Desvendando o Internauta-padrão, parte 2: o plagiador

Ainda existem pessoas boas na Internet. Elas sonham com um mundo virtual repleto de gente disposta a colaborar. Mesmo que seja pensando um tiquinho, mas trata-se de uma idéia que pode perfeitamente crescer e se desenvolver nas mãos de outras mentes bem intencionadas.

É uma pena que o Internauta-padrão não goste de pensar. Um dos tipos mais comuns dessa raça descende das salas de aula há muitos anos. Quem não conhece algum coleguinha estudantil que, ao invés de produzir seu trabalho como se deve, simplesmente copiou algum artigo na biblioteca?

Quem é o Internauta-padrão plagiador?

Conheça o Plagiador 1, estudante de primeiro grau de uma escola qualquer cujo perfil do Orkut é um texto do Inagaki. Sua professora pediu para entregar um trabalho qualquer, e ele prontamente foi ao Google encontrar algumas páginas para imprimir. Ele sequer teve o trabalho de copiar e colar o texto para um editor: entregou folhas grampeadas com a indicação de URL impressa embaixo…

Teve mais uma chance de entregar um texto diferente, mas prefeiu acessar o “Zé Moleza”, um site que disponibiliza trabalhos escolares prontos, e fazer algumas mudancinhas no Word. Não deu certo. Foi reprovado.

Mas não aprendeu. Descobriu que um amigo faturava uns trocados com um site na Internet. Decidiu abrir um blog. Copiou um template, entupi-lo de anúncios e “caçar” algum conteúdo. Não perdoou ninguém: trazia para sua pagininha vagabunda todo tipo de notícia, poema, crônica… Incluia meta tags, links e imagens internas… Um amontoado de coisas que sequer eram lidas direito.

“Será que esse cidadão não teve educação em casa?”, perguntaria você. Na verdade, não. Seu pai, Plagiador 2, ganhou recentemente um concurso literário. Concorreu com um texto que não era dele. Pergunte para o autor original se ele gostou de saber que ganhou, mas não levou. Seu irmão, Plagiador 3, doutor e professor universitário, deve ser aquele “amigo” do Helder da Rocha.

Características do Internauta-padrão plagiador

– Acha fácil fazer um site, mas nunca teve qualquer intimidade com conteúdo: jamais teve a pretensão (ou vontade) de escrever ou tirar fotos.

– E talvez jamais consiga.

– Acredita realmente que, se está na Internet, é de domínio público – ou está ao deus-dará.

– Por isso, ignora solenemente que, para cada linha produzida, existe um AUTOR por trás dela.

– Nesse cenário, propaga conteúdo alheio com ressalvas do gênero “não importa quem escreveu, já que essa página não tem compromisso com nada, só reúne o que acho legal”.

– Quando são advertidos, costuma dizer que “não sabia”. Ou que “não fez nada errado”.

– Ou fazem pior: ao invés de simplesmente colocar um link citando a fonte, dizem “eu gostei, por isso reproduzi, mas já que é assim eu nunca mais olho na sua cara”.

Eu sou um Internauta-padrão plagiador!!! E agora???

Em poucas palavras: você é um idiota. Mas ainda tem salvação.

Poderia simplesmente dizer: caso decida reproduzir conteúdo de outras fontes, verifique os termos de uso – no meu caso, tudo que exijo é o link da origem, para que seus usuários saibam que o texto não é seu. Mas isso não é o suficiente.

O ideal seria dizer: estude. Não passe pelo nível médio ou pela universidade como mais um semi-analfabeto. Nada contra você não conseguir escrever seus próprios textos, mas experimente pensar um pouquinho que seja. Com o tempo, você se acostuma.

Há quem simplesmente defenda a proibição sumária dessa gente a criar qualquer documento. Acho exagerado. O problema não é a Internet, mas a falta de comprometimento e respeito entre as pessoas. Enquanto um sujeito se vangloriar usando trabalho alheio, tudo que posso sentir é pena, já que esse cururu não vai muito longe.

São muitos os preguiçosos, a vida vai seguir seu caminho, e eu tenho fé: os medíocres que não forem pegos, vão cair sozinhos. Logo, para o seu bem, mude enquanto é tempo.

Na parte 3: a estrela.

Para não restar dúvida: é óbvio que plágio é feio, e que todo mundo tem direito de procurar seus direitos quando encontra um texto copiado. A Sandra e a Nospheratt talvez sejam as maiores combatentes dessa prática. E eu seria um imbecil em criticá-las, ou qualquer um que procure acabar com esse problema.

Eu não procuro por textos meus em outros blogs, e quando me avisam, só tomo providências em casos extremos – e é simpes, o Blogger o WordPress ou qualquer serviço de AdSense bloqueiam rapidinho diante de uma denúncia. No geral, pode ser que você não acredite, mas eu não tenho a menor pretensão em fazer sucesso com isso aqui. Quero mais é que você apareça e se divirta!

E vamos ser realistas, como fizeram o Idelber e o Rafael. Só existe um jeito de impedir conteúdo com qualquer propriedade intelectual não ser copiado: não publicá-lo. Não é conformismo, mas uma constatação.

Uma das maiores discussões em qualquer empresa de mídia é justamente defender interesses autorais em uma realidade que caminha para o código aberto – aberto é diferente de grátis, hein? -, porque um dos maiores erros é achar que a Internet é só mais um veículo, como os outros.

Tem mais. Eu sei, e você sabe, a blogosfera está cheia de gente boba e egocêntrica. Não perceberam que o rótulo de “blogueiro famoso” é tão grande quanto “miss Cangaíba”. Em cima desse Olimpo que só eles são capazes de ver, disponibilizam conteúdo em Creative Commons, por exemplo, mas ao encontrarem uma reprodução seguido da fonte, gritam “copiaram meu texto!!!”.

E quando reclamam quando alguém usou, por exemplo, a mesma fonte de notícia para escrever um texto parecido. “Plagiaram minha fonte!!!”. Ou pior: “copiaram minha sequencia de links! É plágio!!!”. Provavelmente, nem usam Windows original.

O que dizer dele? Internauta-padrão estrela, claro.

Não deixe de ver a Parte 1: o Internauta-padrão crente

Atualizado – Fazia tempo que um texto não atingia um nível tão bacana de debates. Em um mundo ideal, o respeito e os valores humanos deveriam sobressair a qualquer outro aspecto, como vimos nos comentários. Como isso é impossível, o negócio é mergulhar na discussão e traçar objetivos para evitar que a coisa fique preta.

Enfim, a briga só aumentou porque, de um lado, temos a legislação capenga envolvendo direitos autorais. Do outro, a novíssima e incompreendida liberdade da rede. As duas possuem inegáveis aspectos positivos e negativos, mas vivem um momento delicado de confronto direto, cada vez mais intenso.

Até esses dias, ainda existia gente capaz de engolir as frases feitas de sempre, fundamentadas na ingenuidade ou desconhecimento, e a boa vizinhança seguiria seu trajeto. Mas a incapacidade de pensar e refletir (premissa do Internauta-padrão) está formando uma geração que vai além dos ignorantes que ainda não perceberam o potencial colaborativo da rede, mas especialmente picaretas que faturam às custas de escritores anônimos – e ainda admitem sem medo de serem feliz.

O mais legal é saber que tem muita gente envolvida no debate, em busca de respostas. E só o tempo vai ser capaz de fazer a poeira baixar após várias tentativas e erros.

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