Fé que não se abala

Acordei apavorado nesta segunda-feira, ao saber do primeiro caso de uma brasileirinha morta por causa de um terremoto. Uma comunidade humilde em Caraíbas, distrito de Itacarambi em Minas Gerais, praticamente desmentiu meus oito anos de estudos sociais no primeiro grau: “o país foi abençoado, aqui não tem vulcão nem terremoto”, diziam. Blé. Deve ser a tal “febre global” popularizada pelo Al Gore

O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi outra notícia: enquanto a terra tremia, uma porção de moradores participavam da festa de Nossa Senhora da Conceição, em uma cidade vizinha. E mesmo em uma época do ano propícia a bondade e pensamentos positivos, admito que tive uma visão exageradamente negativa:

“Vejam vocês que horrível. Então uma porção de gente carente, que passa o ano inteiro em estado de emergência por causa da seca naquela região… Ainda assim junta o pouco que têm para promover uma comemoração em prol das comunidades ao redor. Mas ao invés de celebrar, descobrem um rastro de destruição ao voltarem para o que restou de suas casas. Imagino que nem dê vontade de acreditar em qualquer entidade celestial em uma situação dessas. Na verdade, vez ou outra eu até ignoro esse tipo de crença. Os necessitados aumentam na mesma proporção daqueles que os ignoram completamente. É lógico, hoje em dia as pessoas não se doam nem pra quem elas conhecem, pra quem estão próximos a elas… Mas que mundinho vagabundo esse nosso, hein?”

De repente, ouvindo a mesma notícia no rádio, consegui agitar a mente e ignorar a bobagem que havia pensado antes:

“Vejam vocês que impressionante. Uma porção de gente se reúne para trocar alegria e sorrisos em favor de Nossa Senhora da Conceição, como se a santa estivesse reunindo a todos, por alguma razão que só o destino pode explicar, para salvá-los. Se eles estivessem em casa, muitos morreriam. O prejuízo só não foi maior por causa da festa, e isso só vai reforçar a fé e a crença dessas pessoas. E mais: o espírito natalino vai fazer muita gente se envolver para dar apoio aos desabrigados de Caraíbas. Nem importa muito se o ajudante quer só pegar carona, fazer uma auto-propaganda e ficar bonito na foto. Mas fica melhor fazer um agrado sem se preocupar em capitalizar ou receber algo em troca. Ao mesmo tempo, conheço muita gente que faz uma ou outra doação com o mesmo carinho de quem está na linha de frente – e só não se envolve diretamente por falta de tempo…”.

É como dizem por aí. Quando as coisas não estão bem, e isso reflete nos pensamentos mais elementares do cotidiano, uma boa chacoalhada já resolve.

Comentários em blogs: ainda existem? (8)

  1. Cara, tu não estás aqui nos meus favoritos de carona! Texto muito legal. Mais uma vez, adorei passar pelo MMM (visita quase diária).

    Bjim, fica bem.

  2. Andrézão meu queridão,
    Uma coisa que eu sempre disse é que: não é que no brasil não tenha terremoto, no brasil o que não tem é sismógrafos. rsss
    abração

  3. Cara, acho que faz mais de dez anos que teve um terremoto de baixíssima escala em Barbacena. Dizem. Não me lembro “nem à força de reza”. O que me lembra de não discutir religião neste post, porque acho que não convém.

    Não desta vez…
    “Boa noite e Boa sorte”

  4. Valeu!!Teu blog é original, a gente sabe que temos que atualizar nosso blog para que ele permaneça bem visitado, né ?!
    Eu moro na França, aqui ta frio agora então na falta do que fazer criei o meu da uma olhada ! E espero que eu possa voltar no teu, pra gente trocar comentario, ok ?
    Falo de tudo, e vc pode me criticar mesmo viu? Faz um comentario!
    http://www.dateladolar.blogspot.com

  5. Isso só prova que existem várias maneiras de divulgar um fato, e nesse específico, conseguiu amenizar uma situação desagradável, apenas dando uma nova visão da coisa.

Vai comentar ou ficar apenas olhando?

Campos com * são obrigatórios. Relaxe: não vou montar um mailing com seus dados para vender na Praça da República.


*