Ano novo, velhos palpites

Está pronto para vivenciar o ano da Copa do Mundo? Enquanto o Carnaval não passa e 2010 finalmente começa, ainda há tempo de chutar uma bola Jabulani pra estratosfera. Aproveitei o nosso gerador de palpites (bem mais simples do que aqueles onde você precisa cravar os placares, não?) para criar a minha trilha entre a partida com a Coréia do Norte e a taça do hexa erguida em 11 de julho.

É lógico que essa brincadeira não tem qualquer pretensão. Até porque, até o início do Mundial, todas as seleções poderão passar por altos e baixos. De qualquer forma, você pode discordar como desejar – inclusive elaborando o seu próprio palpite. Vamos lá.

Primeira fase: Carlos Alberto Parreira e seu time que me desculpem, mas pela primeira vez na história de um Mundial, os anfitriões serão eliminados na primeira fase. A não ser que o time supere não apenas suas limitações, mas principalmente a desconfiança alheia, mexicanos e franceses conquistarão as vagas do Grupo A. O máximo de “ousadia” que vou me permitir será a ordem: México em primeiro. Logicamente, se depender da minha torcida, os sul-africanos podem se tornar o “Senegal” da vez e deixar Les Bleus na primeira fase. O que, convenhamos, seria justíssimo.

Os argentinos não terão dificuldade alguma em abiscoitar a liderança do Grupo B. A segunda vaga, no entanto, não me parece tão certa assim. Pode parecer estranho dizer, mas nos últimos Mundiais, a Coréia do Sul vem acumulando experiência para, ao menos, não ficar na lanterna. A Grécia, que conquistou uma Eurocopa quando ninguém acreditava, também pode surpreender. E a Nigéria, que nem de longe remete ao time forte dos anos 90, pode aproveitar a “força do continente” e seguir em frente. Minha bola de cristal coloca a Grécia um passinho à frente deles.

O Grupo C é uma tremenda barbada. Os coadjuvantes Argélia e Eslovênia assistirão ingleses e norte-americanos garantirem uma vaga nas oitavas-de-final. O Grupo D é meio “pegadinha”, mas o palpite seco é Alemanha e Gana. Especialmente porque a Sérvia já quebrou as pernas de quem achava o seu grupo de 2006 o “da morte” e a Austrália não é a do Guus Hiddink – e aqui faço meu lamento, adoraria ver a Rússia diante da Itália nas oitavas, pra Azzurra tremer diante do experiente treinador holandês outra vez…

Mas enfim. Para isso ter acontecido, os russos (que ficaram na repescagem) teriam que entrar no Grupo E, da favorita Holanda. Aqui, um cenário bem parecido com a chave da Argentina: qualquer dos três, Dinamarca, Japão e Camarões podem se classificar. Como já “derrubei” dois africanos antes, vou arriscar a classificação deles aqui, com os camaroneses – apesar da tentação de escolher os nórdicos. No Grupo F, outra barbada: os italianos vão nadar de braçadas diante das inexpressivas Nova Zelândia e Eslováquia. Já os paraguaios estarão na África com uma das melhores gerações de sua história, terão tudo para seguir em frente – quem sabe até chegando às quartas-de-final, por que não?

Finalmente, o Grupo G. O “da morte”. O do Brasil. Já ouvi numa dessas reportagens ufanistas: “é o grupo da morte para os outros”. Quando revelei à Luciana os adversários da seleção na primeira fase, tive como resposta um desdenhoso “queeee Costa do Marfiiiim o queee…”. Lógico que o time do Dunga é favoritaço, e deve seguir à risca o bom e velho chavão: para ser campeão, não se deve escolher adversários. Sendo assim, passando em primeiro numa chave carne-de-pescoço dessas, partiremos rumo ao hexa. Agora, os portugueses que tanto estimo que me desculpem, mas minha aposta nesse Mundial é exatamente a Costa do Marfim. Entre os africanos que disputam o Mundial, são os que tem maiores condições de atingir as semifinais – e há uma expectativa gigantesca para que uma nação do continente esteja entre os quatro.

Por fim, o Grupo H. Também é “da morte”. De assistir. A Globo pode colocar desenho animado que certamente dará mais audiência do que Suíça e Honduras. Francamente. Enfim, antes de ser eliminada durante o mata-mata, a Espanha seguirá encantando, goleando, etc. Ao seu lado, confio no aprendizado que Marcelo Bielsa teve em 2002: acredito que ele não repetirá o que lhe deixou fora da Copa na primeira fase. Vamos, Chile!

Mata-mata: Aqui é o momento de separar os homens dos meninos. E, obviamente, ainda que as configurações que elenquei na primeira fase possam fazer sentido, o histórico dos confrontos eliminatórios reservam surpresas que beiram à injustiça. Mas enfim, é a regra do jogo. E de acordo com minha ousada escolha, México e Grécia farão a partida “não deixe de perder” desta fase. Inglaterra e Gana farão um duelo difícil, mas os ingleses irão mais longe. Alemanha e Estados Unidos reeditarão o confronto das quartas em 2002 – que, diga-se, foi uma pedreira para os futuros vice-campeões. Já imaginaram se o time do Ashton Kutscher resolve jogar como fez na Copa das Confederações? Ah, melhor não arriscar…

Mmmhhh… Quem mandou inverter o Grupo A? Argentina e França! Não me importaria se um atentado alienígena abduzisse os dois de uma vez, mas ultimamente ando com mais raiva da França. Para não cair em contradição, uma zebrinha passeando no duelo entre Holanda e Paraguai… Itália e Camarões é outro destes confrontos imprevisíveis, mas vamos na aposta segura. Opa! É aqui que a Espanha vai dançar: diante de Costa do Marfim! Finalmente, um confronto sul-americano semelhante ao da Copa de 98: Brasil e Chile. O placar poderia ser o mesmo, não? 4 a 1 pra nós.

Minha maluquice paraguaia gerou o confronto mais inusitado das quartas-de-final: ao invés de um previsível e emocionante Brasil e Holanda, teríamos… Brasil e Paraguai! Rá! Em outro duelo distante do óbvio, a Inglaterra enfrentaria o México, e não a França, a caminho das semifinais. Itália e Costa do Marfim reforçariam minha teoria “tem africano entre os quatro”. O quarto jogo seria a revanche de 2006, entre argentinos e alemães. Querem saber? Depois dos percalços nas Eliminatórias, nuestros hermanos vão renascer das próprias cinzas e partirem para a decisão.

Agora é palpite puro: Argentina x Costa do Marfim, Brasil x Inglaterra nas semifinais. No fundo, sinto que minhas escolhas seriam estas mesmo, independente de classificações e confrontos anteriores… Mas seria legal se fosse assim, não? Melhor ainda seria a conquista do hexa sobre nossos maiores rivais, numa decisão perfeita para torcedores e investidores. Que tal?

André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (1)

  1. Cara, tremi com sua hipóteses de semifinais. Sem contar que, se o Brasil for pra final com a Argentina, vou me trancar no quartinho de entulho aqui de casa e só saio dois dias depois do jogo. E imaginar o Brasil na final contra um representante do continente africano me deu medo, muito medo. Vai que acontece igual lá na França e os jogadores fiquem todos doentes, com convulsões e meias caindo? Aff…

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