U2 e a fantástica fábrica de fanáticos

Finalmente, depois de algumas semanas de agonia, terminou a venda de ingressos para o malfadado show do “iuthú é pra jacu” em São Paulo. Eu, que já tinha decidido não ir desde que vi os preços (duzentos mangos para a arquibancada mais distante do palco) e as datas (20 e 21 de fevereiro, segunda e terça de labuta), ratifiquei minha posição após todas as lambanças envolvendo a venda de ingressos para o primeiro dia. Nesse domingo, foi feito o sorteio telefônico que definiu quem vai no segundo dia: em pouco mais de sete horas, todo o esforço que os fãs tiveram com o “botão F5” diante do site da Ticketronics foi repetido com o “botão redial”.

Resumo da ópera: sem contar o que foi parar na mão de cambistas (elemento intrínseco da humanidade) e o que será distribuído por emissoras de rádio (o que ajuda a tornar esse show ainda mais desejado), foram 140 mil ingressos que, na prática, estão nas mãos de poucos mortais que não mediram esforços e não se importam com os transtornos, nem com os duzentos mangos. Ah, sim, tem aqueles que conseguiram comprar ingressos a preço de banana, pois tinham ligações com um dos patrocinadores-master do evento. Mas isso é outra história.

Tamanha foi a divulgação que o poder do hype supervalorizou o show, transformando esses ingressos numa espécie de “cupom dourado”, que dá acesso à uma “fantástica fábrica” tão incrível e única quanto a do Willy Wonka. Só isso explica tamanha correria e desprendimento em todos que conseguiram o ingresso, além da decepção e tristeza de milhares de “Charlie Bucket”, não apenas pela pequena fortuna cobrada, mas principalmente por conta dos obstáculos impostos pelos organizadores – uma turma que não merece o sacrifício de tanta gente.

Essas coisas todas desanimam muito, e olha que nem sou tão fã assim. Talvez não esteja tão preocupado por ter ido ao show de 98. Para todos que adorariam estar mais perto da banda, e hoje estão chateados porque não conseguiram abrir uma barra de chocolate e encontrar um cupom dourado, fica a dica do Marcos Sérgio Silva, do jornal Agora: pegue seus duzentos mangos e compre cinco DVDs do U2. Incluindo o recém-lançado “Vertigo 2005: Live in Chicago”, apresentação parecida com a que vamos perder. E faça o show em casa, do seu jeito.

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Pra não perder a viagem: o que dá pra dizer de um show gratuito dos Rolling Stones, na praia de Copacabana, para um público estimado em mais de um milhão de pessoas? Não apenas brazucas: um amigo viu a faixa “pacotes para o show dos Stones no Rio” em Buenos Aires… Vai ser uma grande incógnita. E só a presença dos argentinos já é motivo para ficar em casa, ver tudo ao vivo pela TV ou esperar pelo DVD.

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (7)

  1. Eu não vou ao show porque não gosto muito do U2, mas entendo perfeitamente o esforço de quem está disposto a ir.
    A verdadeira energia de um show está na pista, onde você pode cantar, gritar, pular e suar sendo esmagado pela multidão. É um êxtase coletivo, uma descarga contínua de duas horas de adrenalina.
    Quem está acostumado a ver shows pela televisão ou, na melhor das hipóteses, sentado das enfadonhas arquibancadas e camarotes, deve achar tudo isso um programa de índio mesmo.

  2. Eu queria ir, mas quando vi o caos que estava a venda de ingressos, acabei desistindo. Não apenas pela epopéia de comprar ingresso, mas pela provável epopéia de conseguir entrar no estádio. No fim das contas, o esforço que ia sair por um show caríssimo e sem o menor respeito da organização não vale a pena. Tb fico com ver o show em casa ou pelo DVD, infelizmente.

  3. Eu cheguei a pensar em ir a SP pro show mas, quando vi o fanatismo dos que estariam lá, fiquei com medo da entrada e saída.
    Pode ser que a altíssima procura tenha sido um efeito hype, como você diz. Só isto explicaria a previsão furadíssima dos organizadores. Será que eles não esperavam mesmo que houvesse essa procura tão grande? Programaram UM show com POSSIBILIDADE de fazer o 2º, caso houvesse público (?!). Santa ingenuidade, Batman!

  4. De novo: eu queria ir, mas tá caro. Desculpa, mas eu não amo o U2 200,00 reais. Não, eu não amo.
    O povo da organização queimou o nome da banda. Isso dá raiva. Mas eu já comprei o dvd, huhu.

    p.s.: Mas eu queria ir, ah, queria.

  5. Não iria nem se fosse de graça e aqui na minha cidade. De tumulto quero distância… E pra falar a verdade, nem curto tanto U2. Se tem algo que valerá a pena nesse show, é o Franz Ferdinand, que o abrirá. E só.

    []’s

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