Quem ficaria feliz com minha dissertação publicada? (Ou: entenda o que é a Novas Edições Acadêmicas)

Dias atrás, recebi uma mensagem pouco comum. Num tom rebuscadamente formal, a remetente começava com o meu nome completo, uma apresentação (“Dirijo-me a você em representação da editora Novas Edições Acadêmicas”) e um convite a partir da minha dissertação de mestrado. “Me comunico com você (sic) para oferecer-lhe a oportunidade de publicá-lo em forma de livro impresso de maneira gratuita”, frisava a mensagem.

O e-mail apresenta a editora como uma divulgadora da ciência, interessada em publicar teses, dissertações, artigos e trabalhos afins em livros impressos sob demanda, distribuídos mundo afora por meio de uma rede de livrarias – que inclui a Amazon. O site da NEA reitera o convite, além de valorizar “métodos editoriais inovadores” para justificar as “publicações sem custo para o autor”. Ou, ao menos em parte: “se você preferir que seus livros sejam vendidos em livrarias você pode comprá-los online e vendê-los na livraria de sua escolha pelo preço que achar justo” – é importante frisar, com desconto para autores. Por fim, a operação prevê ainda que o autor faça os ajustes indicados pelos “revisores” antes de enviá-lo definitivamente junto com o contrato.

Ora, quem nunca ouviu o canto da sereia no qual um homem deve “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”? Em nosso país, a melhor forma de você ser reconhecido em qualquer evento é botar no rodapé a portentosa descrição “é autor do livro blablablawiskassachê” – seu carma sobe mesmo que ninguém leia. E, puxa vida, de graça!? É só mandar meu arquivo PDF para revisão, elaboração de capa, número ISBN, registro na Biblioteca Nacional (detalhe: é a da Alemanha, esqueça aquela da Cinelândia!), esperar por alguns breves trâmites e… Uia! Meu livro vai para lojas virtuais como a MoreBooks, com preço em Euro!

Tentador, não? Agora vamos sentar, respirar e entender isso melhor.

De um lado, o mercado editorial brasileiro é uma destas searas onde apenas os fortes sobrevivem. Fosse uma tarefa pouco turbulenta, iniciativas independentes sensacionais baseadas em impressão sob demanda, como a extinta editora Os Viralata, do Albano Martins Ribeiro, não teria sucumbido depois de cinco anos de batalha. Outro exemplo: autores com boas ideias podem ainda passar pelo crivo editorial da Editora Verve. O modelo de seleção e publicação é bem legal: aposta nas noites de lançamento para divulgar livros de poesia, contos, romances, viagens, esotéricos e afins. Depois de algumas semanas, caso a publicação ainda tenha exemplares, o autor banca o valor e se incumbe de revendê-los. Já no cenário acadêmico, propostas semelhantes à NEA só funcionam porque costumam compartilhar os custos iniciais de edição e impressão com os autores. Das que conheço, é o caso da Editae Cultural, com bons títulos na área de comunicação.

Estes exemplos, ao lado de outros, buscam a sobrevivência num ecossistema dominado pelos grupos de sempre (aqueles estandes maiores nas bienais do livro) ou os que se especializaram em auto-ajuda, dietas milagrosas e cultura pop (os estandes mais abarrotados dessas mesmas feiras). Então chegamos ao outro lado da questão: minha dissertação até ficou joinha, mas atende a um nicho muito específico. Basicamente a qualquer um que entender o significado de “Análise de processos comunicacionais assíncronos para colaboração em um ambiente virtual de aprendizagem aberto” sem pesquisar no dicionário. Vou mais longe: mesmo quem se interessar pelo tema, consegue o arquivo do trabalho completo em um clique. Não parece interessante para nenhum grupo editorial elaborar um livro com este conteúdo.

Então qual a mágica por trás da Novas Edições Acadêmicas?

Além daquele estilo de texto “padrão com lacunas preenchidas para múltiplos envios”, os e-mails que recebi tinham como assinatura: “Novas Edições Acadêmicas é uma marca comercial de OmniScriptum GmbH & Co KG”. As peças do quebra-cabeças começam aqui. A começar pelo site principal do grupo alemão. Resultados relacionados trazem à tona as seguintes marcas:

Está claro que o esquema de convites por e-mail envolve uma escala mundial. Cansei de procurar por sites similares e segui o entorno da página da NEA no Facebook. Aparecem ali os perfis de duas funcionárias, incluindo a autora do convite por e-mail. É inquietante perceber que suas postagens se resumem a lançamentos de novos autores desde a sua entrada na rede, no início de 2013. A imagem de capa, a ausência de dados pessoais mais consistentes (como uma foto), mesmo o nível do discurso (compare você mesmo) sugerem a prática (bem comum em escritórios pequenos, diga-se) de múltiplas tarefas operacionais nas mãos de um só, dividindo as funções entre “personagens”.

Por meio do blog da Eva Amsem, convidada a publicar seu trabalho sobre “regulação subcelular da síntese e distribuição da melanina” pela Lambert Academic Publishing, descobri o termo sockpuppet, útil para descrever a tal prática dos personagens. Além, evidentemente, de uma crítica muito bem fundamentada a esta prática, que vai de encontro a uma postura científica genuinamente aberta. O artigo da Wikipedia relacionado à marca principal do grupo (VDM, de Verlag Dr. Müller) menciona escritórios mundo afora, centenas de milhares de livros publicados mensalmente (incluindo coletâneas encadernadas da Wikipedia!) e uma chuva de críticas – a mais interessante, assinada por Victoria Strauss, batizou a estratégia como “usina de autores”. Seu artigo ainda menciona detalhes do contrato, pouco amigáveis a quem se submete aos mesmos (“eles até pagam royalties, quando existirem”).

Assim fica mais fácil: reunir um volume descomunal de trabalhos, imprimir e entregar quando houver demanda (naturalmente, na maior parte dos casos, por influência direta ou indireta do autor) quase que exclusivamente em lojas internacionais (incluindo a própria). O Professor Doutor Wolfgang Philipp Müller, fundador da editora no longínquo 2002, tem pouca relação com a marca, ao que parece. Aquisições, lançamentos de marcas, promoção da impressão sob demanda e expansão internacional se devem ao diretor geral da VDM, Thorsten Ohm. A essa altura, uma boa parte dos amigos que chegaram até aqui enxergam, metaforicamente, uma editora semelhante ao organismo alienígena do filme “Guerra dos Mundos”, alimentando-se de qualquer animal que caia na armadilha para se fortalecer. Outros, seguramente, pensaram: “que ideia genial, devia ter pensado nisso antes!”.

Incontáveis textos em distintos idiomas recomendam cautela ao submeter um trabalho científico em editoras “moedores de carne”. O problema nem está nos preços exorbitantes do produto final, a estratégia agressiva (ainda que lícita) ou as letras miúdas do contrato. Teses e dissertações submetidas não passam por nenhuma avaliação científica nas mãos de pareceristas, ao contrário de publicações ou congressos mais rigorosos. No fim das contas, o próprio autor faz os ajustes indicados pela NEA (imagino que nem todos sejam gramaticais ou de informação). Todo acadêmico que se posiciona seriamente reconhece a dificuldade em se fazer ciência de verdade nestas condições. É evidente que, em função do volume de convites, não há qualquer critério para a escolha do que pode virar livro. Nesse cenário, instituições de ensino e pesquisa relevantes deveriam alertar seus pesquisadores: ter uma obra publicada na NEA não é, isoladamente, um bom sinal. Pelo contrário: a banalização do “livro pelo livro” é capaz de enfraquecer um trabalho que poderia avançar cientificamente.

Ou será que eu estou errado?

Um professor do Centro Universitário do Maranhão publicou sua dissertação sobre banheiros secos pela empresa. O texto reproduz o passo-a-passo (convite por e-mail, livro sem custos e distribuição mundial). “Pesquisei sobre a editora e verifiquei que se tratava de uma empresa idônea. Enviei meu trabalho para análise e, após 16 dias, recebi a informação de que a obra havia sido aprovado sob todos os aspectos examinados, estando apta para publicação”, descreveu o professor, feliz por ter publicado seu livro em uma “editora de renome”. Já o responsável pelo texto de lançamento do último trabalho de docente na Universidade Comunitária da Região de Chapecó valorizou o feito na manchete: “o livro foi publicado na Alemanha“.

O mesmo aconteceu com um professor do Sesc de Dourados, que se surpreendeu ao ver o interesse de uma “editora da Alemanha” em seu trabalho sobre um impasse diplomático entre Brasil e Paraguai nos anos 1960. “Propostas como estas não caem do céu”, desconfiou, antes de aceitar e ver o resultado pronto em menos de quinze dias. Está feliz por esta realização ao mesmo tempo em que vai bem na carreira. O coordenador do curso de ciências contábeis da Faculdade Legale, no centro de São Paulo, também está feliz em ver seu livro (o terceiro) disponível na Europa e na Amazon. O assunto? Contabilidade Islâmica.

Um mestrando da USP em São Carlos também teve um trabalho sobre relógios atômicos. Trata-se de uma adaptação de seus trabalhos de iniciação científica adaptados em oitenta páginas. “Para os nossos alunos, fica aqui o exemplo da determinação, entusiasmo e entrega aos seus projetos, enquanto que para os nossos docentes fica a satisfação, em face aos resultados obtidos”, finaliza o texto.

Se um dia puder cumprimentar estes colegas (ou qualquer das dezenas de autores), vai ser pela conquista ao concluir sua pesquisa, mas nunca pelo fato de ter uma dissertação ou tese disponível em alguma base de dados pública e ter aceitado o convite por e-mail (similar a qualquer spam) feito pela NEA. Publicar seu livro dessa forma pode ser legal para incrementar seu currículo Lattes, o plano de carreira de sua instituição acadêmica, entre outras vantagens desse universo onde nem sempre o seu valor é mensurado pelas pauladas que o conhecimento costuma trazer.

Posso até mudar de ideia, “jogar o mesmo jogo” e mandar um release com sotaque do prefeito de Sucupira: “meu pooovo, teeenho um liiivro publicaaado em uma editoooura da alemaaanha”. Mas não é esse o tipo de resultado que me interessa.

Comentários em blogs: ainda existem? (177)

  1. Concordo em gênero, número e grau. Alguns colegas já vieram me perguntar opinião sobre a NEA. É a mesma coisa que não publicar nada – afinal, quem vai pagar 100 euros (ou mais!) por um “livro” que está de graça como dissertação na internet?

  2. Ah, eu ficaria feliz com a sua dissertação publicada! Hahaha! Mas não dessa maneira.

    Ainda bem que você é metódico e desconfiado. Eu acho que cairia fácil no papo da editora, se estivesse no seu lugar.

  3. Então, acabei de receber a proposta no meu e-mail, é bem tentadora mesmo, mas depois de ler esse texto, acredito que não vou responder o spam…

  4. Obrigada pelo informação, o que de fato me marcou foi a questão do avanço científico, pois não é assim que se faz ciência. Adorei. Obrigada novamente.

  5. Bom, já eu acho que é de uma extrema arrogância desvalorizar uma editora que te permite publicar um livro sem nenhum custo (o preço elevado de venda se justifica pelo modelo de impressão-sob-demanda, embora a gente ache injusto). nem todas as universidades têm bases de dissertações organizadas e atualizadas (nem as públicas são 100% assim). e muitas pesquisas podem ganhar um leitor ou ao menos um interessado na Amazon.com ou na Morebooks.de. Também sou autora, fui convidada a publicar e não me senti espertinha-da-academia ou algo do tipo (que você insinua no texto) por ter agarrado a oportunidade. Leciono e publico regularmente, não vi por que não fazê-lo e dar visibilidade a uma pesquisa que foi de suma importância alguns anos atrás e que estava engavetada. Acho que os farsantes, com seus Lattes vazios e apenas o livro da NEA no CV, serão facilmente identificáveis. Aliás, seu Lattes e sua experiência devem ser realmente incríveis para poder recusar um convite que só lhe beneficiaria, sem prejudicar ninguém) tudo em nome da verdadeira Ciência – a que tem letra maiúscula e não é publicada em livros da NEA. Talvez lhe falte um pouco de autoestima, de achar que seu trabalho tem valor. #ficaadica Bjs!

    • Mariana,

      Aponte uma linha que indique arrogância, como você diz. O texto revela uma prática editorial, um esquema de mercado. Se é bom ou ruim, cada um tem uma visão.

      Concordo, nem toda instituição organiza suas bases de dados. Cabe a quem tem interesse cobrar. Ou, até para valorizar pesquisas e trabalhos, criar um perfil no academia.edu ou researchgate. Para qualquer pesquisa, isso funciona melhor do que um livro a 80 euros.

      Fico feliz que você tenha autoestima elevada, publique seus trabalhos e milite por relevância acadêmica. Cumprimento-a, como faria com qualquer colega – chegou a ler essa parte? E admita: existem espertinhos da academia, não?

      Por fim, é uma pena que a sua argumentação inicial tenha partido para uma gratuidade “seu lattes deve ser incrível”, que desqualifica o debate. A discussão não é sobre “quem sou eu quem é você”, oras. Do jeito que ficou, parece um “você é feio e eu tenho mais livros que você”. É verdade, parabéns! Mas e a NEA?

