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Vai ser o japa! (Ou ainda: considerações sobre TV digital)

Brasília (DF) – Esqueçam o debate promovido por acadêmicos. Ignorem os R$ 50 milhões investidos em universidades que buscavam um padrão de TV digital híbrido, totalmente nacional. Apesar das pressões, o Brasil provavelmente deve adotar o ISDB, desenvolvido no Japão. Vai levar com isso cerca de R$ 100 bilhões para disseminar a brincadeira no pais. Uma decisão que deve mexer com a sua tevê (ou não) nos próximos meses.

Mas você sabe mesmo do que diabos estamos falando?

A transmissão aberta de canais de TV digital foi um dos assuntos tratados no seminário de jornalismo multimídia aqui em Brasília. Para explicar e comentar o que acontece, a organização do evento convidou o jornalista Ethevaldo Siqueira, do jornal O Estado de S. Paulo. Que fez questão de salientar: toda a discussão limita-se ao sinal emitido pela torre até chegar aos telespectadores. Até porque, lembra ele, todo o processo anterior já está digitalizado faz tempo.

O ato irreversível de transformarmos sinais analógicos em zeros e uns para o “broadcast terrestre” deve trazer novas oportunidades de negócio para as emissoras, a partir da interação com os usuários – o que pode levar a intensas ações de comércio eletrônico. Independente do padrão escolhido, essa e outras características são possíveis: a transmissão pode ocorrer em alta definição, mas também em dois formatos intermediários – o enhanced, semelhante ao DVD, e o standard – além da baixa definição, ideal para equipamentos móveis – celulares, palms, laptops…

Outra grande vantagem é o melhor aproveitamento do espectro de freqüência. As emissoras de TV transmitem sua programação em VHF, usando uma faixa de 6MHz para enviar sinais de áudio e vídeo. Essa mesma faixa de freqüência pode ser usada para transmitir pelo menos quatro canais simultaneamente. “O espectro de freqüência é um patrimônio da sociedade”, lembrou Siqueira, salientando a importância dessa faixa de freqüência – cujo uso, como sabem, só é permitido por concessão federal. “Nossa legislação referente a rádio e televisão é velha, obsoleta, e tecnologia nenhuma resolve isso”.

Mas voltando aos padrões. Três eram as possibilidades. O ATSC, padrão americano, é o mais antigo. Preocupa-se primordialmente com a definição da imagem, mas foi pensado para um mercado de espectadores bem específico: 92% dos norte-americanos possuem TV à cabo, ou seja, não privilegia a mobilidade. Pelo contrário, o padrão DVB, europeu, foi concebido para atender a maioria das necessidades dos países da União Européia. Aqui, o maior problema é a despreocupação com a definição da imagem.

“O japonês tem tudo. Definição máxima, interatividade máxima… É o mais moderno, mais ambicioso, e também o mais caro”, resumiu Siqueira. O preço final ao consumidor é a maior desvantagem do formato, fato que poderia ser a maior preocupação para a sua escolha. Mas não foi o que pareceu. A escolha tem um beneficiado direto: as emissoras de TV. Especialmente a Globo, que em sociedade com a NEC, já vinha testando o padrão japonês. “É uma decisão que afeta a sociedade inteira, não apenas a Globo”.

E foi mais longe: “esse é o único formato onde as emissoras de TV poderiam transmitir direto para os celulares, sem pedir permissão para as empresas de telefonia. Além disso, algum governo iria contrariar as tevês num ano de eleições? Nossos políticos não tem visão estadista, a longo prazo. E o nosso ministro perde transparência, tornando-se um lobista. E fingem que estão negociando com os europeus”, lamentou.

As criticas não se limitaram na classe política. “Não havia um canal possível de participação popular. São 25 milhões de brasileiros na internet, um fórum só seria possível com um número maior. Existe um obstáculo econômico diante da nossa sociedade, que não está preparada para discutir esse tema”. Lembrou que somos uma nação pouco politizada e que, na prática, não está preparada pra nada.

Enfim, Ethevaldo Siqueira especulou sobre o futuro da TV digital. Existe uma chance de todo esse investimento ser derrubado por um fenômeno semelhante ao que a telefonia e as gravadoras viram, respectivamente, com o Voip e as redes P2P. Não, não estamos falando de videocast ou de sites como o You Tube. A revolução atenderá pelo nome de IPTV, com sinais de vídeo transmitidos através de redes sem fio de altíssima velocidade. A rede pode perfeitamente atropelar todos os projetos da TV digital. “Mas é preciso entender o potencial diante da tecnologia e trata-la com equilíbrio. Nem deslumbrado, nem apavorado”, adverte.

Mesmo porque, ainda que a gente procure, talvez jamais a gente tenha nas mãos todas as respostas que desejamos.

Comentários em blogs: ainda existem? (2)

  1. Tomara que pegue essa tal IPTV. É a oportunidade de democratizar a produção e distribuição de conteúdo televisivo. Tenho projeto de videocast a médio prazo, tão logo consiga comprar equipamentos novos, vou levar adiante.

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