Não acredite em pesquisas sobre relações

Ah, os relacionamentos… Este filme em que não se consegue compreender o enredo, em que a cada instante os personagens mudam, o cenário muda e a trama não se resolve, como bem definiu a Joanna. Melhor que sentir isso na pele é falar a respeito deles. Com apenas duas falas, pinçadas em caixas de comentários, podemos jogar mais lenha nessa gigantesca e interminável fogueira.

Tudo começou quando Thakira Kournikova, a rainha dos templates, postou em seu blog o resumo de um curioso press release não identificado. Tratava-se de uma pesquisa feita por uma grande agência de casamentos, revelando o perfil do encalhado brasileiro. Reproduzo abaixo as palavras da nossa ilustre amiga santista.

A pesquisa concluiu, entre outras coisas, que a traição dói mais no homem do que nas mulheres; que elas acham que as “transas” estão muito rápidas e eles acham que estão muito longas; que elas reclamam que eles são mentirosos e eles dizem que elas são inseguras; e que os homens acima de 31 anos querem amor e dedicação, as mulheres viraram workaholics, deixaram de ser acolhedoras, receptivas e dedicadas ao relacionamento.

Finalmente, o perfil de homens e mulheres que não conseguem arrumar ou manter companhia por muito tempo. As mulheres são obesas, com muitos filhos, cabelo muito curto, intelectual demais (entende-se pouco afetiva), sem formas femininas. Já os homens são baixinhos, cabelos compridos, sem cultura. E também têm muitos filhos.

Diante disso, deixei por lá um comentário (sem qualquer segunda intenção, garanto):

Engraçado... Tenho 1m85, cabelos curtos, fiz pós-graduação lato sensu (mas estou longe de ser um acadêmico chato), não tenho filhos... Por que estou encalhado então?

Em poucos minutos, a resposta:

Caramba Marmota, não sabia que você era um cara tão alto. Bem, enfim, acho que estamos encalhados justamente por dedicar tanto tempo ao blog e não conhecer pessoas normais, que saem para tomar cerveja todos os dias depois do expediente, dançam em bares lotados, vão ao shopping andar e olhar vitrine... ainda bem que eu não sou normal, risos.

Hora de aproveitar a deixa para entupir seu final de semana com mais dúvidas: você concorda com a pesquisa acima? Encalhados do Brasil, será que não somos pessoas normais? Aos que não tem motivos para reclamar, vale a pena perder tempo discutindo teorias da encalhação e derivados?

Comentários em blogs: ainda existem? (9)

  1. Pra chegar a esse perfil da encalhada, cá pra nós, nem precisava de pesquisa. Aliás, o que sempre espanta é que as que têm essas características não estejam todas no caritó, de acordo com os estereótipos mais comuns.

    Mas isso é cada vez menos verdade, porque cada vez mais vejo mulheres que são exatamente o contrário do perfil típico nesse mesmo desespero.

    Bem, eu não sou baixinho, não tenho cabelos compridos e tenho um tiquinho de cultura (o que não garante que não seja chato). E, obviamente, estou encalhado, embora goste disso.

    De qualquer forma, Acho que a Thakira tem razão. Deve ser o diabo do blog. Eu vou começar a aprender a gostar de levar cotoveladas em boates cheias demais.

  2. Lembra aquelas palavras do Ralfh (Ópio) de final de ano? dizendo que deveríamos sair do mundo virtual e ficar perto de pessoas cheirosas? pois é. Não deixa de ter um fundo de razão a proximidade da máquina (internet) e o distanciamento físico do resto do mundo. O difícil é quando se trabalha com isso (web) o dia todo.
    Se é mais feliz quando internet vira acessório e não principal. Já estive dos dois lados…
    Mas, voltando ao assunto principal, sabes que muitas vezes a web auxilia a vida pessoal. E como. Somos prova disso. Por isso, não podemos por a culpa nos blogs e afins por nossos desencontros afetivos. Devemos sim é fazer mudanças quando não estamos felizes com o que somos ou vemos que “deste jeito não dá”. Mudar o time quando se está perdendo é uma boa e indispensável solução…
    Como diria um Jedi, ou quase isso, a força está com você…

