Qualquer dia a gente acorda…

Quem assiste ao Casseta e Planeta, Show do Tom ou ao Pânico na TV já encontrou artistas incorporando políticos e outros personagens mensalísticos. Nada mais evidente no país da piada pronta. Mas se é pra satirizar essa turma, por que a TV não presta um serviço ao povo ressucitando os bonecos de Gepp e Maia?

Em 1987, a TV Bandeirantes reformulou sua grade de programação e lançou inúmeras estréias. O infantil ZYB Bom, o programa do Blota Jr, a Praça Brasil (uma “praça é nossa” com o Moacyr Franco), um humorístico para adultos bizarro chamado Senti Firmeza… E o meu preferido: o Agildo no País das Maravilhas, toda terça-feira.

Claro que, com os meus dez anos, me divertia mesmo era com os bonecos – sequer levava em conta que aquilo era um verdadeiro desabafo após anos de censura. Os programas eram temáticos, mas mantinham quadros fixos e personagens vividos pelo próprio Agildo Ribeiro. O tema de abertura começava com “ah, Brasil: qualquer dia a gente acorda, vai olhar ele sumiu…”. E no fim, um Jânio Quadros, em meio a escombros, lamentando: “que porrada…”.

Dois anos depois, o programa mudou de nome e canal: virou Cabaré do Barata e foi parar na TV Manchete. Foi o auge do programa, graças às eleições diretas para presdidente. Collor, Lula, Brizola, Ulisses, Covas, Maluf… Todos cortejavam a “presidência”, personificada em uma modelo. Sarney, Erundina, Clinton e o próprio Jânio também eram impagáveis. O tema de abertura, dessa vez, era mais conhecido: Ney Matogrosso cantando “o que a gente faz… É por debaixo dos panos pra ninguém saber… É por debaixo dos panos se eu ganho mais… É por debaixo dos panos… Ou se vou perder”.

Posso ser o único, mas adoraria ligar a TV e ver Dirceu, Bobjef, Valério, Genoíno, Severino, FHC, Serra, Alckmin… Ao lado de outros “bonecos” que não saem de cena (Lula, Maluf, Erundina…). O riso provocado por sátiras políticas funciona não só como anestésico diante dos contratempos da vida, mas principalmente para compreendermos a complexidade desse país de um jeito bem humorado.

Até porque, se começarmos a levar tudo que nos cerca a sério, a gente deixa de acreditar em muita coisa. Sorria, e seja otimista: pra tudo tem um jeito.

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O assunto deste post rápido surgiu após semanas de intensa troca de idéias e atritos na lista de discussão envolvendo os blogueiros mais politizados da web nacional. O grupo do “Nos na rede” (que nasceu “blog-left” e também pode ser “nós da rede” – o rótulo é o de menos) propôs uma blogagem coletiva voluntária sobre o país, aproveitando o sete de setembro.

Como não vivo a semana mais tranquila da minha vida, e não achei conveniente republicar um texto mais apropriado, fiz meu registro com um dia de atraso. O Gejfin criou o logo e o site oficial da festa; a Denise e a Suzana também organizaram uma relação de blogs que participaram. O próximo assunto, a descriminalização do aborto (tema espinhoso) será em 28 de setembro. Marque na sua agenda!

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