Remember: there is no free lunch!

A última vez que fiz referência a esse artigo do Alex Castro, onde ele reafirma que “não existe almoço grátis, e quem não entendeu isso ainda está vivendo em um mundo de faz-de-conta”, o Ricardo lembrou que a expressão “there is no free lunch” é muito comum lá fora. Também se mostrou esperançoso: “talvez agora que conhecemos o termo as coisas melhorem no Brasil, afinal ele é mais que um termo, é um modo de pensar e agir”.

Enfim. Antes de prosseguirmos, dê uma “escaneada” nos parágrafos abaixo, retirados do termos de uso do Blogger – na minha modesta opinião, o melhor serviço gratuito do gênero:

PYRA assumes no responsibility for the deletion or failure to store information entered into Blogger.

PYRA has set no fixed upper limit on the number or posts Member may send or receive through the Service or the amount of storage spaced used; however, PYRA retains the right, at PYRA’s sole discretion, to determine whether or not Member’s conduct is consistent with the letter and spirit of the BTS and may terminate Service if a Member’s conduct is found to be inconsistent with the BTS…

YOUR USE OF THE SERVICE IS AT YOUR SOLE RISK. THE SERVICE IS PROVIDED ON AN “AS IS” AND “AS AVAILABLE” BASIS. PYRA EXPRESSLY DISCLAIMS ALL WARRANTIES OF ANY KIND, WHETHER EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING, BUT NOT LIMITED TO THE IMPLIED WARRANTIES OF MERCHANTABILITY, FITNESS FOR A PARTICULAR PURPOSE AND NON-INFRINGEMENT…

YOU EXPRESSLY UNDERSTAND AND AGREE THAT PYRA SHALL NOT BE LIABLE FOR ANY DIRECT, INDIRECT, INCIDENTAL, SPECIAL, CONSEQUENTIAL OR EXEMPLARY DAMAGES, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO, DAMAGES FOR LOSS OF PROFITS, GOODWILL, USE, DATA OR OTHER INTANGIBLE LOSSES (EVEN IF PYRA HAS BEEN ADVISED OF THE POSSIBILITY OF SUCH DAMAGES), RESULTING FROM … ANY OTHER MATTER RELATING TO THE SERVICE…

IF YOU HAVE READ THIS FAR THEN YOUR EYES PROBABLY HURT. ALL CAPS, WHAT WERE WE THINKING? HOWEVER, WE ARE NOT LIABLE FOR THIS OR ANY OTHER OCULAR MALADY.

Traduzindo a grosso modo: sabemos que pode haver maldade inata e imprevisível vinda de objetos inanimados e não-palpáveis, tais como dados publicados em um blog. Mas não interessa: se der zica, um abraço. Por uma razão simples: você não paga um tostão por esse serviço – que certamente alguém está pagando.

A discussão vai longe, e pode se perder por diversos caminhos. Portanto, vamos nos fixar num caso específico, que deixou muitos usuários de olhos arregalados – especialmente a vítima da história, o Marcelo Batalha.

Certamente você já deve ter caído no Cinzas de Batalha em algum momento – não tem como, afinal o Marcelo faz um trabalho dedicado de filtragem de assuntos como poucos, tornando seu espaço numa espécie de agência noticiosa particular. Entre novembro de 2004 até semana passada, 25 de julho, o Marcelo acumulou 2500 posts – o último deles, inclusive, fazia menção a marca. “É como se fosse um filho, uma extensão do meu dia-a-dia, algo que levo muito a sério”, diz ele.

De repente, puft.

“Desapareceu, sem explicações, sem deixar nem um bilhete… Não por minha vontade, nem por minha culpa”, escreve ele, em uma carta enviada há muitos de seus amigos. O antigo endereço – cinzasdebatalha.blogspot.com – foi substituído pelo erro 404, e seu login e senha já não serviam pra nada. Como se a conta tivesse sido deletada.

Três sentimentos preencheram o Marcelo a partir dali. O primeiro foi o desânimo natural ao constatar que 2500 posts viraram pozinho virtual, ou registros temporários no cache do Google, espécie de “backup dos desmemoriados”. O segundo veio da dúvida, talvez o maior entre os nossos medos: procurou referências sobre “limite de 2500 posts”; disparou mensagens em inglês e português para os administradores; fez amizade com a Stephanie (atendente do serviço)… Busca por respostas, que talvez nunca consiga – como vimos, os termo de serviço admite esse tipo de mancada.

