna Calheiros Pena que eu não consigo me socializar como deveria nesses encontros de blogueiros: certamente cumprimentei o Luiz Jerônimo, o Renê Fraga e o Ricardo Lacerda, além das duplas Fred Leal e Rafael Spoladore, e Patricia Barcelos e Caio Castro. Mas saí de lá sem saber quem era quem. E se eu soubesse quem era o Ale Rocha, teria dado um abraço nele.

Logo todas as panelinhas foram desfeitas rapidamente para que o Marcelo Botta, gerente de conteúdo do Fiz, pudesse iniciar o bate-papo e fazer uma rápida demonstração do canal, em uma salinha cheia de blogueiros curiosos. Nesse ponto da noite, foi a Rosana Hermann que praticamente “conduziu” a conversa, com inúmeras perguntas pertinentes.

Entusiasmo latente – Ali descobrimos que o usuário vai se meter até na criação das propagandas ou das vinhetas do canal (se bem que as psicodelias do “programa piloto” ficaram muito bacanas). E se um vídeo chegar à TV, significa não apenas aprovação do público, mas também um incentivo aos produtores. A motivação em participar não está apenas no cachê simbólico caso o vídeo vá para a TV, mas sim nas posições hierárquicas na comunidade: o sujeito começa um Zé Ninguém e, à medida em que conquista reputação, pode chegar ao nível máximo: Chuck Norris. Brilhante.

Mesmo após a apresentação, estava tão convencido quanto o Carlos Cardoso: esse negócio pode dar samba. Minha certeza só aumentou quando identifiquei o entusiasmo do Fabio Basso, ator, jornalista e blogueiro do fiz, e da Patrícia Vieira, produtora do canal, assim que o blog do Fiz entrou no ar. Os olhos dos dois brilhavam a cada nova idéia relacionada aos novos talentos de todo o país, prestes a contar com um novo espaço. “Teve uma produtora do Amapá que nem deixou eu terminar de falar, disse que mandaria tudo pra gente”, revelou Patrícia.

Eu não consigo imaginar como é viver imerso num turbilhão de idéias e, ao mesmo tempo, trabalhar pesado num projeto que começa do zero. Toda a equipe está nitidamente envolvida até o último fio de cabelo, o que garante ao menos uma decolagem arrebatadora no próximo dia 30 de julho (data de estréia do Fiz). Existe ainda outro elemento que só aumenta a vontade dessa turma em ver o resultado deste projeto inédito: nem eles mesmos sabem onde o Fiz vai parar. “É como se estivéssemos armando uma estrutura de metal e, embaixo dela, plantando as sementes. Como essa planta vai crescer e se enrolar ali? Não faço a menor idéia”, confidenciou o Marcelo Botta, quase no fim da festa.

Ao invés de perguntar “e agora?”, talvez o melhor a fazer seja embarcar e participar. Depois a gente vê, né?

Comentários em blogs: ainda existem? (6)

  1. Fala Marmota!

    Eu fui um pouco mais intrometido e entrei nas rodinhas para saber quem estava lá. Devo ter trocado umas palavras com quase todo mundo mas não lembro quem é quem também em todos os casos.

    Diferentemente de vc, descobri quem era o Ale Rocha e falei com ele um pouco, hehehe!

    Também fui descobrir quem eram as blogueiras que lá estavam. Brucalheiros do Sedentário! Clara Mcfly do Garotas que dizem ni! Renata! Rosana! Ematoma (esta última eu já conhecia).

    Foi divertido reencontrar alguns conhecidos e conhecer outros. Quanto ao Fiz agora estou pra escrever algo novamente. Vamos ver… E agora?

  2. Pois é, eu não consegui me socializar tão bem também não!

    Ainda mais que o papo tava tão bom com os amigos e eu ainda fui embora mais cedo… Não deu tempo de conversar com gente nova!

    Uma pena!

    Ficou muito bom seu texto, de verdade! Traduz tudo que estávamos pensando e saímos imaginando!

    E, bom, minha “visão idealista” provavelmente sofrerá mutações, claro, mas duvido que vá acabar um dia… Até porque eu sou teimoso e insistente pra caramba! hehehe

    Abraço

  3. Olá Marmota,

    Realmente foi um evento muito interessante pois foi uma oportunidade para nos conhecermos. Espero que tenhamos mais para movimentar a blogosfera. :)

    Abraços!

  4. Fiz TV: uma análiseO Fiz.TV é um projeto da grupo Abril que mistura site de ví­deos feito pelos usuários e canal de televisão. O blog do Fiz já está no ar faz duas semanas e traz posts diários com dicas de ví­deos e coisas que estão acontecendo no serviço. O site…

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