      Eu também tenho uma dica: você podia ter simplesmente dito que o livro, no fim das contas, ficou bem acabado, que o ISBN alemão é um charme, que pagou do seu bolso (com desconto) por edições pra sua biblioteca… Sei lá, alternativas que valorizem essa prática.

      Ah, que surpresa, Mariana (é esse mesmo o seu nome?), preferia ter enviado esta resposta apenas pro seu e-mail, mas ele voltou.

      • André,
        Recebi o email da NEA neste final de semana e como você fui a busca de dados sobre a editora. Escrevi para a minha orientadora do mestrado, pedindo auxílio. A editora cita como revendedores no Brasil a “SBS – Special book services” que conheço e também escrevi para eles. Acabaram de me responder que não comercializam livros desta editora. Escrevi pelo facebook para dois autores que se mostraram felizes pela publicação na NEA e não obtive resposta. Achei o seu blog que me foi enviado por uma amiga belga e foi esclarecedor, para recusar tal publicação. Abraço!

        • Sua experiência foi bem parecida com a minha!
          Também recebi um e-mail da NEA hoje à noite. Fiquei receiosa e imediatamente o encaminhei para meu orientador, (pessoa que atualmente coordena o grupo de estudo ao qual faço parte). Enfim, sentir-me mais aliviada após ter encontrado esse texto do Marmota. Me ajudou bastante!

      • Recebi também este e-mail dias atrás, para publicar minha dissertação. Da primeira vez, considerei como spam e descartei. Da segunda vez, vi que tinha uma pessoa atrás da máquina, e decidi questionar qual seria o interesse da editora em publicar uma obra que já se encontra em domínio público. Obtive a resposta das supostas vantagens. Depois disso, recebi mais dois emails da pessoa, que continua aguardando meu arquivo com o texto. Diante de tanta insistência, decidi dar atenção ao tema e pesquisar e cheguei a esse e outros blogs e textos sobre as práticas da editora.
        Não tenho nada contra pessoas que publicam seus textos pela editora, como a pseudo Mariana ali de cima. Putz, que inveja ter um monte de publicações. Ou não, sinal que a gente só está enquadrado no esquema do produtivismo acadêmico engendrado pela CAPES e que nos torna mosca morta pra cair nas teias das aranhas editorias digamos, suspeitas. O que fico pensando seriamente é como o resultado de uma pesquisa, muitas vezes financiada com recursos públicos (bolsas CAPES e afins) se converte, depois de um tempo, sem nenhum pudor, em um produto para ser comercializado, cujo único valor agregado é, aparentemente, uma capa (ok, conheço diagramadores que podem colocar uma capa linda na minha tese e me cobrar o valor justo por isso) e um ISBN (existe? não existe?).
        Acho que, mais por uma posição política, devemos ponderar essas questões: a tese/dissertação é do autor, mas até que ponto ele – ou uma editora suspeita – pode lucrar em cima disso, nas situações em que as pesquisas foram financiadas com recursos públicos.
        No meu caso, prefiro não publicar pela editora e se algum dia resolver publicar minha tese ou dissertação por alguma, prefiro que ela tenha algum comitê científico que valide e/ou qualifique o trabalho. O que eu acho de extrema arrogância é regurgitar “meu lattes é fodão, eu publico regularmente, mimimi e agarrei a oportunidade de publicar um trabalho que estava engavetado”. Isso é no mínimo um descaso com a ciência e a produção do conhecimento – deixar uma pesquisa, se ela for relevante, engavetada, esperando a melhor oportunidade de lucrar em cima disso. Principalmente se a pesquisa foi bancada, de um jeito ou de outro, pela sociedade. Existem diversas formas de vulgarizar o conhecimento, se esse for o desejo do autor.
        Agradeço pelas contribuições do texto e da pesquisa que foi feita. Foi fundamental para minha tomada de decisão sobre “publicar minha dissertação na Alemanha”.
        Abraços
        Rafael

  6. Alguém saberia me dizer se existe o risco de ser um golpe? Ou alguém já botou, de fato, as mãos no seu próprio livro publicado?

    • Garin,
      O problema são os termos e condições do NEA. Você passa o dereito autoral do SEU trabalho que VOCê fez pro caras, sem limites geográficos. E, caso queira usar SEU trabalho para alguma outra coisa você só pode usar 20%. Isso é surreal! Quase caí no conto do vigário.

      • Isso aqui “Você passa o direito autoral do SEU trabalho pro caras, sem limites geográficos. E, caso queira usar SEU trabalho para alguma outra coisa, você só pode usar 20%”, em minha opinião, foi muito mais esclarecedor do que todo o texto do Blog. Abraços.

      • Nossa, recebi o email deles ontem e estou a procura de mais informações sobre a editora.
        Como disse o Alberto, nada mais esclarecedor do que essa frase dos 20%. Como assim estão limitando o uso do MEU trabalho?

      • A frase dos 20% disse tudo! Recebi o e-mail hoje e vim correndo pesquisar. Perder os direitos autorais do meu trabalho está fora de questão! Sei do valor dele e o seu diferencial, por se tratar de um trabalho inédito. Definitivamente não quero abrir mão dos meus direitos.
        Obrigada a todos pelos esclarecimentos!

      • Bruna e Marmota, muito esclarecedora as informações. Também recebi um convite e vim pesquisar sobre a NEA, uma vez que 17 pulgas se instalaram atrasada minha orelha. Com as informações do texto principal, fiquei bem desanimado. Daí fui lendo os comentários até chegar ao de Bruna. Minha decisão já está tomada: não vou nem responder ao e-Mail da Fulaninha…
        Obrigado.

      • Recebi este e-mail também e, mesmo gostando do texto supracitado, o que esclareceu, realmente, o “Q” da questão foi o seu comentário, Bruna.
        Um forte abraço.
        PS: O trabalho é MEU, eu uso quando EU quiser, não posso ter direito a penas 20% do que passei 2 anos escrevendo no mestrado e, por isso, NÃO cederei a esta editora!

      • Nossa! Perder o direito autoral sobre o seu trabalho de Doutorado é algo muito sério!! Sem falar se este trabalho já está publicado em periódicos científicos. Como ficaria neste caso? Aproveito para agradecer a todos os colegas pelos posts, até agora bem esclarecedores. Abraços

      • Recebi o email essa semana, fiquei até lisongeada pelas palavras do email, mas comecei a achar estranho pela assinatura do email. Aquele monte de siglas malucas que nunca escutei e só vim conhecer após ler este texto, serviram apenas para pensar: “cara, eu to muito por fora do mundo editorial!” Mas não, isso realmente não me trará nenhum benefício ou vantagem real. A não ser que eu e meu trabalho sejam superficiais e eu me contente com uma capa bonitinha.

  7. Fiquei desconfiada, pois recebi o mesmo e-mail para minha tese de doutoramento. publiquei os resultados em uma revista, e foi bem difícil adequar tudo aos padrões exigidos por ela, mas como mérito do trabalho a revista aceitou. Ao receber o convite, fiquei preocupada justamente por esta “tal revisão”, pois em nenhum momento me foi listado os aspectos que seriam avaliados, para a tal aprovação do manuscrito. Ora, publiquei em algumas revistas e todas elas têm seus aspectos, assim como os livros! Se é golpe não sei, mas desconfio, porque desde que tive o “interesse” nessa proposta tentadora, já mudaram de editor 3 vezes. Acho que dessa vez vou declinar o convite!

  8. Eu também recebi esse convite. Já tem semans que converso com “alguém” por email e é realmente tentador. Cheguei a mandar meu trabalho (não vi problema nisso, pois já é publico) e aí me responderam de volta dizendo que tava aprovado (achei estranho não ter que fazer alteração nenhuma). Me falaram que eu tinha que preencher um cadastro, preenchi. No final, na hora de dar OK, tinha que aceitar os termos e condições. Dentro coisas surreais as piores foram:
    3. Além disso, o autor está autorizado a publicar
    ele mesmo extrato da sua obra de outra forma,
    por exemplo: como artigo especializado em uma
    revista, como publicação on-line ou semelhante.
    As diretrizes para publicações parciais estipulam
    que as mesmas não devem superar um máximo
    de 20% da totalidade da obra.

    Acho que basta né!!

  9. Eu recebi o mesmo e-mail que muitos de vocês. Cheguei a enviar o PDF do meu trabalho e a ler o contrato da editora. O contrato parecia ok, aparentemente eu realmente iria publicar sem custo nenhum. “Quando a esmola é grande, o santo desconfia”, diz o ditado. E pensei exatamente no que o André escreveu:

    “… mesmo quem se interessar pelo tema, consegue o arquivo do trabalho completo em um clique. Não parece interessante para nenhum grupo editorial elaborar um livro com este conteúdo.”

    Depois disso não prosegui com o processo da publicação, porque não consegui enxergar, na minha limitada visão mercadologica (talvez), qual o objetivo de se publicar o meu trabalho. Acho que só eu iria comprar um exemplar encadernado do meu próprio trabalho (a área acadêmica, a.k.a. “interessados”, iria fazer o download gratuito pelo site da universidade).

    A única vantagem que eu ganho é ter uma linha a mais no Lattes como autor de um livro publicado. E a editora ganha mais um livro publicado em seu portfólio. Se no meu Lattes já consta que sou autor de minha dissertação de mestrado (que pode ser obtida de graça), então pra que publicar um livro de mesmo conteúdo com o propósito de vendê-lo? =/

  10. Caro André,

    Obrigado por citar a Editae Cultural no seu texto. Realmente, publicar teses, dissertações, obras científicas é praticamente impossível. Vivemos esse “tirar leite de pedras” no nosso cotidiano.

    Att. Pedro Simão

  11. Recebi o convite, desconfiei. Fui ao site da editora, senti mais confiança. Enviei meu arquivo para revisão. Recebi em alguns dias a resposta positiva. Pedi o arquivo da revisão, recebi outro e-mail padrão. Este não é o procedimento editorial normal e, sob meu modesto ponto de vista, é inaceitavel. Andre Marmota é lucido, sabe muito bem o que diz. O minimo que se espera de uma empresa ou pessoa como a Mariana, é transparência, capacidade de mostrar o rosto, dar respostas e discutir detalhes atendo-se ao tema. Não publico, não. Não catei minhas ideias no lixo. Obrigada, André. Abraços a todos, e desculpem a ausência de agudos e graves, meu lap não aceita.

  12. Caros,
    Pois é, tb recebi o e-mail da NEA, e naturalmente recorri ao Google para obter mais informações sobre tal editora. Agradeço muito ao blog do André Marmota por trazer à tona a discussão sobre esse tipo (bem novo para mim) de cooptação no meio acadêmico… agradeço tb a tds os “comentadores” pelas diferentes perspectivas sobre o assunto. Após lê-los e refletir um pouco, penso que esse tipo de edição sugere-se mais virtual do que real, e isso não no sentido da potência que ainda não se fez ato, mas num sentido bem pejorativo… que pena, pois adoraria ver minha pesquisa belamente publicada, e ainda com ilustrações em 4 cores e td! É isso aí… Abs e boa sorte a tds!

  13. Vc cortou meu barato cara! Eu já estava toda feliz imaginando a noite de lançamento do meu livro! Rsss mas caí na real e fui pesquisar no Google…

  14. Também recebi e mantenho-me em um dilema. Concordo com as críticas mas tenho algumas considerações pessoais. Não tenho interesse em publicar minha dissertação nem tão pouco minha tese. Consegui publicações com estratos A1 até B2 com as mesmas e, isto me basta. Quanto a livros, já tenho um caminhando para a terceira edição. Porém, sou professora e elaboro materiais didáticos com frequência. E, mais de uma vez, todo o meu texto foi copiado e colado em dissertações e em apostilas utilizadas para cursos no Brasil. Ganharam bastante “dindin” com o meu trabalho e não fui sequer citada. Porém, sou professora e tenho muitas apostilas bem elaboradas. Será que, neste caso, não é melhor publicar pelo NEA do que como “Material Institucional”, que não serve nem para o Lattes? Me ajudem a resolver. De verdade. Obrigada!

    • Janaina, estou copiando e colando o texto a seguir, pois suas apostilas podem ser impressa, isbn, codido de barrras, etc.
      “Senhor(a), você quer fazer de sua Dissertação ou Tese um livro impresso com ISBN, código de barra, capa dura e ainda ser disponível no Amazon.com? Pois bem, isso sim simples e barato de ser realizado.
      Você já ouviu falar o serviço americano da Blurb de impressão de livros? Acesse o site ww.blurb.com (inclusive ele já tem versão no idioma português).
      Neste site acesse: formatos e preços / livros comerciais. Você pode fazer simulação de quanto ficaria por exemplo um livro: 100 páginas, Capa Dura, 1 exemplar, tamanho 15x23cm, papel branco, impressão preto e branco, preço 15,75 U$ mais frete.
      E o preço do livro no Amazon…entre no site da Blurb e termine de fazer pesquisa.”

