Vai, Barrica: perseguição da Brawn ou a zica voltou?

Foram três provas na Ásia após a estréia na Austrália. E tirando o GP da China, onde o “novo Schumacher” Sebastian Vettel começou a botar RedBull como a “segunda força” da temporada, só deu Jenson Button, com duas vitórias e meia (considerando a idéia “jeniau” em fazer o GP da Malásia ao anoitecer).

Mesmo com testes proibidos pelo regulamento, esperava-se que a primeira etapa na Europa fosse marcada por um reinício de campeonato – especialmente após a autorização do difusor. Se McLaren e Ferrari, que protagonizaram nos últimos anos, mostrassem alguma reação, a temporada ficaria ainda mais divertida. Veio o GP da Espanha e o atual campeão, Lewis Hamilton, continua muito atrás, lutando com um carro ainda desequilibrado. O coitado do Kovalainen então… Abandonou pela terceira vez.

Já a Ferrari conseguiu mostrar nítida evolução: Felipe Massa fez o quarto melhor tempo na classificação. Kimi Raikkonen só não o acompanhou porque a escuderia achou que o tempo do finlandês na primeira parte do treino era suficiente para brigar no final. Mas não era. Um problema no acelerador durante a corrida o prejudicou, tornando árdua a tarefa de eleger qual a nacionalidade mais azarada de 2009: finlandesa ou brasileira.

Mas enfim. Após a prova disputada na Catalunha, não tive dúvidas ao concordar com Niki Lauda sobre o maior problema da Ferrari: os italianos. Com a saída do francês Jean Todt e do britânico Ross Brawn, a equipe passou a ser conduzida por “ações descentralizadas” e “comportamentos expansivos”, lideradas por Stefano Domenicali.

Isso não só explica o que houve com Raikkonen no treino oficial, como também nos faz entender como é que Felipe Massa, que poderia terminar em quarto lugar, teve que tirar o pé nas voltas finais, abrindo caminho para Sebastian Vettel e Fernando “Piloto da Casa” Alonso, chegando em sexto. Tudo por conta de um erro na quantidade de combustível! Francamente. Tirem os italianos do comando da Ferrari!

Essa porém não foi a história mais estranha vinda de Barcelona. Rubens Barrichello, o melhor brasileiro na temporada, fez os melhores tempos durante praticamente todo o final de semana – só foi superado no fim da classificação, perdendo a pole pro Jenson Button. Mas logo na primeira volta, garantiu a primeira posição e, com uma estratégia de três paradas, estaria com a vitória nas mãos.

Button faria o mesmo, mas a equipe mudou de idéia durante a prova: o líder do Mundial de Pilotos parou apenas duas vezes, deixando o brasileiro novamente em segundo. Os tempos de Schumacher voltaram? “Disse para o Ross Brawn exatamente o que eu queria: se ele tivesse feito alguma coisa para que Jenson ganhasse a corrida, eu penduraria as chuteiras e ia para casa. Saí da Ferrari por causa disso e não preciso dessas coisas, sou melhor que isso”, desabafou Barrica ao microfone da Jovem Pan.

A resposta da equipe: analisando o desempenho de Rubinho depois do segundo pit, com o terceiro jogo de pneus macios, percebe-se que ele conseguiu andar mais devagar que Button em algumas voltas. Foi essa pequena circunstância da corrida que lhe custou a vitória, deixando seu companheiro de equipe com 41 dos 45 pontos já disputados, 14 de vantagem.

Então foi perseguição, zica ou incompetência? Enfim, ainda questiono se vale a pena torcer pelo Barrica.

(Para acompanhar e entender de verdade o mundo do automobilismo, leia a Bárbara Franzin, o Felipe Motta, o Ivan Capelli, o Livio Oricchio, o Fábio Seixas e o Flávio Gomes).

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