Um fenômeno chamado Rocky Horror Show

Em uma tentativa bem sucedida de aliviar a tensão e relaxar, aceitei o convite para comparecer ao Vivo Open Air na última segunda-feira. A atração da noite era o filme The Rocky Horror Picture Show, de 1975. No elenco, Tim Curry e Susan Sarandon, irreconhecíveis.

Trata-se da coisa mais nonsense que o ser humano já foi capaz de criar – e por isso, engraçadíssimo. O carro de um casal de noivos virgens quebra na estrada e, debaixo de chuva, eles descobrem um castelo. Lá, alienígenas transilvânicos, entre eles um doutor transformista, transformam a noite do casal. Mistura pornografia, terror, ficção científica e músicas que ficam eternamente na cabeça do espectador.

Acreditem: mesmo sendo um filme B de quinta categoria, conseguiu resistir ao tempo e segue vivo mesmo após 30 anos – mesmo fora do circuito GLS. Tudo porque, certa vez, um fanático pelo longa-metragem apareceu no cinema fantasiado. E a moda pegou. Mais do que isso: um grupo de entusiastas nova-iorquinos criou uma série de “atos interativos”: a cada sessão do filme, a platéia caracterizada participava ativamente.

The Rocky Horror Picture Show era para ser um fracasso, mas virou religião. Tanto que a cidade de Las Vegas recebe em junho uma convenção de fãs. Que certamente vão executar todas as performances e cantar as músicas inúmeras vezes.

Ficou curioso? Arrume o DVD e convide os amigos em casa. Aproveite para acompanhar as instruções para participação. Tradução livre do site oficial do fã-clube.


Na foto: um clone do Vinny, Tim Curry transexual e Susan Sarandon com cara de bebê

Arroz: Na primeira cena do filme, dois amigos de Janet e Brad se casam. Assim que os noivos deixam a igreja, pegue um punhado de arroz e jogue pela platéia.

Jornais: Quando Brad e Janet estão fugindo da chuva, a mocinha utiliza um jornal para cobrir a cabeça. Pegue uma folha de jornal e faça o mesmo.

Pistolas de água: No mesmo momento, alguns membros da platéia “simularão” a tempestade com instrumentos do gênero – por essa razão, é bom levar o jornal.

Luzes: Durante a canção cujo verso é “There’s a light / Over at the Frankenstein Place”, acenda uma luz. Serve uma vela, um isqueiro, uma lanterna…

Dança transilvânica: Durante a canção mais animada do filme – Time Wrap, siga os passos indicados pelo filme e dance também. Sem constrangimentos.

Luvas de borracha: Durante o discurso da criação, o Doutor Frank N. Furter “estala” suas luvas cor-de-rosa três vezes. Estale também, mantendo um sincronismo capaz de realizar um excelente efeito sonoro.

Barulhos: Ao final do discurso, os espectadores transilvânicos comemoram entusiasmados, usando línguas de sogra, matracas, entre outros apetrechos barulhentos. Pegue o seu e siga o coro da maioria.

Confete: Quando Doutor Frank termina de cantar “Charles Atlas Song”, os transilvânicos jogam confete em Rocky, o loirão criado por Frank. Obviamente, faça o mesmo.

Papel higiênico: Quando Dr. Scott aparece no filme, aparece o rosto de Brad em close e, após um rápido silêncio, ele diz: “Great Scott”. Scott é uma marca popular de papel higiênico nos EUA. Por essa razão, rolos voam pela sala nesse momento.

Torradas: Durante o jantar, Frank propõe um brinde aos convidados – “a toast”. Aqui, os espectadores arremessam torradas ao vento.

Chapéu de festa: Após o brinde, Frank coloca um chapeuzinho de aniversário. Faça o mesmo.

Sino: Durante a música seguinte, Frank canta “Did you hear a bell ring?”. Nesse momento, chacoalhe o seu sininho. Um molho de chaves também serve.

Baralho: Em uma das canções finais, Frank canta “Cards for sorrow, cards for pain”. Hora de jogar cartas de baralho para cima. Nessa altura, a sala de cinema já está uma verdadeira IMUNDÍCIA.

Quem assistiu a exibição ao ar livre na última segunda, encontrou uma platéia tímida, mas que executou algumas das tarefas acima. Uma simpática mocinha, fantasiada de Columbia (uma das personagens) distribuia kits com arroz, torradas, jornal, matraca e papel higiênico. Além de uma folha sulfite com as instruções acima.

Há quem tenha ido simplesmente para ver o filme pela primeira vez, como eu. Em todos os casos, a chuva forte, aliada aos raios e trovões, provocaram um efeito espetacular aos cidadãos que acompanharam o culto trash das arquibancadas do Jóquei Clube.

Claro que, assim que pintar a chance, vou participar de uma sessão mais, digamos, ativa do filme.

André Marmota adora usar a função “rand” do PHP, combinada com um array repleto de frases diferentes. Paaaaarabéns! Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (6)

  1. The Rocky Horror Picture Show é realmente um cláaaasico do trash movie! Se o filme passar nos cinemas por aqui, conheço uma grande galera que vai se empolgar em levar todo o “kitimundice” para a sala (eu inclusive!) :-D

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