  15. Prezado, será que não podemos pensar que raramente é possível publicar uma dissertação de mestrado no Brasil. Neste sentido, será que não seria bom a tal publicação, especialmente pela possibilidade de colocar no Lattes. A publicação numa editora mais séria, deixa para a tese de doutorado.

    • Diogo, não entendi: sua dissertação é pouco séria, bem como editoras que a recusam, por isso tudo bem publicar apenas em função do Lattes?

  16. André, na verdade, existe atualmente uma banalização do conhecimento, pois temos acesso a milhões de obras e livros e isso não nos torna mais inteligentes. Recebi também este e-mail da NEA, é até tentador, mas o que pega ali é a questão dos direitos autorais, falta de critério de temas e assuntos e o preço final do livro, pois não é uma publicação independente. Tem o CreateSpace que é da Amazon.com, que é até interessante, pois você mesmo faz o seu livro, monta a capa, formata e configura. Os direitos autorais são seus e o preço para vc comprar é em torno de 3 a 5 dólares. Vc pode publicar sua dissertação ou tese, igual a que vc defendeu e foi aprovada pela banca, só que em outro suporte e formato. Para mim, publicar dissertação ou tese, em formato de livro, de forma independente, é para dar maior aparência ou visibilidade para seu trabalho.

  17. Gostei muito do seu texto. Assim como muitos aqui, também recebi essa proposta, não só da NEO, como também de outras editoras de book-express. Penso que não irei prosseguir com a proposta. Acho mais válido transformar a dissertação em alguns artigos que possam ser acessados livremente, em importantes plataformas de minha área. A minha concepção de pesquisa, engloba seu papel de colaborar com algum retorno social. Acho válido ressaltar que algumas editoras pequenas, que também trabalham com impressão sob demanda, são sérias. Já tive grandes exemplos de pessoas que publicaram ebooks para download gratuitos, e essas editoras também ofereciam impressão sob demanda. Por fim, acho que sua reflexão é muito boa para esse debate. Abraços!

    • Oi André
      Gostaria de te agradecer pela iniciativa de compartilhar tuas ideias sobre esse convite. Eu recebi o convite para publicar minha tese na semana passada e hoje recebi um lembrete do convite não respondido. Há um ano atrás, eu recebi outro convite de uma revista que alegava ter lido um poster meu em um congresso nos EUA (o poster existiu de fato). De início, eu estranhei o uso do portugues que lembrava as coisas do google tradutor. Então, fui pesquisar na internet e descobri diversos autores reclamando que tinha enviado artigos originais (eventualmente, pago por versões em inglês) e nunca mais tiveram notícias de seus trabalhos. Isso existe infelizmente e é preciso ter cuidado. Penso que se a intenção é boa, não vejo porque a Editora não fazer um contato via institucional e fechar acordos de cooperação com nossas universidades. Att. Lídia M.

  18. Ainda não sou pesquisador, mas pretendo ser. O mais curioso da academia é fazer teses para a própria academia.
    Quando começarmos a pensar no que as pesquisas podem influenciar ou melhorar a sociedade, talvez publiquemos mais livros.

  19. Oi André,
    Também recebi e confesso que achei tentador. Conversei com alguns colegas para saber a opinião deles e todos disseram “nossa, que bacana!”. Mesmo assim fiquei muito desconfiada com exatamente seu argumento – porque alguém compraria algo está publicado gratuitamente? – naveguei no site da NEA e vi por lá umas capas bonitas, entaõ pensei…Talvez a NEA seja uma base importante e que os pesquisadores a utilizem bastante, ainda mais, com uma organização legal etc e tal…Bom, hoje recebi o e-mail dizendo que meu texto estava aprovado, com anexos de contrato e a coisa toda…daí fiquei muito incomodada e resolvi pesquisar em algum Reclame Aqui da vida…só que encontrei seu post…e sinceramente, não vejo motivo para dar continuidade a esta dice ilusão. Valeu pelas dicas! Abraços.

  20. Muito obrigada! Recebi o tal convite e na hora pensei “que marmota é essa?”. Para minha surpresa na pesquisa no Google e apareceu esse blog “marmota.org”. E tem tudo que eu queria saber e estava desconfiando. Uma amiga minha publicou sua dissertação recentemente, mas pela Editora Saraiva, tudo com muito contato e aprimoramento do trabalho para um estilo de livro. É assim que funciona, ou você vai atrás ou vão atrás de ti para publicarem, e rola esforço para adaptar o material. Almoço grátis não existe e me parece que perder os direitos autorais de seu próprio trabalho é um preço bem alto!

  21. Muito bom, André Marmota! Recebi um e-mail tão bonito dessa empresa, que quase acreditei que Papai Noel existe – a proximidade com o Natal mexe com a gente, rsrsrs. O interessante é que já é o segundo e-mail que recebi, de duas editoras diferentes querendo publicar minha dissertação, daí eu pensei: eu devo estar muito famoso, ou então tem muita gente mafiosa no ramo das editoras! Obrigado pela matéria!

  22. Muito obrigada, André! Considerei seu post não somente esclarecedor mas, sobretudo, decisivo para não cair no “conto do vigário”. A vaidade acadêmica realmente me assusta! Pior é não vislumbrar um cenário diferente enquanto CAPES mantiver seus critérios quantitativos. :(

  23. Email -> Google -> Seu post. Rápido assim, o que me parecia spam se confirmou spam. Obrigado pela clareza e parabéns pelo discernimento. Eu reuni os poemas da adolescência, fiz um livro pessoal e comprei somente a minha cópia, mas daí a fazer isso com minha dissertação são outros quinhentos.

  24. Recebi esse convite e fiquei feliz. Não por alguma possibilidade de status, esse posso adquirir vivendo a minha vida da melhor forma que consigo,procurando sempre incentivar e aplaudir boas iniciativas. Fiquei feliz com o convite e trabalhei muito para atualizar minha dissertação e transformá-la em um manuscrito que considerei bom para ser publicado. Fiz isso por que acho maravilhosa a ideia de que a minha pesquisa saia dos bancos de teses e dissertações, e da prateleira da Biblioteca Universitária e alcance mais pessoas. Meu objetivo não é ganhar, nem enriquecer meu Lattes. Ele é bem bom e honesto.É fruto do meu trabalho.
    Meu objetivo é disseminar as informações que levantei, através do maior número de veículos possível para, quem sabe, contribuir com a construção de algum conhecimento.Informação parada não serve para nada. O objetivo não deve ser sempre ganho pessoal.Esse não é o espírito de um pesquisador. Parabenizo a NEA, independente do número de pessoas que trabalhem nela, e do tamanho do escritório. A nacionalidade dela não me importa.Conheço poucas organizações(mesmo de duas pessoas) se propondo a facilitar a divulgação de trabalhos científicos. Essa é uma iniciativa maravilhosa. Sinto muito por você ser tão duro. Um pouco de flexibilidade pode ajudar vc a ver a vida de uma forma mais divertida. Aplauda! E se vc tiver algo “melhor” para indicar, ou caso vc o faça avise! Abs., e um bom ano novo para vc!

    • Elizabeth, falando em indicações e divulgação, deixe um link aqui com informações sobre o seu livro e como podemos comprá-lo. Abraços!

    • Adorei este debate. Muito esclarecedor. Fiquei apenas com duas questões aqui: “vulgarizar” o conhecimento pressupõe que o mesmo seja “nobre ou elevado ou elitizado ou especial”. Isto contraria aquilo que eu entendo ser próprio a natureza dos conhecimentos. Eles não são eletivos, dons para poucos, ou algo que se aproxime do discurso religioso antigo. Conhecimentos assumem validades se e porque são compartilhados. No mais, ceder direitos autorais ou intelectuais para uma editora tem sempre um quê de “vender se” mesmo. Estou pra conhecer uma editora séria.

  25. Bom, gostando ou não, meu ilustre amigo, o fato é que a NEA paga 12% de direitos versus 10% do mercadinho editorial brasileiro. Nessa idiota publicação a qual o Sr. se refere sobre relógios atômicos, já recebi mais de 3.000 euros. E o Sr? Quanto ganhou aqui no Marmota? 3.000 seguidores? Prefiro a minha parte capitalizada. Recomendo a todos a NEA, caso não queiram entregar sua alma aos mercadinhos editoriais brasileiros. Boa sorte, Dr. Marmota.

    • Ricardo, parabéns por ser um dedicado vendedor de livros. Só lamento que seu comentário tenha esbarrado na ideia fácil e jocosa de desqualificar o interlocutor. Aproveito para pontuar que o rótulo “idiota” é obra sua – como deixo claro no texto, se pudesse encontrar cada colega que desenvolveu um trabalho de pesquisa nas condições que temos, celebraria com ele.

  26. André, eu entendo a sua crítica, mas tendo a concordar com a Elizabeth de que você pode estar sendo rígido demais. Eu acabo de publicar minha dissertação pela NEA. Não acho que essa publicação seja o supra sumo das publicações, até porque também não acredito que todos os trabalhos acadêmicos que são publicados por editoras mais consagradas tenham tanto valor científico assim. Muitas vezes os valores que conduzem estas publicações são bem diferentes do que aqueles que regem a boa pesquisa (se é que possamos definir o que seja isso tão facilmente). E também é tão difícil nós, de áreas tão diferentes, apontarmos o que é uma ótima pesquisa acadêmica de temas tão distintos, não? Ou, ainda, pensar nisso apenas tomando por base aquilo que julgamos, pessoalmente, ser o mais interessante, ou aquilo que determinado “grupo acadêmico” julga interessante e a gente acaba simplesmente acatando como o que há de melhor. Acho , sim, que o método da NEA deve ser bem analisado antes de você oferecer a eles seu trabalho, pois há todas estas questões de direitos autorais e de valores oferecidos ao mercado (são altos mesmo, mas não tão altos para quem recebe em Euros, por exemplo). Da minha parte, tinha lá minha dissertação no arquivo da biblioteca, que quase ninguém acessa, mesmo sendo de graça. Já tinha escrito todos os artigos que podia a partir dela, e pensei que seria bacana, sim, poder tê-la em meios que a levassem um pouco mais longe. Alguns amigos franceses, por exemplo, não conseguem acessar minha tese pela internet, por conta de restrições da rede. Claro que para os amigos eu mando minha dissertação por email rs, mas eles podem querer indicar para alguém, ou alguém de fora pode se interessar pelo autor que estudos e pesquisar no”google”, e aí a bichinha vai aparecer lá. É muito legal poder ter seu trabalho lido por alguém, mesmo a critica seja pesada, é para isso que expomos nossa pesquisa, e não para nos sentirmos o máximo por ter publicado algo seja onde for. Se isso é pouco provável, claro que é, como também é pouco provável que alguém queira ler minha dissertação pelo site da biblioteca da universidade. A vantagem é que não paguei nada para publicá-la (recebi muitas propostas de editoras menores, estas sim da maior cara de pau, querendo que eu custeasse a publicação), e só comprei exemplares porque eu quis (vários amigos não compraram e não foram obrigados a isso), quero deixar um exemplar em cada biblioteca das universidades com as quais estou envolvida (vai que passeando pelas prateleiras alguém tem interesse no tema, não é? Possibilidade minima também, mas…rs). O fato é que minha dissertação levou dois anos para ser concluída sob a orientação de um ótimo professor, passou pela avaliação de uma excelente banca examinadora para a qualificação e teve aprovação final por uma banca rigorosa. Nesse sentido, não vejo porque achar que meu trabalho é ruim e não merece ser publicado, mesmo que nem uma editora porreta tenha batido na minha porta e me feito sentir o máximo com um convite para publicação. Assim, sem alardes, expus mais um pouco meu trabalho, que é bom mas também só interessa a determinados grupos, como todo trabalho acadêmico. E a NEA se propõe a uma editora de trabalhos acadêmicos (esse tipo de edição é muito comum na Alemanha, onde todos os trabalhos de conclusão de pós doutorado devem ser publicados, com convite de editora ou não, nós é que não temos este costume). E olha, eles deixam bem claro que não vão revisar e nem avaliar conteúdo. Acho que quem tem dúvidas sobre o seu trabalho deveria pensar melhor antes de publicá-lo, temos que ter autonomia também nessas decisões, e isso não tem nada a ver com o modo como a editora trabalha, tem a ver como nosso próprio senso de ética. Se terão trabalhos sem relevância alguma publicados, sim, terão, como em qualquer editora e como em qualquer grande revista também têm. Mas confesso que ainda assim acho importante estas pesquisas serem levadas a publico, porque é criticando-as que o conhecimento caminha e se transforma. Veja, não quis contradizer a sua posição, pois, como disse, entendi bem seu posicionamento e você fundamenta muito bem seus argumentos. O que quis foi trazer a converça pra um ponto de vista diferente. Pra gente pensar melhor. Abraços

    • Simone! Seu comentário é tão bacana que vou reproduzi-lo num post só para ele. Obrigado!

