Podcasting na mesa de bar

Já ouviu mais essa palavrinha da moda – podcasting, junção das palavras “ipod” e “broadcasting”? Resumidamente, é o mesmo efeito provocado pelo RSS, onde não é o usuário que busca a notícia, mas sim o contrário. O podcasting, porém, faz o mesmo com arquivos multimídia – especialmente áudio. Seguindo a mesma analogia, os leitores de feeds dão lugar a softwares que transferem os arquivos para o player MP3. O Ipodder é um exemplo de como a coisa funciona.

Outros projetos, ainda que pouco conhecidos, exploram o potencial do áudio on demand. No Rio de Janeiro, alunos da UFRJ produzem programas periódicos para a Rádio Ecomídia. Fora do ambiente universitário, é possível encontrar outras experiências segmentadas. Como o LugRadio, quatro caras apaixonados por software livre (em inglês) ou as entrevistas do Tableless – a última delas com o Jonas Galvez.

Vejam que esse tipo de idéia já perambula pela rede antes mesmo do termo podcasting virar coqueluche. Eu mesmo alimentava um sonho envolvendo Internet, rádio e papo-furado – três coisas que fazem parte da minha vida. Há alguns anos, convidei meus amigos Estúpidos – Adilson, Lello e Narazaki – para pensar em um mega-projeto. Chegamos a nos reunir na casa do Lello durante um final de semana, mas a empolgação acabou quando a gravação do primeiro quadro falhou.

O projeto foi engavetado. Mas outro dia ele voltou, de maneira mais simples: ao invés de um mega-projeto, algo totalmente improvisado. Uma espécie de “Manhattan Connection” em áudio. Nenhuma novidade nesse formato: Vicente Leporace e seu “O Trabuco”, na Rádio Bandeirantes, ou mesmo Candido Norberto e o “Sala de Redação”, no ar há mais de 30 anos pela Rádio Gaúcha, demonstram que a coisa realmente funciona. Seria o “Estúpidos Connection”. Mais uma vez, nossa correria fez com que a idéia virasse vinagre.

Mas aquilo ficou na minha cabeça. Tentei convencer meus companheiros de Virunduns e as Garotas para montar a brincadeira. Seria o “Garotas que dizem Virunduns Connection”. Claro que, novamente em função do tempo, a idéia não saiu das trocas de e-mails.

Ano passado, achei que o “Whatever Connection” pudesse finalmente ganhar vida. Foi numa das noitadas regadas a milk-shake de côco do Burdog. O lendário Vincent Vega, outro apaixonado pelo tripé web-áudio-besteirol, tocou no assunto: por que não uma mesa redonda radiofônica via Internet?

Desde então, a essência do projeto evoluiu – sem nunca ter deixado o plano metafísico. Princípio básico: o estúdio seria uma mesa de bar. Segundício básico: ao invés de um grupo fixo de debatedores, um rodízio permanente, convidando todos que tenham algo a dizer para participar. Em uma semana, Marco Aurélio e Lello Lopes fomentariam uma discussão sobre o papel da religião na vida humana. Em outra, Alexandre Inagaki e DJ Zoio, vulgo DilmarX trariam suas reminiscências oitentistas. Nascia o “Boteco Connection”.

No último encontro com os amigos de 2004, confessei ao meu cumpadi Ian Black as minhas duas proposições de ano novo: retomar o Virunduns ponto com (que pretendo cumprir) e viabilizar o Boteco Connection. Pelo andar da carruagem, no entanto, vai ser preciso encontrar um sujeito determinado o suficiente pra executar o projeto e não deixar a peteca cair.

Por hora, uma pedra. Mas de repente, esse sujeito pode ser você. O que acha?

Na verdade, essa historinha é apenas um pano de fundo para outra: dias atrás, conheci pessoalmente um desses cidadãos determinados. Em outubro de 2003, William Bertolo convidou alguns amigos brasilienses para montar um programinha de TV na web a custo zero. Sua força de vontade era maior que a falta de espectadores, tanto que já são 68 semanas seguidas com programas inéditos. As últimas gravações já rolaram em São Paulo, novo lar do William.

Pois bem. Para seguir adiante com o seu Programa Blog!, William precisava de um novo apresentador. Como não encontrou ninguém bom o suficiente, chamou o primeiro cururu que veio em sua mente. E assim estou lá. Confiram minha primeira (e tosquíssima) participação em mais esse projeto paralelo.

E vida longa ao Programa Blog!

André Marmota pode perder um grande amor, um amigo de longa data ou uma oportunidade de trabalho... Mas não perde a piada infame. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (9)

  1. “Tosco”… mas bem legal!

    A idéia é ótima… pena que não posso me voluntariar a participar… afinal, seria difícil aqui de Toronto.

    A idéia de um “boteco connection”, também.

    abraço.

    abraço

  2. Olá! Entrei em seu blog, pelo blog da Sepukku Kitty e adorei os assuntos, são diferentes dos que trato em meu blog, mas gostei muito dos assuntos. Da objetividade e pela escrita. Está de parabéns, sempre que puder retorno para ler os seus textos. Um abraço da Mestra.

  3. Tamos aí. Se precisar de alguém para animar uma mesa-redonda de filosofia e teologia (ou simplesmente de um filósofo conservador – mesmo, do tipo que e acha que o problema do governo militar foi ser meio socialista demais…), pode contar comigo.

  4. Vi o link no LLL e no Rafael Galvão, vim aqui pra dizer que tenho interesse em participar do projeto.

    A propósito, acabei de me inscrever numa matéria na faculdade chamada Tecnologia Radial. E fico por aqui, em Buenos Aires, até o fim de julho.

    Tô realmente disposto a participar, caso haja espaço pra mais um. Meu email tá aí, aguardo contato.

    []’s,

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