Sobre a minha necessidade e a dos outros

Imagine que, a cada dia, pessoas mais inteligentes que você desenvolvem soluções para uma porção de problemas encontrados na Internet. Pacotes prontos que até a Dona Marocas é capaz de usar. Você e alguns conhecidos seus, ligeiramente mais espertos, acompanham como pode este cenário, mas a ponto de se virarem bem em relação a maioria. O mesmo acontece com algumas empresas, especialmente as de menor porte. Como consequência, cada vez mais gente, desde o mais medíocre até o minimamente sabido, terão condições de fazer qualquer coisa bacana. Essa bola de neve aumenta, a ponto dessa multidão inclusive competir conosco no mundo dito “profissional”. Tornam-se mão-de-obra barata, ajuam a borrifar os parcos investimentos em publicidade na área… Em resumo, aquilo que você considera diferencial em relação aos outros não é mais.

Imaginou? Como você se sentiu? “Cacetada, se eu não correr atrás de mais conhecimento e, ao mesmo tempo, defender o que é meu agora, daqui a pouco alguém pode dizer que sou descartável ou obsoleto!”. Ou “Faz-me rir com esse cenário ridículo. Sempre vai existir espaço para quem souber oferecer e vender bem o seu peixe, e esse é apenas um dos meus poderes”.

Não sei se alguém imaginou algo como “Nossa, se o futuro vier assim mesmo, não vai demorar para a sociedade perceber o quanto é valioso colaborar e compartilhar informação e conhecimento. Seremos cada vez menos egoístas, mais solidários e em convívio harmonioso em uma aldeia global!”. Quando o dia em que ninguém mais pensar assim chegar, certamente a humanidade já terá acabado.

André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (5)

  1. ouso dizer que entendo, e em certa parte me identifico. é porque nem tu é jornalista como eu não sou publicitário; somos comunicólogos, Comunicadores Sociais. e esse é o papel crescente, e relevante. abraço.

  2. Então coleguinha… pois é, eu queria pensar na terceira alternativa, eu sei que é mais bonitinho, politicamente correto e tal, mas não dá, fico com a alternativa “A”.

    Espero que alguém aqui responda letra C. Se bem que será que a humanidade ainda existe de fato? Talvez tenha acabado e não tenhamos nem notado…

    Aulas sobre Heidegger e o pós-humano demais esse ano me deixaram assim, desculpa.

  3. Voei um pouco nesse texto tb!
    Afinal eu nem faculdade tenho!
    Só cursos em ferramentas especificas…
    E cada vez mais vejo gente fazendo aula de programação via revista e colocando currículo na net de experiente.
    O pior é que com boa vontade e gana…
    Ou no pior dos casos, mesmo com sacanagem e malandragem, qualquer um pode passar uma imagem melhor!

  4. Bom… pensei no primeiro item. É impossível não pensar no primeiro item quando se vive nessa realidade competitiva.

    Entretanto, eu vivo segundo o terceiro item. Embora seja um ideal um tanto… idealista, funciona. Cooperação leva longe; Linux, por exemplo, nasceu e continua como um projeto cooperativo, sem contar toda a política OpenSource que cresce e cresce.

    O mundo cresce competitivo, mas há espaço para aqueles que quiserem cooperar. E mais uma vez, escrevi um minipost em comentário.

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