  27. Olha, André, gostei do seu texto por que ele esclarece o que diabos é essa NEA. Mas acredito que a maioria dos autores quando entram nessa, tem quase que consciência plena de que a editora não é grande coisa, e visa não mais do que publicar seu trabalho mesmo, dar a ele alguma visibilidade e, quem sabe, tornar seu futuro mais promissor. Estou prestes a publicar minha dissertação de mestrado com eles e estou achando ótimo, porque o apego que eu tenho a ela é quase nenhum e, finalmente, vou me livrar desse trambolho engavetado, com o qual, aliás, já fiz tudo o que tinha que fazer. É um mestrado. Apesar de ser um trabalho muito bem escrito, não é nenhuma ideia original e outros autores já haviam se debruçado mais ou menos sobre ela. Ah, eles vão levar os direitos autorais sobre o que eu escrevi? Tô nem aí, se precisar, escrevo tudo de novo com outras palavras, me reinvento, pois todo o background que redundou no trabalho final, está comigo, sou eu, e disso eles não tem como se apropriar. Ficar esperando as melhores condições para publicar, ganhar o prêmio Jabuti ou sei lá, é a certeza da espera eterna, ainda mais para um trabalho de mestrado – que é tão somente, pelo menos no meu caso, um treinamento para o doutorado. A NEA te dá mais uma ferramenta de divulgação, de mostrar quem é você, de estar mais visível a quem quer que se interesse pela sua pesquisa. Não há grande coisa aí, mas por que motivo deveria haver? E é pro CV Lattes sim. Qual é o problema? Eles também contabilizam o que quer que seja que vc publique usando a mesmíssima lógica do mercado que essas editoras usam. E para sobreviver como acadêmico hoje é razoável levar isso em conta também. Claro que, como doutoranda, elaborando uma tese realmente original, que já me levou ao Cáucaso russo em uma expedição de etnomusicologia, que hoje me leva a morar na Inglaterra, tenho ambições maiores – mesmo por que quero que esse trabalho de doutorado, quando pronto, alcance um público-alvo e seja prestigiado por sua originalidade. Enfim, minha gente, desapegue-se. É bom. Uma dissertação não é você. E você pode escrever outra quando quiser. Você é muito mais. Publique, sem medo, na editora que for. Como já disse Brecht, se não me engano, o autor é uma ilusão.

    • Luiz, obrigado por esse relato! Acho que você foi a pessoa mais lúcida por aqui. Eu recebi o convite e acho que vou publicar, pois penso exatamente o mesmo que você. Obrigado.

  28. André Marmota, valeu mesmo! Ainda mais essa “marmota” dessa NEA kkkk.
    Tb recebi o e-mail dessa NEA, mas como já havia lido seus comentários, apaguei… Continue com boas intenções…

  29. Oi, André.
    Obrigada por expor essas informações de modo tão bem organizado.
    Recebi o e-mail da NEA, na semana passada, e o que me incomodou, de imediato, foi a desatenção no contato da editora: concordo que o meu nome é incomum, todavia, se o resumo da dissertação fosse lido, saberiam tratar-se de uma autora. Sendo o meu trabalho uma pesquisa sobre relações de gênero, inclusive dentro do espaço acadêmico, não pude ignorar essa confusão.
    Então, foi isso: a formalidade exagerada no e-mail, o total desconhecimento sobre o meu trabalho fizeram-me buscar esclarecimentos sobre a NEA.
    Penso que “jogar o jogo” e publicar, nesses termos, contribui, antes de qualquer coisa, para manter a realidade universitária na forma de disputas (superficiais) nas quais quem tem melhor aparência pode mais. Publicar assim não me interessa.
    Obrigada mais uma vez.

  30. Ficou até agora a pergunta que não consegui resposta, alguém que já publicou algum livro nessa editora teve que gastar quanto? Pois até então só se vê a gratuidade na publicação, acho que o problema não está em publicar e atingir o máximo de público, nem se a publicação vai ou não enriquecer o Lattes, ou se vai render algum dinheiro para o autor, isso é com cada um, para mim o que me preocupa é sim o que eu tenho que gastar de meu bolso que é pouco cheio para não dizer vazio, como muitas ofertas que são veiculadas na net e que só são armadilhas para o seu bolso, os comentários do André, assim como todos os outros comentários sensatos que foram feitos são importantes para formar uma opinião. Desculpem se falo em dinheiro, mas falo, porque não dá para se gastar o que se pouco tem, quanto às outras questões isso é decisão pessoal e depende do ponto de vista de cada um.

    • Edilson, pelas informações da editora, não há qualquer custo para o autor produzir o livro – só se gasta, em princípio, para comprar algumas edições para distribuir ou revender. É em euro, mas tem um desconto.

  31. Caro André!

    Acho no mínimo engraçado como tu reclamas das falácias alheias quando tu desdenhas dos trabalhos alheios no teu post.

    Eu cheguei aqui após receber proposta igual da NEA, querendo saber se essa tal de NEA seria legítima.

    Durante todo o teu texto, tu apenas desqualificas a Editora através de seu modelo de mercado, desqualificando também os trabalhos que ela publica junto com seus autores, como meros “oportunistas”. E, no final, eu fiquei sem resposta objetiva: a NEA é legítima? Ela realmente existe e publica livros, disponibilizando-os mesmo que online?

    A resposta objetiva para ambas é: sim. Tu foste completamente parcial na tua análise, esquecendo completamente o contraponto, apontado por alguns comentários nessa lista.

    Tendo a concordar mais com as boas respostas da Janaína, da Maria Elizabeth, da Luiza e da Mariana. Mesmo sem saber se esses comentários vieram de fontes legítimas ou forjadas.

    Abraços!

    PS: sim, meu email é real.

    • Mauricio, releia o texto. Não há qualquer desqualificação ao modelo, mas explico do que se trata (e ainda faltam links de editoras em outros idiomas, inclusive inglês). Muito menos aos pesquisadores que publicaram por ela (chegou na parte em que cumprimento os colegas pelo trabalho?), apenas questiono a importância desse tipo de publicação.

      Claro que é lícito. Evidente que, qualquer interessado que se sentir entusiasmado em publicar com a NEA, pode fazê-lo e viver feliz. A sensação de “oportunismo” foi toda sua – seu questionamento sobre a legitimidade (você diz que não tem resposta, mas ela é mencionada no texto) demonstra isso. Lamento se tenha ficado com essa impressão.

  32. Obrigado a todos pelas informações. Sou mais um a quem enviaram o tal “e-mail”. Deus me livre de entrar nessa… Ora, que coisa, aparece cada uma na vida da gente… Nada chega de graça… Que esse povo vá buscar outro país para ganhar dinheiro!

  33. Olá André,
    Recebi o convite da NEA semana passada e como desconfiada e curiosa que sou resolvi fuçar bastante na internet e com amigos sobre esse convite. Entendo sua posição e agradeço os esclarecimentos, porém confesso que publicar ou não numa editora assim irá depender dos objetivos pessoais de cada um. Veja o meu caso, terminei a graduação e mestrado faz mais de cinco anos, mas tive vários problemas financeiros e pessoais que me impediram de crescer no meio profissional. Só recentemente voltei a atuar na minha área, mas não necessariamente no que me especializei. Devido aos meus problemas anteriores nunca tive vontade de publicar (perdi literalmente o gosto de atuar na comunidade científica) e muito menos dinheiro para submeter às revistas, pois meu orientador almejava publicar em revistas caras e eu não tinha como arcar nem rachando com ele o preço em dólares. Então deixei pra lá, sinceramente não tenho pretensão nenhuma de publicar mais em revistas, nem as baratas mesmo e nem preciso hoje em dia devido ao meu emprego, mas gostaria sim de aumentar um pouco mais o meu currículo lattes com algo diferente como o livro, pois nunca se sabe o dia de amanhã. Só que, lógico, ter um emprego que não depende de publicações em revistas não quer dizer que ganho bem, então fiquei em dúvida sobre sua resposta ao Edilson em 23/01/15, na qual você explica que em princípio tem que comprar algumas edições para distribuir ou revender. Isso é obrigatório? E mesmo com desconto, você sabe dizer por quanto ficaria essas comprinhas que eu precisaria fazer? Rsrsrs

    • Luane, seu comentário ilustra o que de melhor esse texto traz! Não fui atrás dos valores, mas se procurar por livros da editora na livraria deles (a MoreBooks), verá alguns – e seus preços. Também deixo pra ti a especulação do desconto para autores.

      • A compra não é obrigatória. Só se você quiser ter cópias impressas de seu livro. Se tanto faz, não há razão para comprar. Ou seja, podes dispensar as “comprinhas”, haha! Não sei o valor do desconto, mas eles afirmam que há!

  34. Eu trabalho para o grupo editorial, sobre o qual o senhor escreveu uma crítica e, se me permite, gostaria de esclarecer algumas coisas.
    É verdade que entramos em contato com os autores na esperança que nos permitam publicar os seus trabalhos. Muitos dos próprios autores não acreditam que os seus trabalhos valham a pena ser publicados. No entanto, algures, nalgum ponto do mundo existe alguém que gostaria de ler exatamente este trabalho e estaria disposto a pagar por isso. Nem todo o trabalho científico está disponível de forma gratuita na internet. Mas após a publicação, os nossos autores também podem colocar os seus livros on-line gratuitamente se assim o desejarem. A publicação de excertos dos seus trabalhos em revistas científicas também não representa um problema.

    Para muitos autores, é uma honra, e de certa forma representa a afirmação/satisfação em ter o seu próprio livro publicado. Apesar de toda a sua crítica, por favor, tenha em mente que o nosso serviço é totalmente gratuito. A assistência aos nossos autores, o design do livro e a capa, o armazenamento de dados a longo prazo, ISBN, a venda do livro, tudo isto é gratuito para os nossos autores. Nós somos financiados exclusivamente pelas nossas vendas de livros e oferecemos uma quota-parte dos lucros aos nossos autores.

    Muitas outras editoras cobram aos seus autores grandes somas para publicar os seus trabalhos. São bastante comuns as contribuições de vários milhares de euros para cobrir custos de impressão. Nem todos os autores podem suportar estes valores.

    A publicação de conteúdos da Wikipédia não é ilegal, pois todos os artigos da Wikipédia são de conteúdo aberto. No entanto, há já algum tempo que nos abstemos de publicar conteúdos da Wikipédia, como livros, pois sabemos que isso pode prejudicar a nossa reputação como editora maioritariamente orientada para o universo científico.

    Resumindo: A oferta que fazemos aos nossos autores é justa. A publicação é gratuita e não há custos ocultos nem quantidades de compra mínimas para livros. Aliás, os livros estão disponíveis em todo o mundo graças às nossas redes de distribuição bem desenvolvidas e podem também ser encomendados on-line enquanto que os nossos autores recebem uma quota-parte dos lucros. Além disso, cada autor é livre para continuar a colocar o seu trabalho para download gratuito na internet, se assim o desejar.

    Cumprimentos,
    Julia

    • Julia, muitíssimo obrigado pelo seu tempo dedicado em esclarecer questões. Claro que faltaram outras (como a prática de “sockpuppets”), mas seu comentário, bem como outros, reforçam uma ideia que devo executar logo: um novo texto sobre o assunto. Um abraço!

      • André, quando publicará outro texto sobre o assunto? Estou ansioso pra ter uma conclusão sobre este debate! Você vai voltar atrás de tudo aquilo que falou ou vai apimentá-lo mais ainda?

        • José, está na minha (enorme) lista de tarefas. Mas você já pode pinçar uma conclusão aqui, a partir dos comentários – é o que pretendo fazer, apresentar um painel de questões. Meu posicionamento, por hora, permanece o mesmo.

  35. Gente, também recebi o convite e apesar de ler alguns posts ainda tenho duas dúvidas:
    1- Se eu publicar pelo NEA eu perco os MEUS direitos autorais sobre o meu próprio trabalho?
    2- O ISBN da empresa é válido?
    Se alguém puder me esclarecer eu agradeço!

    • Olá Roberta. Você não perde os direitos. Só terá o trabalho de solicitar à editora autorização para realizar publicações parciais de seu texto, em períódicos, por exemplo. O ISBN é válido!! Se não, não se poderia falar em editora. Eu recebi o convite e acho que vou publicar, pois três dos quatro capítulos mais relevantes (para mim) na dissertação já viraram artigos publicados. Posso ainda tentar publicar o quarto, mesmo tendo o livro publicado pela Novas Edições Acadêmicas. Além disso, a dissertação fica parada em forma física na biblioteca da universidade e em pdf em seu site. Se alguém, ler, ótimo. Mas, o fato é que pouquíssimos se dão o trabalho de pesquisar se existe algo naquele campo… Com a publicação aumenta a chance de alguém se interessar por ela. Além disso, fico pensando se não exageramos no peso da dissertação, preocupados em fazer “ciência” de maneira séria. Acho que somos mesmos pessoas que experimentaram um pouco de pesquisa, compilação de informações e boas citações em um trabalho acadêmico de mestrado que não tem todo esse peso, seja qual for a área em que foi desenvolvido. Qual seria o problema de publicá-lo em uma editora como essa? Será que o critério das outras é realmente tão científico e objetivo quanto imaginamos? Difícil dizer como funciona o mercado de edições, seja ele acadêmico ou não.

