O que pensa sobre o fenômeno Orkut?

Vamos finalmente diluir os resultados da nossa última enquete, a respeito do inorkutil – batizado pela Veja desta semana como a “gincana da popularidade” (em matéria que, convenhamos, limita-se a fazer como as milhões que só apresentam o brinquedinho).

– Abrimos com a coluna de Luiz Caversan, que observa o porquê da popularização do orkut: nossa indissociável vontade de fugir do isolamento. “O que realmente chama a atenção é a quantidade de gente que começa a se aproximar mais, querer se aproximar um pouco, a procurar, enfim, algum tipo de aproximação. Todos cheios de amor para dar… Mas, resistir à possibilidade de não estar só, quem há de?”.

– Isso posto, comecemos a analisar friamente o resultado da enquete. No começo, achei que poderíamos dividir, de maneira rasteira, os usuários do orkut de duas maneiras: os viciados e os incrédulos. A primeira leva, que se entusiasmou com a brincadeira, corresponde a 31,9% dos nossos visitantes.

– A segunda, contestadora, não vê qualquer utilidade no negócio, taxando-o de imprestável, entre outros adjetivos ligados a perda de tempo. A turma de reacionários é composta por 25,5% entre todos os participantes da nossa enquete.

– As turmas, no entanto, são intercambiáveis: os incrédulos, de repente, encontram novos contatos profissionais, reencontram velhos conhecidos, elaboram sólidas discussões… Acabam se enturmando. Já os viciados ficam cansados de tanta diversão e acabam se enchendo. Muitos amigos já deletaram seus perfis no orkut. Sem falar em outros que já convivem bem sem ele.

– Outro grande motivo para odiar o orkut: o excesso de mensagens direcionadas a comunidade e aos “amigos dos amigos”. São centenas de avisos desnecessários todos os dias. Alguns norte-americanos, indignados com o excesso de brasileiros no sistema, questionam a presença desse “bando de arruaceiros”.

– A pior constatação é que muitos brazucas realmente se comportam como arruaceiros, como bem observou o Marco Aurélio: “a notícia de que existia uma “comunidade anti-Brasil” começou a espalhar-se rapidamente, e a confraria do Gary foi rapidamente invadida por uma horda de brasileiros apaixonados pelo seu país. Quem espera racionalidade de alguém apaixonado?”.

– Falando em paixão, taí uma das boas utilidades do orkut: tenho o prazer de anunciar a união de Luiz El Loco Fagundes e Lucy Blimunda Sete Luas, graças aos préstimos de uma comunidade criada pelo excelentíssimo cupido Lello Bebê Diabo Lopes. De minha parte, entupi minha “crush list” de moças solteiras (claro que, minha trivial falta de sorte, faz com que esse ato limite-se a um passatempo bobo).

– Outro uso brilhante, encontrado pelo Fernando Max Ferreira: “o orkut serve para arrumar fontes! Tenho de fazer uma matéria sobre viagens de mochileiros, mandei um spam para a comunidade e já tive duas respostas, em menos de uma hora!”. Também fiz isso antes de instalar o WordPress (tive várias respostas incentivadoras), além de acionar alguns jornalistas gaúchos sobre mercado de trabalho no sul (desta vez, respostas desanimadoras).

– A turma dos incrédulos é formada ainda pelos amantes das conspirações. Os mesmos que espalharam a notícia de que o banco de dados do sistema vazou, entre outras teorias. A estes, uma observação evidente: independente das questões técnicas, É CLARO que o Google vai usar esse banco de dados para faturar. Fica a critério de cada um jogar no orkut as informações que julgar necessárias. E viva o capitalismo.

– Como disse, a divisão entre “viciados” e “incrédulos” é bastante superficial – assino embaixo o comentário do Marfil: “a enquete me pareceu um pouco digital (ou zero ou um). Não fiquei viciado, mas também não considero uma perda de tempo. Achei bem interessante, mas infelizmente meus amigos não são fanáticos pela Internet e portanto não consegui usar todos os recursos fantásticos do orkut”.

– A Sílvia também não se viu na enquete do MMM: “nenhuma das opções se encaixa no meu sentimento atual. Acho que preciso encontrar umas comunidades mais animadas porque o pessoal anda muito pouco virtual nas que eu entrei até agora”.

– A conclusão? Praticamente a mesma da Daniela Castilho: Internet está longe de ser tecnologia, estamos falando em PESSOAS. “Se todas as pessoas mais sérias simplesmente abandonarem o site, só irão sobrar mesmo os piadistas e os bagunceiros. Mas se o pessoal que está usando a ferramenta com propósitos de discussão e de contatos reais continuar usando-a regularmente, com o tempo a comunidade inteira se tornará mais sólida, mais interessante”.

– Encerrando com as opções restantes: 17% ainda esperavam por convites (não seja imbecil em comprar um e vá arrumar amigos). Outros 25,5% perguntaram se “yokult não é aquilo que vem lactobacilo”. A estes, segue mais uma das milhares de sugestões de reportagens sobre o tema: a da Folha Online.

Chega. Até segunda ordem, não se fala mais no Estranho Mundo Azul de Orkut Buyukkokten por aqui. Agradeço aos 47 leitores de sempre pela participação, e aproveite pra votar na nossa enquete atual, sobre o bruxo mais valioso do mundo (bem feito, Paulo Coelho).

Comentários em blogs: ainda existem? (6)

  1. Bom, eu achei o objetivo da coisa toda (com a ajuda do Lello, claro). Acho q no fundo nem tem mais sentido para mim. Ficarei lá como gratidão.

  2. Puts… eu acabei de receber um convite. Estou com medo de aceitar, entrar no bagulho, viciar e ter que abandonar no meio do caminho por falata de tempo… Por enquanto eu sou da turma do “Yakult?”… Abraços!

  3. Depois de ter encontrado o Lú, o Orkut vai me ajudar a arrumar padrinhos que nos ajudem com as fraldas e mantimentos porque criança come muito. Ah, você e o Lello são os padrinhos, antes que eu me esqueça.

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