Teorias emergentes explicam os blogs (era: concorrência…)

Eu tinha pensado em um longo tratado para explicar o meu ponto de vista em relação ao convite (feito há alguns séculos) pelo Rodrigo P. Ghedin, respondendo a uma perguntinha simples elaborada pelo Carlos Carvalho: será que um blogueiro vê o outro como concorrente?

Bom, decidi reduzir o tal tratado em muitas linhas. Além disso, para deixá-lo ultra-didático, decidi associá-lo a um joguinho batuta, elaborado pelo inglês Mark James. Chama-se Grid Game.

Entendeu como ele funciona? Você clica em qualquer bolinha. Ela vai girar no sentido horário e, caso a linha azul encontre outra, a bolinha correspondente também gira. O objetivo é proporcionar a maior reação em cadeia possível com apenas um clique. Muito simples e viciante, não?

Pois essa brincadeira resume, de maneira lúdica, a mergencia, detalhada em um livro imperdível do Steven Johnson. Trata-se de um fenômeno que relaciona, segundo seu exemplo, colônias de formigas, cidades ou outras estruturas complexas, descentralizadas e não planejadas. Em todos os casos, a própria comunidade zela sua própria qualidade e cria regras de convívio extremamente simples. Não existe um código de conduta centralizado, mas sim pequenos ecos que surgem de baixo para cima. Ou seja, de modo emergente.

O que isso tem a ver com blogs? A dinâmica da ferramenta consiste, basicamente, em três regrinhas (que eu não inventei): você escreve alguma coisa; você faz referência a outro blog; você comenta o que se escreve. Outras regras (válidas ou não) também promovem a conversação direta entre blogs: fazer trackbacks, criar memes (como este), responder a um post, “copiar e colar” um texto… A interação de blogs é feita através destes padrões de comportamento auto-regulados, tão complexos que só podem ser mensurados com algum rigor diante de um nicho específico (definição “tucanada” dessa tal blogosfera).

Isso quer dizer o seguinte: esqueça essa história ridícula de concorrência. Qualquer um que colocar seu blog na roda e tiver predisposição em conversar, terá seu espaço garantido. Você lida com seu blog como se fosse um repositório de idéias? Um diário? Uma mesa de bar? Um serviço profissional e lucrativo? Um poderoso veículo de mobilização da massa? Então siga em frente: você está convidado a ser mais uma “bolinha do Grid Game”: hoje uma pessoa repercute sua mensagem… Amanhã podem ser mil. Por que não?

A questão é: nem eu, nem o Rodrigo Ghedin, nem o Edney, nem o Ricardo Noblat, nem qualquer blogueiro precisa conhecer necessariamente todos estes padrões complexos que formam a blogosfera. Por mais que a comunidade se organize ou tente enxergar alguma competição entre grifes, nada disso vai eliminar uma sensação desse povo: todos participam de algo muito maior do que a nossa humilde visão alcança.

André Marmota adora usar a função “rand” do PHP, combinada com um array repleto de frases diferentes. Paaaaarabéns! Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (20)

  1. Olá amigo, é a primeira vez que entro em seu blog e o achei muito bom. Vejo que é um Blogueiro experiente e competente e gostaria que fosse ao meu blog Túnel do Tempo e desse sua opinião, comecei faz só 2 dias e tem apenas um post, mas mesmo assim gostaria que dissesse o que achou.

    Um abraço!

  2. Já vi vários posts sobre essa pergunta por aí. A principal alegação é que os blogs disputam leitores, mas não sei porque quando leio algo assim penso no Gugu e no Faustão medindo o ibope.
    Há dias em que um blog me diz mais coisas que o outro, há dias em que gosto mais de um blog do que de outro, ainda não entendo porque isso significa que terei que abandonar um dos dois.

    Gosto mais de sua alegoria, marmota. estamos todos ali formando conexões que se prolongam ou não, dependendo do dia, se está sol ou não lá fora.

  3. Muito interessante, realmente acredito que os blogs vão criando entre si uma relação de existência, se o movimento de blogs acabar, irão caindo todos, é realmente uma reação em cadeia, onde todos estão interligado e catalogados, onde todos se encontram em lugares comuns como o Blogblogs e outros internacionais que conhecemos.