      • Frederico, questiono seriamente seu argumento relacionado ao interesse pelo tema caso ela se torne livro. Independente da publicação em forma de livro, o que determina o interesse de quem pesquisa é o tema, não?

        • Andre, a questão não é o interesse, mas a possibilidade de circulação em outros meios e, com isso, ampliação do possível interesse. Ou seja, amplia-se o número de pessoas que pode vir a ter acesso, por acaso, a minha pesquisa. Quantos livros não descobrimos “fuçando” sites de livrarias apenas com um tema vago de pesquisa? Essas pessoas não irão necessariamente investigar o site da biblioteca da UFMG com o mesmo fim.

  36. Foi super importante passar por aqui. Também recebi o tal convite e como a maioria me surpreendi. Cheguei ao ponto de mandar o pdf mas, como a resposta positiva (para publicação) chegou em 5 dias, comecei a buscar referências sobre a nea chegando até aqui. Ler seu texto e todos os comentários me ajudaram a tomar a decisão de não ir em frente. Obrigado.

  37. Agente sofre 2 anos para concluir um trabalho, publica gratuitamente com o interesse de divulgar a pesquisa, vem um palhaço desocupado como esse blogueiro fazendo críticas absurdas. Quer pagar o editorial para a publicação comercial do meu trabalho? Se sim? Manda o teu endereço que eu mando a conta pra tua casa.
    Se não? Vai procurar o que fazer e deixa a vida dos outros de lado.
    O trabalho é meu e eu faço com ele o que bem entendo.

    • Antonio, juro que não entendi seu desabafo. Em qual momento está escrito o que “a gente” deve, obrigatoriamente, fazer com um trabalho? É evidente que a escolha é sua. Caso considere conveniente, aponte o que considera uma “crítica absurda” – é muito mais interessante do que simplesmente desqualificar autores.

  38. Olá Pessoal! Opiniões muito interessantes, Parabéns aos contribuidores.
    Estou conversando com um editor; chama-se Claudio Pereira.
    Recebi a proposta de publicar minha dissertação na íntegra, mas devido às dúvidas em submete-la ou não. Acabo de responder a ele perguntando se posso publicar um extrato da tese, uma vez que ela tem quase 200 pág. Assim eu não comprometeria toda a pesquisa e sim publicaria algum dos resultados.
    Alguém pode opinar? Marmota?
    Obrigado!

    • Oi, Arnaldo! De fato, alguns comentários agregam muito ao debate. Sua ideia é bastante válida! Depois nos diga se a editora aceitou – entendo que não verá problemas. Insisto apenas nas questões relacionadas aos preços do produto final.

  39. Olá a todos!
    Também recebi o e-mail da NEA. Confesso que fiquei balançado pela proposta devido a motivos pessoais. No fundo, aceitar ou não é uma escolha íntima. Os comentários e o texto ajudaram muito. Resta claro que a proposta é lícita, cabendo a cada um definir qual rumo quer dar ao seu próprio trabalho. Eu ainda não me decidi. Mas agradeço imensamente ao André por ter levantado esse assunto e proporcionado essa discussão.

  40. Recebi e fui verificar. Em um blog mencionaram a invalidez dos ISBN.
    Entre na lista de produtos e fui pesquisar eu mesmo números no site. Olhei dois e nenhum tinha registro.
    Não sei se fiz a pesquisa corretamente, já que é uma editora alemã, apesar do ISBN ser internacional.
    Mais alguém testou assim?

  41. Boa tarde gente. Alguém tb já viu esse “probleminha” acontecer e pode me ajudar? Eu recebi o convite da NEA e estou decidida a publicar minha dissertação de mestrado. Ocorre que falando com meu orientador, ele não tem interesse que o nome dele conste como coautor e me pareceu que é contra a publicação do livro, pq me disse que sem a coautoria dele eu não posso publicar. Sério isso gente? A dissertação de mestrado não é individual e se não o fosse isso não invalidaria a obtenção do título? Concordo que um artigo, uma apresentação de trabalho, etc tenham q trazer o nome do orientador e outros colaboradores como coautores, porém a minha publicação na NEA seria a cópia exata da dissertação. É confuso dizer que meu orientador não é o coautor de minha dissertação de mestrado, porém quer ser coautor da reprodução fiel da dissertação. Estou com receio de ir sozinha em frente com isso e no futuro ser penalizada judicialmente. A Marcela, funcionária da NEA, não soube me responder essa minha dúvida. Vocês que são pesquisadores tb, ajudem me? Abraço!

    • Carol ou Cintia (?), não posso generalizar. As relações entre orientadores e alunos não segue uma regra. Se tiver abertura, sugiro conversar com tranquilidade, entender exatamente o que está pegando. Mas, em princípio, o orientador não é coautor, apenas… Orientador! O texto, dessa forma, é seu, cabendo exclusivamente a ti decidir se publica o livro ou não, dentro das condições oferecidas.

  42. Eu também fui convidada e fiquei até emocionada em saber que a minha tese despertou interesse em ser publicada em formato de livro. Aí parei e pensei; estou numa luta ferrenha para publicar meu trabalho em formato de artigos científicos em revistas renomadas e de repente uma editora “internacional” se interessa em publicar o meu trabalho “de graça” e sem nenhuma correção??? Ahhh! Desconfiei na hora, procurei mais opiniões na net e cheguei aqui. Concordo plenamente com o que foi exposto e acho que temos que alertar aos nossos amigos pesquisadores a ficarem mais atentos a essas propostas tentadoras.

    • Exato, Mônica! Foi exatamente o que pensei. Basta que eu o encaixe na abnt (oi?) e pronto, publicado. Estranho, temeroso. Uma oferta que dá muito orgulho, mas ao cavar um pouco mais fundo achamos uma carcaça.

  43. Recebi, faz 10min, um email ‘convite’ pra publicar o meu trabalho de pós-doutorado…praticamente todo ele foi publicado via artigos em periódicos internacionais…acho que vou recusar essa NEA…parece picaretagem! Eu não publicaria o trabalho idêntico, mas, acrescentaria algo original…prefiro novos artigos em outros periódicos

  44. Recebi o e-mail e instantaneamente pensei “oh, que alegria!”. Assim como você, André, também acho que meu trabalho não é tão grandioso a ponto de merecer publicação, ainda mais sem ajustes (falhas que eu mesma reconheço). De fato estou buscando opiniões para tomar uma decisão, que até agora me parece não publicar nada.
    Pode não ser a melhor, mas é minha. Estaria eu disposta a ceder um trabalho que me fez perder tanto tempo para me enquadrar ao “homo lattes”?
    Li diversas outras postagens da Índia, Espanha, Suécia e etc onde as pessoas questionam muito a editora e a maneira. O catálogo deles é imenso e, de repente, publicar nessas vias pode se transformar numa futura desvantagem no currículo.
    Lendo seu texto e os comentários da maioria aqui continuo na postura de não publicar. Obrigada pela ajuda!

    • Maíra, “homo lattes” é a melhor definição para os partidários do “sim” – sem nenhum demérito, mas abre uma discussão sobre critérios.

  45. Pois é, eu já tinha até carregado o pdf quando li o post. De fato, a situação é muito bizarra! Estava decidido a enviar para ter uma publicação (pensando de forma totalmente pragmatica). Mas acho que vou desistir. Boa parte da minha dissertação já virou artigos publicados em periódicos e capítulos de livros. Creio que no futuro vire “queimação” um livro publicado pela NEA.

  46. A leitura do comentário original e dos derivados muito me ajudou a clarear o pensamento. Feito isso, tomei minha conclusões e perguntei ao editor, sob a seguinte ponderação: […] haveria a possibilidade de não publicar a dissertação como está, mas um extrato e atualização dela, há essa possibilidade, inclusive com mudança de título? Pergunto isso porque considero suficiente o fato de a dissertação estar disponível pela internet e porque gostaria de compartilhar os avanços mais recentes do meu pensamento […]. No caso de receber uma afirmativa penso que a publicação do livro valoriza a pesquisa que realizei há algum tempo, diferindo dela no sentido de acréscimo de ingredientes, e, ao mesmo tempo, faz ampliar a possibilidade de discussão em torno do tema que propus. Então, porque não publicar?
    Claudio.

  47. A respeito do meu comentário anterior vejam só, o editor aceitou. Assim, se tudo caminhar bem, não terei a dissertação (re)publicada, mas um novo material. Não fosse a leitura desse blog não teria chegado a esse termo que me deixa satisfeito.
    Claudio

  48. Olá pessoal, só pra deixar meus 2cents… Entendo e é tentador o convite a publicar. Mas a publicação sem um corpo editorial com profissionais de sua área que revise/aceite o seu trabalho pode realmente ser perigoso. Há debates sérios dentro da CAPES a respeito das editoras que publicam livros dessa maneira, o que ocorre também com diversas revistas científicas que agem de forma semelhante e há uma corrente que luta por não incluir, por exemplo, tais revistas no Qualis (e, obviamente, excluir as que lá já estão).
    Entretanto, entendo porque as pessoas citadas pelo texto do blog se sentiram desrespeitadas… acredito mesmo André (da mesma forma que também acredito que não tenha sido tua intenção), que, ao ler o texto que obviamente coloca dúvidas sobre a editora, ao citar os autores e seus trabalhos, é possível ler tal parte com certo sarcasmo ou ironia. Talvez você pudesse repensar acerca disso. Um abraço a todos e que o debate continue de forma impessoal e respeitosa, pois ele é muito importante e salutar para todos nós, tanto os mais envolvidos quanto à população que deve, realmente, ter o retorno de nossas pesquisas e a publicação de nossos resultados é de interesse geral.

    • Marcio, agradeço imensamente! Não tinha o intuito de ser irônico, apenas reproduzi linhas divulgadas publicamente por releases de algumas IES. Obviamente, esperava argumentos que fossem além do “publiquei na Alemanha”, que apesar de correto, está bem longe de ser relevante. Senti que os autores não se ofenderam pelo teor do texto, mas pela inércia mental da acomodação. E que venham os debates! Um grande abraço!

  49. Eu também recebi este email da NEA, enviei o PDF da minha dissertação e agora recebi outro e-mail pedindo minha autorização para a publicação. Confesso que achei tudo muito fácil, tentador e rápido, porém lendo alguns relatos e opiniões aqui neste blog fiquei na dúvida, afinal é uma publicação em livro, apesar de a minha pesquisa estar disponível no site da universidade, eu vejo vantagens na publicação em livros de capa dura, só fico preocupado com a venda dos direitos autorais (os tais 20% de uso apenas).

  50. Prezados, acho importante o debate. Um espaço que provoca reflexões. Contudo, entendo precipitado o Marmota colocar comentários negativos a partir de opinião pessoal e não de fatos. Até o momento não conheço alguém que foi prejudicado ou trapaceado pela editora em questão. Me causou espanto as pessoas reprovarem a formalidade dos e-mail. Sim, eles são estrangeiros, lá é comum e cultural ser formal. Qual o problema? Isso não é critério para desconfiar da editora. Entendo ser ótima oportunidade para publicação e não é pecado desejar um livro. Senti certa censura em querer transformar a tese em livro. O único “problema” que vejo é a não garantia de venda, talvez também em função do preço. Mas, isso faz parte em qualquer publicação por qualquer editora. Fiquei com uma dúvida, a publicação é em português? Em caso positivo restringe as possibilidades de venda. E ganhar um percentual em cima disso não é demérito, ao contrário, é justo reconhecimento pela dedicação e seriedade dedicados ao trabalho acadêmico. Vamos aposentar a ideia de que pesquisador precisa “passar fome”. Ah! Ter os direitos autorais “confiscados” é justo, afinal estão investindo para publicar seu trabalho e se ele for encontrado por ai, como o livro será vendido?! Penso que qualquer editora iria solicitar isso. Ou alguém já viu livros da Saraiva, ou qualquer outra, ser publicado em periódicos? Ou uma coisa ou outra. Abraços.

    • Anna, está referindo aos comentários de outros leitores feitos ao texto, direcionados de modo pessoal? Acredito que mantê-los sirva como estímulo a visitantes como você, que procurem dialogar. Sobre sua dúvida: sim, a publicação é feita em português.

  51. Exponho aqui 2 pontos opostos principais q me vieram em mente. 1o o alto custo exigido p se publicar em meios renomados. 2o a falta de uma revisão confiável q acaba agravando ainda mais os criterios deficientes de contagem de publicacao da CAPES. Mas deficiente por ser um problema dificil de se resolver msm. Ja agradeco essa discussao como um todo, q me permitiu ver q a escolha realmente depende de cada um, e n acho q opinioes radicais caibam aqui. Consigo até ver essas publicacoes sem rejeicoes como um incentivo a CAPES p melhorar cada vez mais seu metodo de contagem. Inclusive, uma possivel exclusao futura da NEA do Qualis, razoavel na minha opiniao pela falta de rejeicoes, n deveria ser associada a denegrir os trabalhos ja publicados. Além disso, essas publicacoes podem tbm ser um incentivo p q os meios renomados baixem seus preços! Qnt a NEA, associa-la a picaretagem é realmente ser muito duro e radical! Será q a ideia dela e de outras semelhantes poderia ate conseguir ser publicada como artigo em algum meio renomado? Ja pensou na contradicao? Embora eu esteja tentando ser imparcial, acho importante as opinioes parciais, só n concordo c as radicais.

