Sal de Africa pray very uél, an de brasilians is uifi iu, Joel!

Responda rápido: qual o nome do treinador brasileiro que, por conta de sua relação com a imprensa, tornou-se o centro das atenções durante a Copa das Confederações?

Pois é, vejam como são as coisas: há duas semanas, mesmo após duas vitórias convincentes nas Eliminatórias, o alvo da torcida verde-amarela era Dunga. Estreamos na África do Sul com o discurso “torço pela Seleção, mas prefiro não falar do técnico”. Então chegamos à decisão e, pouco antes da partida, o burburinho na rede faz com que os holofotes se voltem para o carioca Joel Natalino Santana.

Por aqui (especialmente no Rio), sua prancheta já se tornou lendária. O que ele fez no Flamengo em 2007, por exemplo, tirando-o das últimas posições do Brasileirão e classificando a equipe para a Libertadores, merece aplausos.

Mas depois que chegou ao país-sede do Mundial, em abril do ano passado, Joel “conquistou” uma legião de críticos. Mesmo indicado por Parreira, seu antecessor, tratava-se de uma presença impopular. Um dos problemas apontados pela imprensa era o idioma: ao contrário do tetracampeão, fluente em inglês, Joel teria dificuldades em transmitir o que deseja aos seus jogadores.

Para minimizar ao menos esta alfinetada, Joel arriscou. Foi no começo de junho, após a vitória sul-africana num amistoso contra a Polônia, que o brasileiro pediu licença à intérprete. “Resolvi começar a falar, mesmo que um pouco errado, porque acho que é melhor para me comunicar com o pessoal”, disse ao Globoesporte.com. A nota lembra da surpresa de Mokoena, capitão do time, na primeira coletiva em inglês do “coach”. “Não sabia que você falava inglês tão bem”.

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Claro que essa aproximação foi celebrada muito mais pelos jogadores, que não se importam com os erros na pronúncia: preferem sentir exatamente o que o professor deseja, com espontaneidade. Nessa toada, a torcida e a imprensa local também comemorou seu esforço e atenção. Mesmo tropeçando, percebe-se que ele entende o que é perguntado, e dentro do possível, consegue ser compreendido.

Não vou negar: quando o vi pela primeira vez, dei risada. Foi espontâneo, mesmo sabendo que a minha pronúncia britânica não é tão diferente. É engraçado sim, mas ao mesmo tempo corajoso – eu não teria a mesma força do carismático Joel diante de um microfone, para o mundo todo – seja ao vivo ou nos milhares de cliques no YouTube.

Também não pretendo julgar quem simplesmente debochou de seu falar exótico. O fato é que, seja em inglês ou português, o brasileiro teve problemas maiores para driblar. A seleção da casa se classificou para as semifinais perdendo para a até então imbatível Espanha, mas vencendo apenas a inexpressiva Nova Zelândia – e empatando com o não menos inofensivo Iraque.

O reencontro de Joel na semifinal, no entanto, fez com que alguns cururus que riram sozinhos de seu “engrish” chegassem a torcer pela presença da África do Sul na final. Isso porque a equipe se superou naquela partida: atacou bastante e defendeu ainda mais. Não fosse o gol milagroso de Daniel Alves, já nos minutos finais, ficaria difícil.

Já nesse domingo, muitos torcedores do outro lado do oceano acordaram cedo para “secar” a Fúria. Quase deu: Mphela abriu o placar, viu Güiza virar o jogo e, de falta, empatou. Tudo isso nos emocionantes vinte últimos minutos de partida. Na prorrogação, a badalada campeã européia fez 3 a 2, deixando os anfitriões em quarto lugar.

Não sei se Joel Santana fica no comando dos até a Copa, mas tanto sua imagem folclórica quanto seu carisma só fizeram com que seu nome ecoasse mais forte por aqui. Pelo que vimos na Copa das Confederações, ele merece um voto de confiança depois de seu time “preied veri uel” e mostrar o que sabe contra Brasil e Espanha. Se ficar, provavelmente “Sal de África” e o “engrish” de Joel vão melhorar muito.

André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

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