A triste história do cão e do guarda

Atenção, amiguinhos: o texto que você vai ver a seguir contém cenas chocantes, que vão além da compreensão humana. Se preferir, volte aqui mais tarde, quando tiver certeza de que nada pode estragar o seu dia.

A rua onde moro é um pequeno oásis de paz e sossego dentro de um bairro periférico paulistano considerado violento. É comum encontrar a garotada empinando pipa ou jogando bola num sábado à tarde. É nesse contexto que surge Tomba – um cão que parece um Rottweiler, mas na verdade é da raça Tomba. Tomba lata.

A dona do Tomba mora na casinha mais humilde da rua. Mal tem dinheiro para sustentar as dezenas de familiares que vivem no mesmo teto, que dirá tomar conta de Tomba como merece. Mesmo tendo alguns meses de vida, Tomba mete medo em quem passa perto do portão. Temor potencializado quando a matriarca solta o bichinho pela rua, sem a menor cerimônia.

Preocupados, os pais de família saem para a rua, proferindo discursos inflamados. “Onde já se viu deixar esse monstro solto por aí? E a segurança dos nossos filhos?” Alguns foram conversar com a dona do Tomba, que não deu a menor pelota para as reclamações. Alguns mais valentões tentaram segurar o animal, mas acabaram afugentados com seus latidos ameaçadores. Um deles, tão borrado que estava, chegou a errar de casa durante a correria…

No fim da noite, surge o guarda, que mora no fim da rua. Chegou como de costume, a bordo da viatura que sempre encosta alguns metros antes. Enquanto caminhava em direção a sua casa, percebe a presença do Tomba. Com cara de quem teve um dia cheio – ou de quem também já estava incomodado com a presença daquele animal por perto. Tentou intimidá-lo, mas seus gritos não eram capazes de superar o forte latido de Tomba.

Quem estava acordado ouviu perfeitamente: a voz do guarda desaparece. Os latidos de Tomba aumentam. Um único tiro. E o último úivo do cão indefeso.

A mesma viatura que trouxe o guarda levou-o para a delegacia, ao lado da dona do Tomba e algumas testemunhas. Alguns se mostraram solidários ao guarda, já que “não aguentavam mais”, ou ainda, “como pode tratar melhor esse cão do que seus próprios filhos”. Outras defendiam a mulher – ainda que ela garantisse com todas as letras: “meu cachorro era muito bem tratado”.

Seu delegado que decida agora quem estava mais errado. Certo mesmo é o sentimento inexplicável dos pais, das mulheres e das crianças que passavam na manhã seguinte naquela calçada, diante do Tomba, coberto por um lençol velho.

Coisas desse nosso mundo cão.

(Postado em 17/11/2004)

Comentários em blogs: ainda existem? (9)

  1. Se preferir, volte aqui mais tarde, quando tiver certeza de que nada pode estragar o seu dia.

    Da próxima vez eu sigo o conselho, hehe…

    É triste, um idiota com uma arma sempre acaba estragando o dia de alguém.

  2. é de partir o coração,,, essa guarda é um covarde,,,o cão so tinha como se defender corvardia pura,,,,

  3. Lamento muito,mas muito mesmo…e quer saber mesmo, vc estava coberto de razão eu não deveria ter lido em momento algum esta “estória triste”.

  4. Os seres humanos não tem coração
    fazem coisas que me magoam tanto
    tipo maltratar um animal
    não temos necessidade de tirar a vida de um ser
    que não sabe se defender.

  5. Horrivel o que o gurda fez com o caõzinho ele é mais animal do que o própio animal qual é o crime que um animal pode cometer para sofrer tanto é ser tão desprezado pois animal mesmo são os serem humanos que tem o coração tão perverso eu não deveria ter lido pois essas história me fazem chorar.
    Eliane sexta-feira 27/02/2009 hs:21:33
    Cabedelo PB.

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