  52. Uma reflexão talvez interessante: gostei do q vc escreveu, André, mas ler todos os comentarios dos seus leitores enriqueceu ainda mais minha opiniao sobre o tema! Só q, por mais q eu tenha gostado de varios dos comentarios, só consigo lembrar do seu nome. Eu acabaria associando o mérito/crédito do q absorvi a vc. Será q algum de seus leitores radicais poderia interpretar q vc ta fazendo algo parecido com a NEA, onde os seus leitores q resolveram comentar, inclusive eu neste caso, seriamos correspondentes aos autores q aceitaram publicar c a NEA? P deixar claro, estou so tentando mostrar q é complicado julgar a NEA como picareta. Desculpa antecipadamente te usar no argumento, eheh. Ate pq tem a diferença fundamental q dinheiro n está envolvido no seu caso. Meu objetivo aqui de novo é só tentar desmotivar opiniões radicais. Entendi inclusive q vc demonstrou o msm objetivo nas suas respostas.

    • Rubens, fiquei sem entender o uso do termo “picaretagem” em seus comentários. Por favor, aponte algum trecho do texto (ou mesmo em minhas respostas) onde faço algum julgamento.

      • Desculpe se n deixei claro… mas estava me referindo aos comentarios radicais q li, n do seu texto. Como falei, gostei tanto do seu texto qnt das suas respostas aos comentarios.

      • Resumindo, msm eu atribuindo o merito de todos os bons comentarios a vc, de forma nenhuma eu acharia vc picareta por isso. Usei isso como exemplo p dizer p quem julgou a NEA picareta q se pode tentar interpreta-la com boas intenções de dar abertura p q pessoas divulguem suas ideias mais facil. Beneficiar-se de alguma forma disso n necessariamente é sinal de picaretagem.

  53. Publicar um trabalho é possibilitar que outros autores com idéias, projetos ou pesquisas semelhantes, muitas vezes (ou quase sempre) solitários, tenham acesso a novos posicionamentos com relação ao tema. Publicar um trabalho, seja com as dificuldades ou facilidades comuns em nosso meio editorial e/ou acadêmico, é expandir suas idéias e ampliar um conhecimento além das laterais da gaveta de uma escrivaninha de uma sala em uma universidade qualquer…Decidi que vou publicar o meu trabalho conforme foi ofertado pela editora, e possibilitar que outros pesquisadores saibam o que eu estou pensando sobre esse mundo.

    • Sabe que dá para fazer o mesmo conpartilhando seus trabalhos por meio do Research Gate ou o Academia.edu, não?

  54. Recebi o e-mail ontem também da NEA. Analisando os fatos acredito que não vale a pena perder meu direito autoral em cima de um trabalho que foi feito por mim e que deu muito TRABALHO mesmo. Também acho válido não deixarmos engavetadas nossas pesquisas. Para isso cabe a nós publicarmos em periódicos, eles sim com corpo editorial substancial e que podem nos apontar algumas falhas ou sugestões. Obrigada pelas informações esclarecedoras do BLOG. Na dúvida gente, corra atrás e pesquise!!!

  55. Vejo aqui um nicho de mercado. Isso americanos ótimos. Tenho um trabalho de mestrado e doutorado, porque não divulgar esse trabalho através se um livro, mesmo pagando pouco e sendo divulgado na mídia internacional, isso e marketing, estou divulgando meu conhecimento, meu trabalho e abrir novas portas e dar meios de continuar meu trabalho. Quanto a questão de patentes e etc isso e caro ai entra o governo em parceria no seu trabalho, ai o governo e ausente, tem que atuar mais.. enquanto o pais pensar pequeno seremos pequeno, não adiantar ficar falando que NEA e ruim ou bom, o fato e que existe e eles ganham, criamos um NEA Brasil e pronto. Será isso o ideal ?

  56. Acabei de receber um email/convite da NEA para publicação da minha dissertação. Tendo lido todos os comentários, questiono: qual seria a verdadeira vantagem de tal publicação? Senti certo orgulho em pensar que meu trabalho possa ter maior alcance. Gosto da ideia de poder compartilhar meu conhecimento e me senti um tanto envaidecida ao ter sido procurada… Mas quem irá comprar um livro caro, quando pode simplesmente baixá-lo da net? Vaidade minha… Ou alguém poderia sugerir que outras vantagens eu teria com essa publicação?

  57. Estava lendo os comentários e pensando… Algumas pessoas acham tão legal ter os seus trabalhos divulgados na ‘mídia internacional’ mas se estes trabalhos estão escritos na língua portuguesa, só quem sabe português e, além disso tem interesse no assunto, pode vir a se interessar em comprar o livro… Se tal pessoa for brasileira, acredito que vai fazer uma pesquisa melhor na internet e achar o trabalho disponível no site da universidade em que a autor apresentou este. Não acredito que alguém lá na Alemanha vai estar interessado em comprar um livro em português para ainda ter que traduzir sendo que provavelmente poderá se achar vários trabalhos já publicados sobre o assunto em inglês. Será que estou falando besteira? Achei esquisito isso…

  58. Somente algumas ponderações sobre a NEA. Na verdade, a sede da NEA para Brasil e América Latina está situada no Uruguai. É de lá que parte o trabalho de busca nos bancos de teses das Universidades sobre os trabalhos. Conversando com essa pessoa, ela disse que os editores ganham pela quantidade de livros que conseguem vender para o autor, uma vez que a grande maioria das vendas são realizadas para estes. Um dos problemas que a NEA encontra é o fato de não ter conselho editorial, o que acaba por não ser considerado por muitas universidades como uma publicação válida. Outro ponto é que Paula Carvalho não é uma pessoa, mas um codinome que é utilizado para se fazer contato, pois se um editor sair e outro entrar, a figura de contato fica a mesma, tanto é que no perfil dela no face reparem que não há nada de pessoal

    • Jose, bastante esclarecedor. Faz sentido, pois apenas com uma estrutura enxuta a operação vale a pena.

  59. Recebi o convite da NEA hoje, 23.06.2015. Corri ao google e me deparo com essa longa discussão. Que legal! Tão díspares são as opiniões, mas todas embasados em situações particulares. Em assim sendo, vou aceitar o convite sim. Se não tenho a ganhar, a perder também não. Afinal, meu caso é super-hiper-especial. Valeu turma!!!

  60. Uma dissertação de mestrado publicada por uma editora que publica dissertações de mestrado… não me parece tão má ideia. O alto custo final realmente é um problema, mas este é um problema enfrentado por qualquer publicação com pouca demanda.

  61. Bom dia!

    Recebi este e-mail abaixo, pelo jeito, segue a mesma linha do que você comenta:
    “Ref#:81575
    Dear Scholar,

    Invitation To Submit Research Papers

    You are invited to submit your unpublished research work/manuscript/paper anytme in M.S. Word/PDF format in the following field: Social Sciences, Humanities, Management, Engineering & Technology, Medicine & Medical Sciences, Education, Sciences, Development Studies etc.

    Submit your research papers and all enquiries to the reply to email address for swift response..
    Regards,

    Publisher |Intl. Research Publisher”

    Pesquisei, encontrei esta página: http://researchpub.org/

  62. Bom, dia! Eu também acabei de receber um e-mail desta editora para publicar minha dissertação de mestrado, e, como um bom mineiro, desconfiado que sou, estranhei o fato e fui verificar a procedência da informação. Como muitos colegas apontaram, se o trabalho já está publicado em um site de uma universidade de renome, por que haveria necessidade de publicação em livro? Talvez pela vantagem de der um nome em livro? Mas seria isto ciência? Se o próprio Kafka e muitos outros grandes autores tentar evitar a publicação de seus livros? Outro colega apontou muito bem que nosso trabalho foi financiado pela sociedade, e como forma de gratidão, a publicação no site da universidade ou mesmo na biblioteca já é uma forma de devolução daquele investimento que nos foi dado. É melhor merecer um título e não recebê-lo a recebê-lo sem merecê-lo. Grato a todos os comentários e às informações preciosas.

  63. Boa noite.

    Recebi o mesmo email que aparentemente todos aqui. Gostei da discussão e, mais especificamente, dos comentários mais moderados. Como disse Renato Janine recentemente, “precisamos ser menos apaixonados nos dias de hoje”. Pelo fato de estarmos supostamente “ocultos” pela tela dos nossos monitores, acabamos por trocar farpas (e, às vezes, até ofensas) sem acrescentar nada a discussão.

    Fui em frente com o convite feito pela NEA e está próximo de ser publicada a minha dissertação, realmente sem custo e sem obrigação de aquisição de exemplares, prática bastante adotada por muitas editoras “renomadas” por aí.

    Gostaria de deixar um pequeno desabafo: se seu trabalho foi revisado pela banca e hoje consta no acervo da biblioteca da Universidade, o que há a temer? Na minha terra diriam que “quem deve, teme!”.

    Creio, em minha imensa ignorância, que um ponto chave de toda essa discussão são os tais “critérios da CAPES”.
    Infelizmente não vivemos no país das qualidades, mas no das quantidades, sejam elas pequenas ou grandes, positivas ou negativas; e se não jogarmos conforme as regras, ficamos de fora. Por infelicidade também a CAPES e muitos avaliadores por aí levam em consideração a extensão de seu currículo lattes e não a densidade que ele têm. Se um indivíduo fez:
    – graduação em uma área;
    – mestrado em outra (não relacionada);
    – e doutorado em outra (não relacionada as primeiras e sem importância alguma);
    Que legaaalll! O que interessa é que ele é “Doutor” e isso conta na avaliação da nossa universidade (pra não dizer que isso é lei para as federais já faz algum tempo).

    Como as poucas lembranças que as pessoas têm do Brasil (nós mesmos, inclusive) é “futebol”, “praias” e “bunda”, esquecidos estamos e assim permaneceremos.

    Fico na esperança de que algum dia isso mude.

    • Junior, a esperança é nossa (e conheço alguns casos como os descritos por ti, mas que realmente refletem por uma trajetória interdisciplinar).

  64. Boa noite André,
    Parabéns pela iniciativa de provocar esse debate, ele nos remete a uma boa reflexão sobre o assunto.

    Lendo a discussão acima, me parece que a proposta da NEA é lícita e que não se trata de nenhum “golpe”, pois existem aqui relatos de publicação com sucesso e nenhum relato de editores “prejudicados”, mesmo após quase um ano de discussão. Nesse contexto, gostaria de acrescentar ao debate um link da NEA com mais informações sobre a proposta (https://www.omniscriptum.com/i/novas-edicoes-academicas/).

    • Marcus, agradeço a sua contribuição. Seguramente, não há nenhum problema por trás da NEA. De fato, não há nenhum “prejudicado”: os visitantes dividem-se entre “não vou fazer”, “não vejo mal em fazer” e “fiz, ok”. Cada grupo bem feliz com o seu discurso.

  65. Parabéns pela coragem de externar nosso sentimento de indignação com a máquina comercial que vem atropelando o bom senso acadêmico. Já havia recebido um convite da LAP e ao investigar descobri o que havia por traz da coisa. Daí descobri a tal NEA ao encontrar um livro de uma tese que também havia encontrado na net. Procurando mais um pouco descobri tudo, além deste riquíssimo texto pelo qual parabenizo novamente.
    Por fim uma pergunta que você poderia fazer a estes tantos que se orgulham em ter um “livro” publicado desta forma: De que adianta a editora ser alemã se o livro está escrito em português? Quantos cidadãos germânicos irão conseguir lê-lo?

  66. É claro que quando recebi o convite, num primeiro momento fiquei lisonjeada, afinal uma “editora” se interessou pelos meus artigos acadêmicos sem eu ter que ir lá pedir qualquer coisa. Pedi informações, e achei muito estranho quererem publicar meu trabalho sem eu ter que desembolsar NADA. Comecei a pesquisar na Internet e agradeço pelo seu texto, pois foi necessário para minha decisão em NÃO publicar na Alemanha!

  67. Excelente discussão. Publiquei minha tese pela NEA e, após essa publicação recebi de outras editoras convite para publicar o mesmo trabalho. Pergunto esse livro pode ser publicado por outra editora?

    • Imagino que, por conta dos termos contratuais da NEA, não me parece uma boa ideia republicar o mesmo trabalho em outras editoras.

  68. Parabéns André! Você possibilitou uma discussão bem interessante! Estou aqui lendo há horas… Para mim ficou bem claro, os prós, e os contras, desta forma de publicação! Obrigada! Abraço!

  69. Eu publiquei meu trabalho. No meu caso, meu trabalho não está disponível em nenhuma base de dados on-line. Estava parado, já tem mais de dez anos. Publiquei, não me arrependo. Virou uma linha a mais no meu currículo, numa carreira em que atualmente atuo pouco e, se rolar algum caraminguá ano que vem, saí no lucro.
    Mas cada caso é um caso. A crítica aqui no blog está muito bem escrita, mas cada caso é um caso e cada um deve avaliar se vale a pena ou não.