  4. Belo texto!

    Agora, a pergunta que não quer calar é: aonde você arranja esses joguinhos bacanas feitos em flash? Ainda hoje me lembro daquele russo da mulher elástica que despencava nas bolhas :P.

    []’s!

  5. Ai André…que complicação pra falar aquilo que a gente aprende cedinho…” em a natureza nada se cria tudo se cupia”….rsss

    bjos grandes..
    PS: num vai falar da vaia que o Lula recebeu na abertura do pan???????????????
    nem do conjuntinho verde e amarelo da dona marisa?????????????
    bjos

  6. Não consegui prestar atenção no post por causa do joguinho. hehe Mas ainda acho que, mesmo que não haja concorrência entre blogs, cria-se um blog em busca de reputação :P

  7. Muito bem escrito e explicado. A competição é inerente à espécie. Queiram o Noblat, Edney, ou você, ou quem quer que seja, há competição.

    A competição pode ser positiva e não necessariamente destrutiva.

  8. Acho péssimos os blogueiros que ‘comercializam’ seus links colocando aqueles módulos de links apenas para quem comentou mais. Isso é criar um blog que compete com os outros: não valoriza o link por ser interessante, mas meramente porque comentou no blog.

    Muito boas as imagens que você elencou, especialmente pela idéia dos blogs como redes não centralizadas e não hierarquicas. Faz lembrar mto a imagem de um rizoma (by Deleuze e Guattari), e isso dá pano pra manga pra caramba para discutir…

  9. Quanto otimismo, nobre Marmota!

    Tem gente concorrendo sim. Quantas empresas, jornalísticas ou não, já não criaram seus blogs? E eu não diria que eles são pródigos em linkar outros blogs.

    Os grandes donos da mídia (ou Midas?), que fazem muito dinheiro ‘administrando’ toda informação que circula no planeta, só foram pegos de surpresa com o ‘boom’ dos blogs. Mas isso passa.

    Eles já se estão apropriando do meio e investindo pesado para distorcer definitivamente esta liberdade que nós temos de ler, não ler, ler hoje, não ler mais, ler de novo, não ler nenhum, ler todos, …

    Aliás, o ‘big brother’ (Google) e os demais mecanismos de busca da internet já fazem isso, ao priorizar conteúdo de seus clientes. E não nos esqueçamos que as tecnologias de push estão cada vez mais sofisticadas.

  10. André, voltei para reler o texto e verificar se falei m…
    respondi o email…
    será que tô pirando e entendi tudo errado?????

    boa semana, e adorei o adios a los hermanos… o timinho do Dunga até que soube aproveitar o vento soprando a favor!!!
    rsss

  11. Acho que compreendi melhor sua hipótese. Quanto aos EUA, sim temos competição nas veias mas tenho que admitir que você tem razão em alguns pontos. Meus links, especialmente o Swanksalot, foram muito prestativos no momento de crise que vivi ano passado. Swanksalot me ensinou umas coisinhas básicas para o meu blog funcionar melhor. Dos brasileiros não tive esse tipo de ajuda, embora não possa dizer que concorro contra ninguém. Quem sou eu? Nem moro no Brasil, nem tenho PDA.

  12. André, o blog é um fenômeno que fez com que neutralizássemos os jornalistas; qq. um pode escrever! Mas a diferença está então no conhecimento, naquilo que vc. faz com o que sabe!

    Um blog tem características de falar com um nicho, um público com interesses específicos, por isso penso que podem existir blogs concorrentes sob ste ponto de vista; mas, a força está na escolha, e neste caso na escolha do internauta. Em meu blog (www.ohannes.com.br) que é sobre o Mundo Corporativo (já estou divulgando; ainda bem que vc. já conhece) eu concorro até com uma Exame, ou Você S/A, que sào revistas que tb. tem blogs, mas o que difere é a linguagem que uso; sào artimanhas para nos diferenciarmos.

    Forte abraço,
    Ohannes Bedoyan

  13. Bem que eu queria que meus teextos tivessem a mesma reação em cadeia do joguinho – um clique teve 2.025 reações, caramba!

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