Dez anos de Interney Blogs

Manhã do dia 22 de fevereiro de 2017. Estou sentado em minha poltrona favorita, lendo algum dos livros acumulados na biblioteca, não mais inertes desde o feliz dia em que tive a brilhante idéia de trabalhar apenas cinco horas por dia. Olho para a janela da sala, com vista para o quintal. Posso ver minha mulher entretida com nossos dois filhos mais novos – o mais velho está passando férias na praia. Não demoro para interromper meu descanso assim que a campainha toca. Creuza, nossa empregada, vai até o portão. Um carro sedan de cor preta está encostado, e um simpático rapaz diz a ela:

– Bom dia. Eu vim buscar o André Marmota e sua esposa para a festa do Interney.

A mãe dos meus filhos arregala os olhos. Respondo indignado: como uma mulher é capaz de esquecer datas? Pego minha inseparável bolsa carteiro enquanto ouço um “fique de olho nas crianças, Creuza, não deixe eles bagunçarem a biblioteca!”. Dou um abraço nos moleques, digo até logo para a empregada, cumprimento o sorridente motorista e entramos no banco de trás do carro.

Horas depois, já estávamos descendo a Imigrantes. Não fazíamos idéia de onde estávamos indo. Ligo meu smartphone na rede WGSM e tento descobrir algo em blogs, comunicadores ou streamings ao vivo: tudo que vejo são conhecidos apontando suas webcams para os bancos de couro ou para os túneis da estrada: a surpresa era igual para todos os convidados.

Desembarcamos em frente a uma área nobre do terminal de passageiros no porto de Santos. Lindas moças vestindo camisetas brancas com a logomarca “Interney Group” sorriam e desejavam boas vindas. Na sala de recepção, pude rever uma porção de amigos queridos e conhecidos das centenas de encontros blogueiros anteriores. Uma linda confraternização. Pude ouvir alguém gritar, quando chegou. “Isso é a prova de que todo o empreendedorismo dessa gente e debates sobre monetização valeram a pena! Um viva ao precursor das grandes redes de blogs no Brasil!”. Minha esposa fez cara de tédio: há dez anos é obrigada a ouvir o mesmo discurso da monetização…

Finalmente, o burburinho da sala é interrompido por um longo e estridente apito marítimo. A parede da recepção se abre, revelando um navio gigantesco. Na entrada, usando farda branca e quepe, Edney Souza abre os braços e grita, com um sorriso de orelha a orelha: “todos à bordo, pessoal!”. Ouvi aplausos intermináveis até conseguir chegar ao anfitrião, dar-lhe um forte abraço, dizer “parabéns” e finalmente colocar meus pés na luxuosa embarcação.

Concluí um rápido giro pelo cruzeiro após conhecer minha cabine particular, onde passaria as próximas duas noites, e quando me dou conta, já estava em alto mar. No convés, cada instante, paro para cumprimentar algum conhecido, dizer “quanto tempo” e “quanta saudade”, perguntar como vão as coisas… No meio da tarde, todas as rodas de bate-papo sumiram com o barulho de um helicóptero, que chega cada vez mais perto. Pousa com segurança no heliponto do navio. As hélices param e Alexandre Inagaki, ao lado de Ian Black, descem do veículo. Palmas ecoavam de todo o barco. “Desculpas pelo atraso, pessoal, estávamos fechando negócios importantes”, justificaram. Mais aplausos.

A festa continua à noite, com o baile de gala. Muitos convidados caminhavam pelo salão com seus gadgets: era possível acompanhar ao vivo cada detalhe por centenas de streamings particulares ou exclusivos canais de IPTV, retransmitidos por pelo menos duas redes de TV aberta. Ao contrário do que fazia antigamente, tirei meu traseiro gordo da cadeira para circular por todas as mesas, invadindo as rodinhas de prosa.

Elegante e sempre ao lado da Cláudia, Edney fazia seu discurso. “Foram noites em claro em pleno Carnaval para que estreássemos naquela noite de dois mil e sete… Agradeço aos meus colegas e a todos que colaboraram para que este encontro se tornasse realidade…”. Num relance, uma cena que valeu por toda a viagem: dois velhos conhecidos, que andavam de relacões cortadas, se aproximaram amistosamente.

– Sinceramente, nem sei mais por que brigamos… Definitivamente, foi uma tremenda bobagem.
– Na verdade, foi você quem brigou. Eu estava o tempo todo aqui, pronto para te ajudar no que fosse preciso!

Os dois riram e se abraçaram, felizes. Era a deixa para mais uma cutucada da patroa: “você devia fazer o mesmo e ir falar com aquela sua ex um dia…”. Não deixei ela completar: ao menos em algum aspecto eu devia continuar teimoso.

Já era dia 23 quando atracamos em Búzios. Lógico que, antes de caminhar pelas ruas estreitas em busca de um crepe, tratei de escrever meu relato e publicar no blog. Até fiquei tentado a ler as outras centenas de histórias similares que piscavam em minha tela… Ah, marquei todas como lidas e segui festejando na praia. Afinal, nossa vida é muito curta para ignorarmos paisagens tão enriquecedoras e pessoas ainda mais.

André Marmota é um rei momo sem dono, sem trono, um pierrot mal-amado... Não, esperem, esse é o Ed Motta. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (17)

  1. Não conheço (ainda) o Edney pessoalmente, mas essa é uma boa hora pra dizer que, pelo MSN, ele me parece a pessoa mais acessível e paciente do mundo. E que sim, ele é capaz mesmo de passar carnavais(!!!) trabalhando pra colocar o Interney Blogs pra funcionar.
    Também é uma boa hora pra dizer que uma vez você me disse que tinha conhecido e conversado com o Edney e que ele era uma boa pessoa, confiável. E isso pesou na hora do meu blog vir pra cá.

    Parabéns ao Edney então, que teve essa visão além do alcance e que merece comemorar 1, 10, 50 anos de Interney Blogs – apesar de eu achar que ele é capaz de criar nesse meio tempo muitos outros projetos melhores e mais bem sucedidos.
    E, puxa, que texto bacana, hein? Homenagem sem puxação de saco. ;)

  2. hahahahahaha… eu adorei, engraçado, mas eu faço a mesma coisa com meu futuro próximo, e é muito divertido!

    abs! simplesmente genial!

  3. Genial, André, adorei!
    Todos vocês, geniais sonhadores, estão de parabéns por tirar a bunda da cadeira e transformar o sonho em realidade.
    Me deu até vontade de voltar a blogar só pra estar lá no cruzeiro com gente tão querida e bacana.

  4. Oi. Muito bom!
    Tenho certeza que o japones deve estar todo metido se imaginando no helicoptero! Hahaha… ele merece! ele merece! :)

  5. pô, além de tudo, vc ainda consegue ver o futuro com essa nitidez perfeita. vcs merecem isso e muito mais. parabéns!

  6. ô textão bom! Sorri, ri, gargalhei, emocionei. A gente gosta mesmo de andar em bando… senti tua falta no último encontro. Vale a pena fazer aniversário nesta rede, né não?

  7. Mais do que a profecia dos milhões na conta do Edney, gostei da previsão de que daqui a 10 anos essa blogueirada ainda estará reunida. E lá estaremos nós para bingar mais uma vez, com novos verbetes na cartela e outros trocadalhas engraçados!

    Abraço

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