Reinventando banners para deixá-los legais

Desde os tempos do monitor à válvula e da web à carvão, o banner é a forma mais difundida e consagrada de publicidade na Internet. Naqueles anos dourados, vendia-se espaço em uma página em HTML como se fosse de papel. Demorou para alguém se dar conta que o banner precisa ser, acima de tudo, estimulante e pouco intrusivo.

Nesse panorama, a ânsia por impressões e cliques a qualquer preço gerou coisas abomináveis em qualquer site, desde os horrendos pop-ups (que virou sinônimo de praga) até os bonitinhos mas ordinários anúncios derivados do DHTML – aquelas coisas que surgem do nada sem avisar no meio da tela, trazendo em algum canto obscuro aquele imperceptível “fechar”.

Todas essas técnicas do gênero “ei ei, clique em mim, estou pulando em sua frente!” estão levando dois golpes duros. O primeiro vem do próprio usuário, que já se acostumou à presença de anúncios na página e desviam o olhar de qualquer publicidade. O segundo atende pelo nome de links patrocinados: a estratégia do Google (e seus genéricos) de associar anúncios ao assunto principal da página se aproxima bem mais do objetivo de qualquer propaganda: casar perfeitamente o interesse do público-alvo e o perfil do produto.

Não é difícil concluir que os banners precisam rebolar para despertar curiosidade e interesse do usuário, trazer alguma forma elementar (mas agradável) de interação, transmitir uma mensagem agradável associada à marca e – talvez a parte mais difícil – estimular um mísero clique. É um belo desafio, já que ninguém passa o dia navegando à procura de anúncios divertidos e curiosos para brincar e clicar. Assim, as surpresas com anúncios bacanas acontecem naturalmente.

Pois justamente nesta semana eu fui “fisgado” por um desses banners criativos. Já reparou na ampulheta da FedEx ao lado? (Pode clicar quantas vezes quiser, ela está aí só como exemplo). Depois de dois giros por conta própria, ela traz a óbvia revelação “economize tempo conosco”, além de um convite irresistível: “gire”. Basta passar o mouse para que a ampulheta revele mais uma mensagem: “você deve ter muito tempo em suas mãos”. No quarto giro, a mensagem é: “de verdade, você não tem nada para fazer?” Se você tiver algum tempo, é praticamente inevitável não saber aonde vai parar essa brincadeira.

Motivado por esse anúncio, fui atrás de outros similares e acabei encontrando o australiano Bannerblog, cuja missão é exatamente armazenar essas peças publicitárias interessantes.

Ali encontrei mais dois exemplos, da mesma empresa. No primeiro, o internauta é convidado a “ajudar” a FedEx a entregar um embrulho (basta segurá-lo, puxá-lo e soltá-lo, experimente fazer isso com som).

O segundo, bolado pela brasileira DM9 DDB em 2005, conquistou o leão de ouro no Cyber Lions, em Cannes, com uma idéia simples: seu pedido chegará na hora certa.

Já posso ler o comentário do Bear: “essa porcaria de post ficou com cara de propaganda!” – e olha que, pessoalmente, eu prefiro a DHL. Mas a proposta era constatar que, aos poucos, nossos criativos publicitários estão pegando o jeito de se comunicar conosco via Internet. Que beleza!

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (3)

  1. Prefiro essas propagandas divertidas a banners chatos, hehe! Mas depois que mandei o pacote do Fedex pra longe com o elástico, não há uma finalização… fiquei uns 10 segundos aguardando olhando para aquele quadrado branco…

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