  70. Amigos, o que eles fazem é o mesmo que o Clube de Autores, com a diferença que você continua o dono de sua obra, você é quem diz o quanto deseja receber pela venda e pode retirar da venda quando bem entender. Eles ganham com os livros que vendem para os próprios autores e não com os que vendem para o público. É a utilização do que o Clube de autores faz, só que numa escala muito, mas muito menor. Essa coisa de venda internacional é somente para atrair, aproveitam-se do ego das pessoas. Também recebi um desse email. Fiquei foi rindo da esperteza deles. Tchau.

  71. Olá André! Gostaria de parabenizá-lo pelo texto e principalmente na sua educação, clareza e simpatia nos comentários a todos que escreveram falando do texto. Confesso que agora estou mais confusa do que antes. Ao ler todos os comentários ponderei entre os mais esclarecidos entre a favor e contra, e consigo visualizar pontos positivos e negativos. No meu caso, pensarei mais nesses pontos e tomarei a decisão (acertada espero) sobre publicar ou não. Meu comentário não acrescenta em nada em relação aos que buscam informações, mas gostaria de deixar registrado meus parabéns!

  72. Então, recebi o convite para enviar minha tese, e a principio pensei ser da Universidade… enviei o arquivo em pdf, e dias depois veio a resposta que meu trabalho foi selecionado para publicação… Agora lendo os comentários fiquei super preocupado, pois enviei o arquivo e tomando agora pé da situação, acho melhor não prosseguir com a proposta… Pergunto: Alguém sabe o risco de eles utilizarem o texto da tese de forma desleal e covarde publicando sem a autorização do autor?

    • Ricardo, não se preocupe: sem a sua aprovação, mesmo com a aprovação, não há nenhuma chance. A publicação só ocorre mediante contrato. Abraços!

      • Andre, o que vc sugere?
        Caí no conto e mandei o trabalho para “publicação”. O que eu faço agora?

        • Karina, muitos dos usuários que chegam aqui e relatam publicação parecen felizes. Acredito que não há problemas. Não tenho ideia se é possível desfazer a operação.

  73. Olá André Marmota. Obrigada pelo texto e pelos comentários. Como você, procurei informações sobre a NEA, e como foi pontuado, encontrei os mesmos dados. Fiquei na dúvida, e ainda estou, se devo ou não publicar minha dissertação. Como você mesmo coloca, ficamos numa situação delicada. No meu caso, foram 2 anos de muito trabalho e pesquisa constantes, ainda mais se tratando do estudo da minha própria produção artística. Adoraria ver minha pesquisa alcançando outros pesquisadores e artistas, auxiliando-os de alguma maneira, porém, fico com receio de fornecer a mesma pesquisa num formato que não foi o inicialmente planejado em minha dissertação e de ficar apenas num banco de dados de uma editora da Alemanha. Questiono-me sobre essa acessibilidade. Fornecendo meu texto para a NEA que público eu atinjo? Cheguei a perguntar, por e-mail, como chegaram até mim e quais eram os critérios de avaliação, para entender com que intuito escolheram minha dissertação, se eles tinham algum tipo de levantamento de dados sobre os assuntos e temas mais procurados pelo público interessado, infelizmente, não me responderam. Que dúvida. Talvez seja preciosismo da minha parte por “supervalorizar” minha pesquisa, talvez seja insegurança por achar que essa pesquisa não seja “boa” o suficiente para ser publicada, ou talvez seja precaução, pois outras editoras, até mesmo brasileiras, poderão se interessar, e assim, quem sabe eu consiga atingir o público certo, no lugar e na hora certos. Abraço.

  74. Putz, to me sentindo muito estúpido no momento. Desconfiei desde o começo desse negócio. Mas, como não tinha muitos planos de publicar a dissertação de outra forma, segui em frente com o acordo, pensando somente no maldito Lattes. Na hora que recebi o e-mail com os preços, comecei a rir. Daí fui pesquisar mais a fundo esse negócio…

    Alguém sabe se tem outros riscos nesse golpe, além desse fato de merda de eu ter cedido os direitos de publicação pra eles?

    • João, não acho que tenha sido um “golpe”, seu livro existe mesmo. De toda forma, entendo que a decisão final pudesse ter sido tomada após uma avaliação criteriosa.

  75. Olá
    Recebi o email da NEA semana passada e hoje enviei o texto em pdf com mapas que produzi para eles avaliarem…no começo achei estranho mesmo, como todos acharam em seus comentários…depois de pesquisar achei a ideia atraente, pois ea iria ficar na base de dados da USP mesmo, a diferença é que os mapas não estão anexados. Agora lendo os comentários, fiquei na dúvida, mesmo sabendo que não vou usar mais os dados em outra pesquisa, pois o que fiz morreu ali, não tinha para onde ir mais, a não ser a metodologia de mapeamento que pode ser replicada.
    Quanto ao ganho financeiro sobre isso desconheço, pois não recebi o aval deles. O que acontece depois que eles se interessam pelo trabalho?

    • Diego, basicamente seu trabalho entra na base de dados da(s) editora(s), composta por alguns milhares de títulos. Para a empresa, a ideia é excelente: mesmo que cada um venda algumas dezenas, há lucro. Um abraço!

  76. Olá André!
    Mas o autor chega a ganhar algo, caso vende um livro ou outro? Como minha pesquisa não foi nada demais pensei que não haveria problema, diferente dos colegas acima que possuem metodologias mais interessantes, a minha não teria tanto impacto assim e por outro lado como meu lattes ainda não é lá essas coisas, poderia ressaltar um pouco ele, enfim…Há outras implicações mais sérias, além destas?

    • Diego, não entendi seu ponto. Pelo que percebi, seu trabalho é “menos interessante” e um livro dele “ressaltaria o Lattes”. Mas estes são aspectos secundários da discussão: entendo que publicar ou não corresponde a outros valores, a própria relevância desta prática.

  77. …É verdade…. faz sentido…li o contrato deles eu cedo os direitos e nem posso publica direito como artigo em uma revista eletrônica por exemploe tenho eu que formatar o negócio ainda…bom, obrigado pelo toque!

  78. O autor de um estudo específico deve publicar seu estudo em um periódico da área de preferência Qualis A1. Feito isto, publicar a tese na íntegra como livro é vantagem não havendo riscos. O contrário não se aplica, pois é desvantagem!

    • Fabiano, se puder, gostaria que explicasse melhor quando diz que “publicar a tese é vantagem” – não vi relação entre e ssa afirmação e a publicação de artigos em revistas com estrato elevado.

  79. André, pense na hipótese em um estudo importante na forma de tese escrito a 5 anos. Os resultados principais do estudo foi publicado em uma revista Qualis A1. Como disse, os principais resultados, como é sabido, as revistas científicas não permitem na maioria das vezes publicarmos e/ou discutirmos todos os achados pesquisados em uma tese, alegando altos custos. Neste sentido, a publicação da tese como a NEA e outros grupos editoriais o fazem não trazem qualquer prejuízo para o autor. Eu tive 2 experiências positivas neste sentido, pois, comercializei os estudos na forma de livros e, tive lucros; se os estudos estivessem em estantes de bibliotecas ou no formato digital, certamente, não teria vendido as obras. É isto, espero ter sido melhor entendido.

    • Sempre me posicionei contra o produtivismo acadêmico e não vai ser hoje que ele vai pegar.
      Quer meu trabalho? Venha falar comigo, sem mala direta, e mostre que acreditou nele!

    • Como você lucrou com um livro do NEA que custa um absurdo? Eles te pagarm royaties? Nunca achei ninguém que tenha recebido royalties o preço é absurdo para uma obra disponível online na maioria das vezes, só quem comprar são os próprios autores, acaba saindo do bolso do autor. Acho ótimo ser tudo de graça, mas isso não paga as contas no fim do mês de quem precisa pagar as contas :p

  80. O mesmo aconteceu comigo hoje. Recebi esse tal email, que de início achei tentador. Daí, fui buscar informações sobre a tal editora na net, e eis que me deparei com o conteúdo do blog Marmota, que por sinal é de extrema relevância. Ah, a minha dissertação já está no prelo para ser publica em livro. Faltam apenas alguns detalhes. Obrigado pelos esclarecimentos.

  81. Bom, eu caí no conto do vigário, e é bom que eu comente para alertar vocês. No contrato existe uma cláusula que indica que se as vendas do título foram abaixo de 50 cópias em 1 ano, a editora pode suspender a produção e devolver o direito de reprodução e publicação da obra ao autor. Ao custo de 65 euros, minha dissertação sobre telejornalismo e vídeos amadores – um tema bastante específico -, obviamente não venderia se eu não divulgasse. Após inúmeras tentativas de me fazer comprar cópias com desconto do meu próprio livro, eu resisti e esperei o ano passar. Agora, entrei em contato conclamando a tal cláusula onde recebo como resposta um e-mail com texto simpático falando sobre a impossibilidade de me devolver os direitos de publicação “em consideração aos outros autores”. Por fim, me ofereceram comprar grandes quantidades do meu próprio livro com 75% de desconto. Estágio da discussão – nem vou mencionar meu extremo desgosto, frustração e estado de depressão depois dessa -, mas, estou procurando um advogado especializado em direito autoral internacional – embora ache que não consiga pagar por um. Outra opção seria pagar a taxa de 700 euros para suspender a “publicação” e ter de volta meu direito de publicar o livro por outras editoras. Resumido, corram para as colinas. É GOLPE FORTE!

    • Mas o que vai acontecer se você publicar em outra lugar? Eles não tem como te processar porque eles estão errados, está no contrato. Eles publicam tantos livros que não tem tempo de processar quem infringir o contrato, não acredito que valha a pena para eles gastarem dinheiro com advogado para isso.

  82. Eu fiz o Inverso, recebi o convite, avaliei e aceitei. Já passei pelas etapas de aprovação e agora enviaram um Email, com a sugestão de adquirir exemplares a custo mais baixo. Tentador. Mas não me arrependo de ter aceito o convite. Quando tudo estiver concluído volto o posto outro comentário. Abraços!

  83. Olá, André! Seu texto também me deixou “mais confusa”, rs. Recebi o famigerado email e cheguei a aceitar a proposta, assinando o contrato, mas quando vi o valor de cada exemplar, quase caí de costas. Agora estou vendo a possibilidade de cancelar o contrato antes da publicação final do livro, mas, caso haja alguma cobrança por isso, terei de aceitar que caí no conto do vigário. Também acredito que seja vantajoso para quem não tem esperanças de ver seu trabalho publicado de outra maneira garantir um ISBN e uma linha a mais no “homo lattes”, apesar de não ter conseguido consultar a validade do ISBN de nenhuma das obras da NEA em qualquer método de consulta. Aos colegas que têm suas obras publicadas, faço um questionamento: essa publicação serviu de fato para comprovar que vocês têm um livro com ISBN? André, você conhece algum método de consulta dessas obras que garanta sua validade? No mais, parabéns pela discussão!

  84. Colegas,

    Defendi meu doutorado no longínquo ano de 1999, no Departamento de Filosofia da Unicamp. O nome da tese é “Normalização Forte via Ordinal Natural”. É um monstrengo de 400 páginas em que 80% mais ou menos são chatíssimas demonstrações de teoremas. É um trabalho acadêmico do qual me orgulho, que tomou MUITO de meu tempo, mas não tem NENHUM interesse editorial. É um trabalho de lógica, teoria da prova, e é técnico e extremamente especializado. Apresenta um problema MUITO difícil e o soluciona passo a passo. A solução é MUITO longa e tediosa, e são os passos formais e simbólicos desta solução que tomam quase todas as 400 páginas de minha tese. Ela está disponível online na base de teses da Unicamp (), na Academia.edu () e na minha página pessoal (). Pronto, está circulando. Não preciso vender os direitos autorais de minha tese para editora nenhuma para fazer meu trabalho circular. Também recebi o convite em um e-mail que afirmava o interesse editorial de meu trabalho. Quase caí no chão de tanto rir. Interesse editorial? A minha tese certamente não tem. Se vocês quiserem fazer seus trabalhos circular, se quiserem um ISBN e uma linha a mais em seus Lattes, então publiquem on-line. É muito fácil e barato conseguir um selo de editor independente, um ISBN e pronto. Publiquem on-line e disponibilizem na rede gratuitamente.

    Saudações,
    Daniel.

  85. Eu também recebi um e-mail da NEA para publicação, vi os comentários aqui de vocês. Entretanto, o e-mail que eu recebi deles é para publicar minha monografia (tcc). O que vocês acham? Por ser uma monografia, acham que valeria a pena? Só lembrando que eu não usarei mais minha monografia para produção acadêmica, então publicando ela nessa editora ou nada, o que vocês me sugerem?

    Agradeço a atenção,
    Rodrigo.