  3. oi, André! Hoje vou falar pouquinho(risos). Sabe o que realmente eu penso: encalhados, desencalhados, altos, baixinhos, intelectuais ou não, com ou sem filhos; Rótulos, Rótulos e Rótulos! Será que tudo é muito mais simples(ou complexo), do tipo uma Revolução de Valores e padrões pré-estabelecidos há milênios, e que agora, alcançam o caos, o Clímax! (uau, esse nome foi forte prás “os encalhados”…pelo menos prá mim, é!). Apesar de já ter “desencalhado” algumas vezes, hoje, por opção, refugio-me mais ao Mundo Virtual (disse bem a Joanna), mas como sinto falta do Calor Humano! Só que não dá prá sair atirando prá todo lado…Esperar prá ver! Olha, citei vc hoje, provocou uma Revolução em mim, sabia? Passa lá no Blog, e vai ver. Inserir, tb, vc nos meus Blogs favoritos, espero que não se importe. Beijinhos, MegaPoPBlogSiteMarmotaStar!
    Ceci

  4. Eu acho que isso é muito relativo. Eu tenho uma amiga que é linda, advogada, adora sair, está sempre saindo com os amigos e faz tudo o que uma pessoa “normal” faz. Ela chama bastante a atenção, mas diz que os caras são uns vazios e que é impossível manter alguma conversação de nível, que eles só querem contato, digamos, físico. E está encalhada também. E como ela, tenho outras no mesmo barco. Em compensação, tenho outra amiga mais “gordinha”, que faz mestrado, toda intelectual que acabou de encontrar sua “cara-metade-paixão-fulminante” e casou, justamente, dentro da Academia (ele é doutor em alguma coisa na mesma faculdade).

    Pesquisas que visam recolher estereótipos na minha opinião, acabam forçando a barra. O nível de encalhamento depende das exigências individuais. Mas acho que pessoas inteligentes (com um papo legal), sensíveis e que queiram um relacionamento estável, são cada vez mais raras.

  5. Valeu pelas piadas guardadas… para o encalhe, não sei, acho que a resposta deve estar na linha do “variar”. Pessoas, jeito de ser, variar, descobrir (pra variar). Beijos!

  6. Cara, o fenômeno do encalhamento se deve ao fato de que os próprios encalhados não entendem um princípio único da natureza humana: o bicho homem vive em busca de sexo. E o que nos faz não sair por aí transando com qualquer um é o fator cultural em que estamos enquadrados.

    E mais: entendo que vivemos numa época de “culto ao corpo”, onde os aspectos físicos são os quesitos mais valorizados num possível parceiro. Quem não se enquadra nestes preciosos valores está fora da brincadeira.

    E eu ainda continuo me recusando a gastar horas preciosas da minha vida em uma esteira idiota de academia.

  7. Oi menino, essa história rendeu, heih? Bem, eu estou sozinha há alguns anos, melhor nem dizer quando foi a última vez em que… deixa pra lá, risos.
    Vamos lá, eu acho que estou sozinha porque:
    1) Trabalho todos os dias até 1 hora da matina. Tá certo, estou livre todas as manhãs, mas quem é que vai querer namorar nesse horário? risos.
    2) Tenhos 4 dias de folga por mês (dois finais de semana). Se você perguntar como eu gosto de passar esse tempo, vou dizer que é em casa, arrumando meu quarto, lendo, ouvindo música. Eventualmente, vou ao cinema. É isso.
    3) Não gosto de lugares lotados e barulhentos (bares, boates, shows). Recuso todos os convites desse tipo educadamente.
    4) Conheço alguns caras legais, mas eles já tem namoradas, namorados e esposas.

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