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Oh la la Paris decoup est rolaux!

Se há uma coisa que estou fazendo pouco nesses últimos dias é dormir. Quando consigo chegar à cama, mal dá tempo de apagar a luz e, de repente, é hora de levantar. A última vez em que fiquei tempo suficiente para não fazer absolutamente nada sobre o colchão, consegui até lembrar do que sonhei – isso porque sonhamos toda noite, mas raramente nos preocupamos com esse detalhe.

Pois bem. De repente, estava sentado em uma poltrona à esquerda de uma composição qualquer. Absolutamente perdido, sem qualquer referência espaço-temporal. Como estava no corredor, custei para saber do que se tratava: o veículo corria como um trem, mas era compacto como um ônibus. Vai ver era um bonde… Mas isso não vem ao caso. Fora do comboio, uma paisagem muito verde passava ligeira. Dava até para identificar, vez ou outra, uma ou outra árvore.

Só tive certeza de que era uma viagem turística quando vi, no banco da frente, uma família de japoneses entusiasmados. Fotografavam tudo e a todos, com sorrisos quase artificiais estampados na face. Algum tempo depois, reconheci (acho) uma ou outra palavra balbuciada pelos nipônicos. Era português!

Enfim, como trata-se de um sonho, a explicação para o idioma não está clara. Pode ser a tecla sap do meu córtex. A bem da verdade é que não dá para saber exatamente as palavras, apenas reconhecer a sensação. Como toda sandice desencadeada durante o REM, os japoneses poderiam perfeitamente ter dito algo como “Okuta, melhor recolher o liquidificador para o bagageiro, afinal de contas vai chover e eu quero meu sanduíche de rosbife passado na chapa, sem paralelepípedos”.

Arregalado, entendi o porquê da língua familiar quando o bólido se aproximou da zona urbana. Tenho convicção absoluta: tratava-se da Grande São Paulo. O verde virou cinza. Avenidas estranhas e entroncamentos confusos; carros enroscados em congestionamentos; placas sem qualquer sentido. E o bondinho, com velocidade reduzida, não parou um minuto sequer. Nem os japoneses.

Bem mais devagar, o carro turístico chegou a uma rua larga e bastante movimentada. Prédios baixos com sobrelojas chamativas, toldos coloridos e incontáveis produtos diversos. Todas abarrotadas de gente carregando sacolas. No final da rua, uma última placa verde, com uma seta orientada à direita apontando para uma última saída. Estava escrito, na sequência: São Mateus, Sapopemba e Retorno.

Permanecíamos ignorando quaisquer orientação e seguimos em frente, até uma ponte de defensas baixas. As margens do rio eram distantes, o que tornava a travessia uma verdadeira eternidade. A ansiedade baixou quando vi dezenas de barcos, alguns luxuosos, circulando naquele marzão de água amarelada. Já em terra firme, o veículo anunciou o fim da viagem.

Desembarquei e, pasmo, vi um imenso luminoso, daqueles com lâmpadas incandescentes piscando ao redor e letras pretas tamanho king size:

Bienvenue a Paris!

Meu espanto e abobalhamento era tamanho que despertei logo após mais um flash dos nipônicos – nem pude ver para que lado ficava a torre Eiffel a partir daquele ponto. Pensando bem, foi até bom não ter visto: as chances de uma decepção seriam grandes.

Saí da cama com as imagens do passeio e duas conclusões inabaláveis. A primeira: nada como se sentir uma pedra enquanto dorme. A segunda: mesmo se Paris fosse ligada à um Brasil com pinta de Paraguai por um monotrilho, ainda haveria japoneses fotografando.

(Postado em 13/04/2005)

André Marmota pode perder um grande amor, um amigo de longa data ou uma oportunidade de trabalho... Mas não perde a piada infame. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (3)

  1. Aemeodeos, precisamos urgentemente de alguém que interprete nossos sonhos. Aquele do Inagaki com a escada até hoje martela minha cabeça (pô, a traumatizada com escadas aqui sou eu) e agora vem você contar essa sua aventura “sonífera”. Genial… Mas, como sempre, tinha que ter uma pedra!

  2. Muito bom o post! Eu também procuro postar sonhos… sempre que vale a pena, hehehe!

    E hoje que eu sonhei que meu pai me acordou, disse que o metrô estava em greve, e que eu não precisaria ir trabalhar? Isso porque ele nem mora comigo, hein! Hehehe!

    Abraço, André!

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