  86. A Editora proporciona uma boa opção de AUTO-EDIÇÃO. Isso me preocupa um pouco. Li praticamente todos as conversas, tentando encontrar o critério seletivo de busca da Editora (título, área, inovação, número de buscas na internet da publicação, etc.)… Não consegui identificar. Alguém sabe? A aleatoriedade me deixa incomodado, apesar de que pode ser uma ferramenta de divulgação da empresa. Não li ninguém postar que o seu trabalho foi recusado, ou que precisa de tais e tais ajustes.
    Parece inteligente a proposta da “Novas Edições Acadêmicas”. O sucesso empresarial dela (Alemães!) está no inesperado sucesso publicitário de alguns e forte amarração contratual (LERAM TODO O CONTRATO???). São 8 ANOS de direitos (prorrogáveis mais 2) e para quem tem interesse em publicar achei importante o seguinte: “3. O AUTOR GARANTE – 3.5. …OBTEVE PREVIAMENTE AS RESPECTIVAS AUTORIZAÇÕES DAS PESSOAS E/OU INSTITUIÇÕES MENCIONADAS.” Alguém que publicou solicitou autorização para Universidade? Ou para o Orientador, ou mesmo para instituição financiadora da pesquisa? Talvez aí seja a segunda sacada: Detenção de direitos contratuais amarrados pela Editora permite a expansão em um nicho maravilhoso de mercado editorial que são os programas de pesquisa cientifica nas universidades. Se der certo a empresa AUTO-EDITORA, aproveitando-se da descentralização proporcionada pelo egocentrismo institucional acadêmico formatará em 10 anos o banco de dados de referência que todos nós gostaríamos que tivesse e a academia terá que ceder a inteligente proposta Alemã. Por outro lado, se as instituições se derem conta antes, isso pode ser barrado. Mas quem contrata é o autor, portanto, este passa a ser o responsável. Eu acredito que quem conseguir tais permissões e levar a diante de forma lúcida a sua comercialização, estará satisfeito como o seu “produto”, mas não como uma ferramenta de divulgação científica, pois não se sabe como será visto pela comunidade científica a varredura de citações da editora. Vejo que um ISBN é coisa séria.

  87. Achei muito interessante e pertinente a exposição deste modelo de negócio.
    Realmente, considerando, para a divulgação do conhecimento, tanto a relevância que a publicação terá, quanto os custos de aquisição, logo me veio a dúvida: a quem poderia ser interessante publicar desta forma?
    Me lembrei na sequência de algo que vivenciei enquanto estudante (infelizmente, a memória agora é difusa e não sei mais se foi só uma vez, se só comigo, etc). Professor(es) que indicava(m) como bibliografia obrigatória um livro de autoria própria, que não era vendido “em nenhuma livraria” (acho que só comprando na livraria no Campus do curso), e que custava muito mais caro que outras publicações de qualidade sobre o mesmo assunto.
    Não sei quais mecanismos existem atualmente nas instituições para evitar que algo parecido com isso ocorra, ou mesmo se estes mecanismos existem. Porque, considerando a facilidade, é de se imaginar o que pode acontecer se o interesse em benefício próprio for colocado acima do bem comum. Qual o impacto em adotar como referência material com conteúdo impreciso, anti-científico, ideológico…
    (mesmo que isso diga respeito a apenas uma pequena parcela destas centenas de livros publicados).

  88. Agradeço o empenho do André e de todos que compartilharam seus pontos de vista. Se as informações aqui expostas procedem, eles fazem essencialmente venda para os próprios autores. Eles imprimem sobre demanda, cobram relativamente caro por isso (também devido a baixa tiragem) e possuem um contrato que dão algumas garantias para eles. Acredito inclusive que uma certa margem de receita esteja exatamente na taxa que o autor deve pagar para rescisão do contrato… A principal vantagem que eu veria nessa relação, e que muitos comentários desse post apontaram, é a circulação do livro em novas praças, porém não sabemos se isso ocorre mesmo e o quanto de retorno há em média. Gerar o ISBN é um procedimento quase que meramente administrativo e sem avaliação de mérito, pois qualquer pessoa pode publicar o que quiser ou seria uma censura. Há empresas fazem registro de ISBN… Já o serviço de gráfica tem aos montes por aí! Ou seja, vejo que a vantagem estaria ou na circulação da edição para dar acesso a um novo público, o que é difícil avaliar, ou no serviço de ISBN e gráfica. Assim como existem periódicos acadêmicos de baixa qualidade pois aceitam qualquer artigo independente de qualidade, onde alguns periódicos até cobram $$ o autor por isso, também há editoras que publicam qualquer coisa (é claro, alguns trabalhos de qualidade e outros não). Como qualquer bom vendedor, a empresa apresenta uma ideia e uma imagem que são vistosas, porém precisam ser destiladas com cuidado. Por outro lado, se as pessoas conhecessem mais o mundo editorial, talvez percebessem que o serviço que é oferecido por eles não é tão “único” ou “especial”. Abs!

  89. A essa altura do campeonato, todo mundo que escreveu um TCC na FaFeFun já recebeu esse email. O que poderia se considerado o principal argumento a favor de aceitar a proposta é o da publicidade – não “propaganda pessoal”, mas dar publicidade a trabalhos acadêmicos. No entanto, o modelo adotado pela editora não contribui nada com esse aspecto. Na minha opinião, o principal argumento contra é o de que um trabalho científico, em qualquer área, para realmente poder carregar essa alcunha (de “científico”) deve poder estar disponível a qualquer interessado, e isso não é compatível com um modelo comercial. Nada tenho contra editoras, contra o capitalismo etc. (pelo contrário!), mas acho que colocar ISBN e preço em euro em tese de mestrado uma farsa. Se eu pego um CV de alguém com um livro publicado nesse esquema, de cara imagino que o sujeito ou é ingênuo ou é pilantra — e nenhuma dessas duas opções depõem a favor do sujeito. Quase tão ruim quanto mandar um artigo para a Revista Sodebras. Além disso, permitam-me dar asa à paranoia: vai saber o que a editora vai fazer de posse de milhares de textos acadêmicos segurados por contratos que a maior parte das pessoas que os assinaram definitivamente não compreende…

  90. Olá. Entrei neste “conto do vigário”e não achei que seria um problema disponibilizar minha tese. Confesso que não pesquisei nestes blog antes. Agora, pedi o cancelamento da publicação, me oferecendo a pagar a multa, e eles sumiram. Comecei a pesquisar mais ainda e descobri que eles possuem escritório em Montevideo e o telefone na Alemanha não corresponde. Maior do de cabeça de minha vida. Quem estiver pensando em fazer isto, não faça.

  91. Fiz uma publicação junto à NEA e posso informar que decepcionei-me, além de estar largamente arrependida. A paginação veio com problemas, o sumário saiu errado, disseram-me que a tiragem seria colorida e a recebi em preto e branco, além de enviarem-me o livro com uma propaganda da própria editora nas páginas finais. Infelizmente, estou escrevendo com pressa e atropeladamente, uma vez que me encontro absolutamente atarefada nesses últimos meses. O motivo de meu desabafo aqui é o de que gostaria sim e muito de entrar com processo contra a empresa, apenas ainda não o faço justamente por encontrar-me largamente atarefada.
    A parte isto, deixo aqui meu alerta:

    NÃO PUBLIQUEM COM A EDITORA NEA – Novas Edições Acadêmicas.

  92. Quando a esmola é d+… recebi o e-mail essa semana e por achar aquilo muito “tentador” fiquei desconfiada. Inicialmente eu responde, mas em poucas linhas. Com o segundo e-mail e com mais tempo..resolvi dar um Google.. e cá estou..! Obrigrada por compartilhar isso conosco! mesmo assim vou ler mais sobre o assunto e verificar essa questão de 20%! Absurdo!!!!!! um abraço!

  93. Agradeço ao autor do blogue e a todos quantos comentaram o post e me ajudaram a esclarecer as dúvidas que me assaltaram hoje, quando recebi o email da Novas Edições Académicas. Moro em Lisboa e estou ligada à Universidade Nova de Lisboa.

  94. Diante dos milhões de trabalhos “científicos” que saem das universidades, 99,99% com muito pouca validação, pois, em sua maioria, são trabalhos realizados às pressas e uma única vez, essa revista, por ser gratuita, pode ser uma boa alternativa. No entanto, se seu trabalho realmente pode contribuir com algo para a humanidade, publique em algo acessível a todos, mas, principalmente, leve à quem interessa.

  95. Também recebi esse e-mail e, desconfiada, procurei pela editora no google, quando encontrei esse texto. Obrigada por compartilhar essas informações.

  96. Tenho também sólidas restrições para a atuação dessa empresa, até por isso, e motivado por uma professora da UFRGS que abri o site de Consultor Editorial (www.consultoreditorial.com.br). E tenho feito, gratuitamente, as avaliações por escrito a quem quiser.

  97. Recebi o email da editora hoje e logo desconfiei.

    “O que é que há, minha gente o que é que há
    Tanta bondade que me faz desconfiar
    Laranja madura na beira da estrada
    Tá bichada Zé ou tem marimbondo no pé…”

  98. hueheuheu acho que todo mundo que recebe o convite vem parar aqui. acabei de recebê-lo. como a minha dissertação envolve um filósofo alemão, e vi as “credenciais alemãs” no rodapé do email, pensei que fosse algo como “editora alemã interessada em divulgar recepção da cultura a alemã pelo mundo”. eu já estava quase respondendo “oxi, assim de graça, querida (o nome de quem envia o email é paula), eu até topo”… mas aí pesquisei a editora e cá estou, recém lendo a coisa dos 20%. ok… adeus sonho de coquetel de lançamento, com decoração rústica, smooth jazz de fundo, canapés e vinhos, eu circulando, com meus cabelos semigrisalhos engomados para trás, recebendo cumprimentos, assinando dedicatórias sobre um robusto escritório de caoba… shuif!

  99. Olá, Pessoal! Uma dúvida: Preenchi os dados do autor no portal da editora, logo o contrato foi aceito, mas não enviei para o portal da NEA o material da minha tese conforme as normas editoriais exigidas por eles. Ou seja, o processo está no meio do caminho. Eles me enviam e-mail pedindo para que eu complete com o material da tese. Solicitei o cancelamento da produção da publicação. A minha dúvida é: Terei de pagar algo por isso? Alguém já passou por isto? Obrigada!

  100. Nossa… me arrepiei: “mas e além disso, você também trabalha?”. Escuto isso diariamente. As vezes, sinto-me pressionada. As pessoas, até mesmo as mais próximas, não entendem que a minha carreira é acadêmica.
    Acabei de receber um e-mail da NEA e logo desconfiei. Porque eles olharam um título de um artigo meu e disseram que tinham interesse em publicar a dissertação ou tese que o originou. Mas, o trabalho era de iniciação científica; partiu de uma pesquisa de outra pessoa, na qual eu participava como bolsista. Se eles tivesse lido ao menos as notas sobre os autores,na primeira página, saberiam disto.
    Isto não quer dizer que nenhuma editora poderia se interessar pelo meu trabalho, mas acredito que as publicações científicas são endereçadas a determinados públicos. Inclusive, sou à favor de mais ampla disseminação dos nossos trabalho.
    No entanto, essa proposta da NEA me cheira charlatanismo; pareceu-me nada profissional.
    Até gosto de poder acreditar nas pessoas. Senti uma pontinha de felicidade de ter recebido o convite, a final, que autor não gostaria de ter um livro publicado internacionalmente?
    Me são caras suas análise, pois, de fato, o que importa são as nossas práticas de pesquisa. Ser reconhecido pelo nosso trabalho, muitas vezes, nos empurra a entrar no mercado cultural ideológico.
    Mas, se tivermos
    mínimo de cuidado, procuraremos saber mais sobre essas propostas e nos recusaremos a “publicar de qualquer maneira”.

  101. De inicio, impactante e, fiquei até surpresa e feliz…mas, em seguida pensei: ‘não seria charlatanismo?” Antes de procurar e achar este texto, ja tinha pedido a eles que se apresentassem com sua proposta. Mas, creio que não vai rolar, da minha parte, ceder a essa editora. Obrigada a todos pelos esclarecimentos.

  102. O que seria da internet sem a turma da “pulga atrás da orelha”? Pela checagem do autor da postagem e a longevidade do texto com o compartilhamento das experiências pessoais, ficam claras várias desvantagens, notadamente a questão autoral. Abraço.

  103. Olá, também recebi convite pra publicar um artigo, mas ele já tinha sido publicado em 2011 numa revista acadëmica. Pelo número mínimo de páginas que a NEA pede, pude incluir outros dois artigos também já publicados em revistas academicas anteriormente, com leves modificações. Decidi aceitar pela oportunidade de reunir todos eles numa só publicação. Todo este material está disponível na Internet em PDF, independentemente do livro da NEA. E tenho uma cópia do acordo com a NEA em PDF e nele consta claramente que eu posso voltar a publicar o mesmo conteúdo quando, como e onde quiser. Os direitos continuam sendo meus. E posso rescindir o contrato. Posso enviar o PDF a quem quiser pra poder discutir esta questão dos direitos do autor. Entendo os argumentos relativos à produção científica financiada por dinheiro público que depois é vendida como um produto comercial. E essa é realmente uma questão central. Mas de qq forma, isso aconteceria com qq outra editora comercial, não? Enfim, a forma de operação da NEA e de outras editoras do estilo é algo que deve ser ponderado, dependendo do caso poderia valer a pena.

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