Cinco coisas que me irritam profundamente

Eu tinha quase certeza de que um “meme” é como se fosse um “vírus cultural”, uma idéia propagada por aí, seja de maneira espontânea ou provocada. Quando sou convidado para participar dessas brincadeiras, imaginava que estaria “propagando o meme”, ainda que voluntariamente.

Pois o MarioAV deu uma bronca, e a carapuça serviu em mim. Iniciativas como a de escrever cinco resoluções de ano novo é uma “corrente”. São tão espontâneos quanto qualquer outro spam inútil, como pedidos de doação de sangue, abaixo-assinados, etc.

Pois bem. O Bruno Alves me convidou para essa brincadeira: escrever sobre cinco coisas que me irritam. Ele recebeu a “corrente” batizada como “mini-meme”. Se eu errava em classificar qualquer coisa assim como “meme”, suponho que “mini-meme” seja algo ainda mais surreal…

Enfim. Ao contrario do Bruno, que se irrita com facilidade e poderia fazer listas gigantescas com uma série de besteiras que o deixam assim, eu sou um sujeito bem mais paciente e tranqüilo. Mesmo quando tenho muita vontade de gritar e ofender gerações inteiras, costumo ficar na minha e deixar o tempo passar.

Assim, tive que escrever coisas que realmente me tiram do sério, e não qualquer besteirinha aí.

#5 Pessoas que sabem tudo – Dizem que a perfeição só é possível após muitos erros. Isso quer dizer que amanhã ou depois eu serei perfeito. Eu cometo erros todos os dias. Tenho me esforçado cada dia mais para não falhar, mas elas acontecem sempre. A causa mais comum desses equívocos é minha desatenção, desconcentração momentânea. E sempre quando isso acontece, acabo assumindo o erro e, consequentemente, me sinto mal por ter escorregado.

Não sei se isso acontece com você. Talvez por ser assim, costumo entender com facilidade sempre que alguém comete um pequeno deslize. É muito difícil ficar irritado com falhas alheias (a exceção vem logo abaixo). Em compensação, existem pessoas que não falham nunca. Estão sempre atentas com tudo e com todos. Mais do que isso: destratam qualquer um que tenha um neurônio a menos.

As pessoas que sabem tudo testam você o tempo todo. Quando pedem uma sugestão, costumam responder com “olha, eu não faria desse jeito, vai dar merda, mas já que você quer assim…”. Quando você falha, perdem totalmente a paciência. “Put I keep are you, agora vou rever tudo que você fez, deve estar cheio de erros”.

Pessoas que sabem tudo são infalíveis: se eu digo “vamos fazer assim, sempre que tivermos alguma situação conflitante, você resolve, afinal, costuma tomar as melhores decisões”… A resposta é imediata: “Claro, você sempre escolhe fazer a coisa mais simples, seu ignorante. Está aprendendo bem com o zelador”. Pois é. Além dessa mala sem alça arrotando sabedoria, ainda somos obrigados a conviver com…

#4 Pessoas que não sabem nada – Já escrevi dias atrás sobre o Princípio Dilbert. Recapitulando: todos nós, funcionários com carteira assinada, somos idiotas. Convivemos com pessoas que cometem atrocidades no dia-a-dia e continuamos a agir como idiotas. E de acordo com o Princípio Dilbert, todos aqueles que falham repetidas vezes, demonstram total falta de criatividade e se mostram ineficazes nas tarefas corriqueiras acabam transferidos para lugares onde atrapalham menos. Normalmente, os cargos de gerência. O efeito é parecido com o de um zelador contratado ontem assumindo a presidência da firma amanhã – se bem que o zelador corre o risco de se sair melhor.

Para não me alongar muito, reproduzo aqui mais um comentário do MarioAV, coincidentemente no mesmo post da bronca: … A coisa com que mais não me conformo é que pessoas vastamente inteligentes, consideravelmente talentosas e sensivelmente instruídas, assim que atingem o domínio do próprio negócio, acabam virando essas porcarias de chefes. Vi isso tão repetidamente que comecei a me convencer de que é a regra e não a infeliz exceção. As manifestações são igualmente previsíveis e repetitivas: estragam produtos tentando fazê-los ser o que eles mesmos querem em vez do que aquilo que o público quer; ignoram e castram a iniciativa honesta dos subordinados; dissipam o capital da companhia em eventos e festas de puro narcisismo que nada deixam como dividendo de maketing; colocam gerentes mau-caráter para fazerem o “serviço sujo” em seu lugar; perdem oportunidades de negócio por não moderarem a ganância. Enfim, isso merecia um megapost, um blog inteiro, um livro em vários volumes, mas se você visitar a seção de administração de uma livraria, os conselhos para evitar tudo isso já estão todos lá. E mesmo assim os “visionários” da “nova era” repetem as cagadas infinitamente.

