Pequenos lapsos mentais na capital paranaense

Há cinco anos, nesse mesmo final de semana, estava em Curitiba cobrindo um torneio de golfe. Desembarquei em uma manhã de sexta-feira, mal deu tempo de rever o João Carlos Veloso, vulgo Júnior, além de conhecer pessoalmente o Carlos Alberto (JB), o Livio Oricchio (Estadão) e seus filhos. Em pouco tempo deixei as malas no hotel e partir rumo ao Graciosa Golfe Clube, um oásis gigante dentro de uma cidade que já se acostumou a presevar a natureza. Apenas no sábado, pela manhã, pude olhar a paisagem pela janela do meu quarto com mais calma.

Bem na minha frente, do outro lado da avenida Sete de Setembro, localizei a Praça do Japão. Alguns poucos prédios, casinhas de madeira… Até que, de repente, num olhar mais atento, faço uma incrível descoberta.

– Ué, aquela ali não é a ARENA DA BAIXADA?

A arena, o estádio do campeão brasileiro de 2001, até bem pouco tempo o mais moderno do país. Um clube conhecido na mídia especializada como um dos poucos a cultivar um relacionamento mais próximo ao seu torcedor, transformando o estádio numa verdadeira área de interação com os simpatizantes do Furacão.

Era a minha grande chance! Engoli o café da manhã e caminhei em direção ao Joaquim Américo. Atravessei a Sete de Setembro, atingi a Avenida Iguaçu (parecia nova, feita de concreto) e, em uns 20 minutos, avistei a bela fachada do estádio – que fica em frente a um dos milhões de parques municipais, verdadeira mania dos curitibanos…

Para minha surpresa, encontrei todas as portas fechadas. Até a lojinha de souvenirs do Furacão estava devidamente trancada. “Como assim”, pensei. “Onde está aquele modelo de clube tão alardeado pela mídia?”. Enquanto permanecia perplexo, surgiu de repente um funcionário, trabalhava na academia de ginástica instalada no terceiro andar do clube. Tratei de jogar um papo furado para cima dele.

– Amigo, eu vim de São Paulo só para visitar o estádio… Não tem como entrar para conhecer?

– Ih, hoje não vai dar. Sabe como é, feriado…

Feriado? Feriado!!! Mas é claro! Era 12 de outubro… Até os shoppings centers de Curitiba estavam fechados… Como diria Lello Lopes em mais um comentário neste blog: estúpido. Perdi a viagem, mas ao menos tirei uma foto da fachada da Arena da Baixada.

Em tempo, se estiver indo para Curitiba, não perca a viagem. A arena está aberta ao público de segunda a sábado, exceto dias de jogos e posterior aos mesmos. E em feriados, evidentemente.

Mas tem mais – No mesmo final de semana, descobri que tenho um pequeno problema: quando estou animado e com a adrenalina mais alta em função de uma cobertura jornalística (por mais tranquila que seja), eu começo a trocar os nomes das pessoas. Chamei o João de Luiz, o Maurício de Marcelo, o Carlos de Jorge, o Felipe de Nicola… Uma zona.

Até aí, nada que a convivência e um pedido de desculpas não resolva. Mas a coisa funciona diferente, por exemplo, em uma entrevista. Ainda mais quando se trata de alguém com certa presença na mídia: trocar o nome pode ferir o ego do entrevistado, ou pior, desmoralizar o repórter.

Feita essa ressalva, vamos aos fatos. Ao final do primeiro dia de torneio, fomos conversar com o ator global Humberto Martins, notadamente conhecido pelas mulheres por seus papéis feitos sob medida nas telas da Globo: normalmente sem camisa e com poucas falas. Aficcionado por golfe, seu grupo acabara de vencera taça do Pro Am. Mesmo com uma participação discreta no jogo, apenas a presença do ator valia ao menos uma notinha.

Durante a conversa, o estabanado aqui trata de começar uma pergunta

– Agora, falando do seu desempenho aqui em Curitiba, Gilberto, o que você…

Gilberto?

– Meu nome é Humberto – retrucou, na mesma hora, ao estilo “uga uga”.

Felizmente o Carlos Alberto estava do meu lado, fazendo o grande favor de continuar a conversa por mais alguns minutos. No final, pedi desculpas e repeti a pergunta. Em tempo, valeu uma notinha, além de mais uma historinha curiosa.

(Postado em 16/10/2002)

André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

Leia outros posts em E eu, uma pedra. Permalink

Comentários em blogs: ainda existem? (1)

  1. André, sorte sua que só troca quando vai fazer uma entrevista…eu troco direto e reto, e pago muito mico… e olha, até filha eu chamo de “Ô menina”, quando esqueço o nome, e elas de sacanagem não respondem…rsss
    Se algum dia voltar a Minas com mais tempo, vá conhecer o estádio Independencia… e arredores.
    é super curioso e tem otimos butecos em volta…bjos

Vai comentar ou ficar apenas olhando?

Campos com * são obrigatórios. Relaxe: não vou montar um mailing com seus dados para vender na Praça da República.


*