O terceiro, e talvez o mais relevante a essa altura do campeonato, é a volta por cima. “Eu caio, seja por tropeções ou por rasteiras, mas levanto melhor ainda, e com a humildade de sempre vou dizendo (e fazendo), quantas vezes for necessário: ninguém me segura”, finalizou, ao abrir seu novo endereço provisório-quase-definitivo.

Não sei quanto a você, mas a frase “não existe almoço grátis” veio a reboque quando soube dessa história. Se normalmente ficamos decepcionados com serviços ou produtos adquiridos com o suor do nosso trabalho, o que esperar de uma empresa que o faz sem cobrar nada – e mais, deixa claro em seu contrato que a coisa é sujeita a chuvas e trovoadas? Independente disso, tenho certeza de que o Marcelo vai continuar com o sucesso de sempre. Mas desta vez com cuidados redobrados. Acredito ainda que a questão fundamental do blogueiro apaixonado passou por sua cabeça: vale a pena pagar?

Pense com calma, mas lembre-se sempre: there is no free lunch. Ah, sim: evite as supresas provocadas pela maldade inata e imprevisível de objetos inanimados: faça backups.

André Marmota é professor universitário e ouvinte frequente da pergunta “mas e além disso, você também trabalha?”. Quer saber mais?

Leia outros posts em Bloguiado. Permalink

Comentários em blogs: ainda existem? (11)

  1. Eu me convenci, meio tardiamente, que é inútil querer manter intactos todos os arquivos do blog desde o ano dois mil e lá vai fumaça. Ainda tenho os arquivos de anos anteriores guardados numa conta inativa do Blogger (não os disponibilizo mais na Internet), mas realmente pouco me importo se de repente esses posts sumirem no éter. Na Internet, como na vida real, há coisas que nasceram para serem guardadas e lembradas, outras que são supérfluas e descartáveis, e outras que se reciclam. (filosofia barata essa, hein!)

  2. Assim que os primeiros blogs começaram a ser deletados no blogger.br, eu fiquei preocupadadissima com isso. Por sorte, ganhei o dominio do Evilasio. Mas no mês passadoo, até isso de ter dominio passou a ser preocupante. Uma amiga minha que tem um blog em seu dominio pessoal, escreve sobre seu dia-a-dia, viagens e animais de estimação, teve seu espaço invadido por um harker e tudo foi apagado. É como você disse “Faça backups”…

    Beijooo!

  3. Haverá um nome para esse tipo de obsessão por guardar todo e qualquer lixo digital? Disposofobia é para coisas materiais, imagino que podemos chamar o equivalente eletrônico de Disposovirtuofobia.

  4. Pois então, Marmota… Por conta desse tipo de receio, e também porquê, justamente justificada pela frase “não existe almoço grátis”, a empresa que oferece serviços grátis de hospedagem (seja de blogs, fotos, ou o que quer que seja) não tem a obrigação legal de manter o serviço no ar o tempo todo, é que eu busquei soluções pagas.

    Depois de anos, resolvi criar meu domínio próprio, pago, e também uso o Flickr para hospedagem de fotos, numa conta Pro. A garantia é certa pelos back-ups diários feitos pela própria empresa contratada, e o contrato firmado entre nós e a empresa garante que possamos reclamar se algo der errado, exigindo nossos direitos.

    Sei que nem todos têm à disposição tal alternativa, muitas vezes por fatores financeiros. Mas aconselho quem puder fazer o investimento a ir adiante. A tranquilidade é maior. Abraço!

  5. é, sou novato e mais que amador no mundo virtual, tenho apenas um blog, com atualizações pequenas e não muito regulares. Por consequencia disto não recebo muitas visitas. Mas ainda sim vou me importar com o dia que tudo for deletado por conta do limite de posts, isto é consequencia de nos tb, por não ler o contrato com o qual concordamos sempre que abrimos uma conta de e-mail ou um blog. o que diz neles mesmos, se nos informamos talves a concorrencia entre os provedores tornará o serviço melhor.

  6. O Blog do Batalha era um dos que eu visitava diariamente… Só agora tô podendo visitar TODOS os blogs que gosto e vi o que aconteceu. Li, mas não entendi direito o que aconteceu com o blog do Marcelo Batalha… Foi “pau” do sistema ou o sistema implicou com alguma coisa?
    Um abraço…

Vai comentar ou ficar apenas olhando?

Campos com * são obrigatórios. Relaxe: não vou montar um mailing com seus dados para vender na Praça da República.


*