Acho que não precisa de um megapost, já está bem claro. Tenho certeza de que você conhece alguém assim, mesmo que não seja alguém do seu ambiente de trabalho.

#3 Trânsito paulistano – Eu devia estar acostumado a essa porcaria de cidade não-planejada. Afinal, levo diariamente umas quatro horas para me deslocar entre motociclistas irresponsáveis, motoristas cegos e sem noção de tempo e espaço, espertalhões apressados piscando a luz alta na faixa da direita… Tudo na mesma hora e nos mesmos lugares.

Nem adianta plugar o mp3player no aparelho de som para driblar as rádios-piratas que normalmente atrapalham minha tentativa de ouvir noticias. A única maneira de relaxar completamente é xingar. Bem alto. E ninguém escapa. Talvez seja esse o único momento em que eu realmente consiga expectorar toda a violência concentrada em mim: sozinho, enquanto dirijo. Nessa hora, sobra até para O Zelador e para O Infalível.

#2 Falta de confiança – Não vou chegar ao extremo e dizer que “fico irritado com qualquer mentira”. Entendo que existem circunstâncias em que informação demais só atrapalha. Não me importo em ficar sem saber de algo, ou em ouvir alguma versão adaptada (não confundir com “distorcida”), desde que o elo da confiança não seja quebrado.

Isso demora muito para acontecer. Tenho amigos que já mentiram, fizeram burradas, esqueceram compromissos, fingiram que gostavam de mim, contaram segredos… Mas que sempre demonstraram sinceridade e honestidade ao explicar suas fraquezas e apaziguar minha mágoa. Sempre tive extrema paciência diante de situações assim, mesmo diante de pessoas como O Infalível ou O Zelador. Mas quando chega ao limite (e já chegou algumas vezes), não é só a irritação que fica.

#1 Desvalorização da vida – Essa é uma questão extremamente delicada. Tudo que posso fazer diante das três coisas acima é demonstrar irritação e tentar relaxar depois. Não tenho direito de julgar se Fulano ou Beltrano merecem ou não isso ou aquilo. Até porque, eu também erro, minto, faço bobagens… Na maioria das vezes, ao invés de dizer “por que aquele cururu tem e eu não”, o caminho é seguir adiante e conquistar o que quer com suas próprias mãos.

Apesar disso, não podemos ignorar algumas verdadeiras unanimidades. Matar qualquer um por praticamente nada, jogar o filho recém-nascido na lagoa, aumentar seus vencimentos pagos com dinheiro publico, construir usando o método e os materiais mais baratos… Sem falar nas situações que, infelizmente, estão cada vez mais corriqueiras e que, por isso, já não conseguem indignar a todos.

O que me irrita é saber que a toda hora aparece alguém que não dá o menor valor a sua própria vida. Que dirá a dos outros.

Ash, sim tem outra coisinha que sempre me irrita diante dessas coisinhas: a obrigatoriedade de convidar cinco pessoas pra fazer o mesmo. Ah, francamente. Faz quem quer, não é?

André Marmota é professor universitário e ouvinte frequente da pergunta “mas e além disso, você também trabalha?”. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (5)

  1. coisas que nos irritam estão em todos os lugares. pode ser o cachorro do vizinho que não para de latir a noite ou o maldito funcionário público que trabalha no banco estatal que não te atende direito. Mas, o que importa é manter a calma.

  2. Eu sou uma pessoa completamente intolerante com os dois primeiros casos. É mais fácil do que imagina achar uma falha (um podre, eu diria) de algum sabe-tudo. Sempre há. Mesmo que bem pequeno.

    Acho que as pessoas nada sabem estão relacionadas, de alguma forma, com a falta de confiança. Quem não tem absolutamente nada a acrescentar deveria se matar, pois está neste mundo sem objetivo.

  3. Eu nunca pensei a respeito, em exatas 5 coisas que me irritam… o trânsito seria o top do ranking… ops, acabei de me ligar numa coisa: estrangeirismos me irritam! rsrsrs Bjos e boa semana. Ah, janeiro está chegando ao fim…

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