Blogs e você: algumas questões palpitantes

Recentemente fiquei com estes dois posts do Fabio Seixas na cabeça. No primeiro, ele questiona seus visitantes a respeito da forma como cada um transforma suas impressões em suas páginas pessoais. No outro, ele faz uma constatação interessante: quem tem blog gosta de ler sobre blogs e comentar sobre blogs, e parece que é só.

Convenhamos: é sempre muito interessante escrever sobre essa atividade, tão nova a ponto de perdermos alguns minutos elaborando perguntas e respostas sobre o nosso comportamento, tanto escrevendo num blog quanto comentando por aí.

Faz diferença se eu escrevo para mim ou pensando em alguém?

Pelo ponto de vista do texto, sim. Nem todo blogueiro pensa em uma “linha editorial” para seguir, imaginando um ou mais assuntos que sejam úteis a outras pessoas. O negócio é registrar uma idéia momentânea ou alguma notícia ou curiosidade encontrada por aí. Qualquer tema pode ser abordado de maneira pessoal ou impessoal, até em um mesmo blog. Uma zona, não é mesmo?

A diferença entre um blog e um jornal está aí: qualquer periódico, feito por muita gente, pretende fortalecer a postura da instituição, enquanto no blog, a imagem que se fortalece é a do autor. É a maneira íntima e única desse sujeito filtrar o mundo e exibi-lo em posts que torna o blog interessante, faz com que as pessoas se aproximem. Os artigos do Brainstorm #9 é um dos mais conhecidos e elogiados pelo meio publicitário, mas quem conhece vai lá para saber o que pensa o Carlos Merigo.

A quantidade de leitores é proporcional ao umbigo do blogueiro?

A pergunta tem a ver com a idéia acima: se pensarmos como qualquer veículo informativo, é preciso escrever “para os outros”, sem pensar muito nas nossas experiências pessoais, para gerar tráfego e audiência. O uso simples dessa ferramenta como “diarinho” afugenta qualquer cidadão inteligente, deixando a página às moscas.

Não acho que a coisa seja tão extremada assim, justamente pela importância que o “umbigo” tem na identidade de qualquer blog. Reiterando: não é o assunto que atrai visitantes e gera tráfego, mas a forma como os autores lidam com eles. E aqui ninguém está descobrindo a roda: mesmo na TV, o que diferencia um programa de debates (as tais “mesas redondas”) são as pessoas. Estou errado?

Por que a pessoas preferem comentar quando o assunto é a blogosfera?

Da mesma forma que, fora da rede, as pessoas preferem comentar futebol. Tentem estimular os cidadãos brasileiros a discutir fidelidade partidária, os bombardeios israelenses no Líbano, as últimas tendências de marketing viral ou os meandros do julgamento da Suzane. Nem todo mundo se interessa por esse tipo de coisa (obviamente, se houvesse interesse, talvez nosso país fosse diferente).

Mas enfim. Com blogs é a mesma coisa: o número de comentários varia com o assunto do texto. Utilize o “método Jorge Kajuru” e polemize sobre qualquer coisa. Ou conte alguma experiência sexual, bem sucedida ou não. Sua caixa de comentários vai fazer barulho. Da mesma forma, especifique ao máximo uma discussão e veja o feedback apenas daqueles que possuem alguma base para concordar ou retrucar. Não importa: diga algo ressonante ao público e o retorno virá na mesma medida.

E por que as pessoas comentam mais quando o assunto são blogs? Simples. Como as pessoas só opinam sobre o que conhecem, só quem tem blog lê e comenta.

Só quem tem um blog sabe como participar? Como assim?

Vejamos. Existem dois tipos de visitantes de blogs: o casual e o constante. Os últimos são aqueles que se encaixam no perfil acima: identificação e aproximação com o autor e suas idéias. O outro cai no blog via Google. E aí as reações são as mais imprevisíveis. Procuram por “Paris Hilton pelada” e caem num emaranhado de textos ordenados por data – um sobre a capital francesa, outro sobre a rede de hotéis e um ultimo sobre futebol de várzea. Muito obrigado.

Tem ainda o nó cego, que procura por “fernando vanucci chapado”, encontra o texto exato, lê informações relacionadas e vê na primeira linha um link apontando para o vídeo. Não obstante, registra na caixa de comentários: “ei, você pode passar o link pra mim”? Não necessariamente em português legível. É aquela velha história: inclusão digital não é botar computador barato com Internet pro povão: é disponibilizar cultura.

Mas não sejamos injustos. De repente, surge alguém inteligente no seu blog via Google e encontra não um, mas vários textos sobre diversos assuntos. O que essa pessoa faz? Pensa três vezes antes de mandar um e-mail. Normalmente não manda. Mas quando faz, é por essa via direta – “não vou me expor na caixa de comentários”, pensa.

Falar sobre blogs não é “canibalismo”? Não enfraquece a rede?

Esse risco existe desde que todas as cabeças pensantes da blogosfera acordem e pensem: “puxa, ninguém comentou meu longo texto homenageando o Raul Cortez… Quer saber? Vou falar só sobre relações sociais através dos blogs”. Acho difícil esse dia chegar.

Enquanto isso, não há problema algum em criar e responder questões relacionadas a esse fenômeno. Até porque, livrar-se de dúvidas é o verdadeiro sentido da vida.

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (8)

  1. Eu não ia comentar nada, mas resolvi voltar aqui e explicar uma coisa.
    O fato de ninguém ter comentado um post num blog qualquer não significa necessariamente que ele seja ruim ou tenha gerado pouco interesse.

    O fato é que alguns posts não precisam de comentários. Esse aqui é um bom exemplo.

  2. Marmota, para um post interessante como este, eu teria que dar outra resposta interessante, mas aí ficaria um comentário monstro.
    Por isso, resumindo aos extremos, gostaria que voce soubesse que sempre que posso venho até aqui ler os seus posts; acho interessante os temas que voce aborda e creio que até hoje só deixei 1 comentário por aqui. Mas isso não significa que eu desgote do blog. Então acho que é uma das respostas para uma dúvida a respeito de visitas/qualidade de um blog. E mesmo nós não nos conhecermos por falta de oportunidade (e olha que eu já encontrei contigo naquele bar atrás do Masp com os senhoritos Inagaki e Ian), não significa que tenho que ficar lendo apenas blogs amigos ou participando de mesas redondas com eles. Humm, não mesmo.
    De qualquer forma, sou aberta até para comentar um post com uma deliciosa receita de bolo e não apenas a respeito da blogosfera.
    Beijos

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