A Gênese segundo os Estúpidos

Nem parecia mais uma tradicional Sexta-feira Santa semi-pagã. Apesar dos entusiasmados onze “apóstolos da bobagem” na mesa (com direito a três substituições em dois tempos de 45 minutos), os temas religiosos que escancaram nossa ignorância tardaram a surgir.

Entre um ou outro comentário cinematográfico, vieram aqueles assuntos frugais, como as gravatas do Henry Sobel ou as cinzas do pai de Keith Richards cheiradas recentemente, entre outras histórias absolutamente normais. Até Spectreman (treman, treman, treman…) foi lembrado: desde a teoria de que Doutor Gori era, na verdade, um incompreendido, até a possibilidade do herói, defensor da Terra contra a poluição, ser consagrado como o primeiro “ecochato” – coincidentemente, o Greenpeace foi fundado em 1971, mesmo ano em que a série foi exibida no Japão!

Finalmente Lello Lopes, nosso “ateu graças à Deus”, soltou a primeira frase brilhante. A discussão girava em torno daqueles que foram batizados, crismados ou fizeram a primeira comunhão.

– Teve um amigo meu que gritou um palavrão quando a vela queimou na mão dele, depois dele subir no palco, lá…

Logo as gargalhadas terminaram de substituir o altar por um tablado iluminado, onde o pároco, sob holofotes, diz “senhoras e senhores…”.

Os garçons lerdos do Paulista Grill já nem passavam mais com tanta freqüência quando nosso estúpido favorito trouxe mais uma pérola.

– Esse papo de “virgem” é um dos maiores golpes da história do mundo.

Narazaki tentou salvar a imagem da mãe do nosso salvador, dizendo que “era virgem sim, pois nasceu em setembro”. Piada fraca.

Deveríamos ter convidado Luiz Fernando Bispo, o simpático rapaz que estreou a temporada 2007 do Programa do Jô. Além de ter construído uma palafita com lixo reciclável e ficar enterrado num poço por 42 dias, Bispo teorizou: a inglesa Louise Brown, em 1978, foi o segundo bebê de proveta conhecido. O primeiro foi Jesus. Pois se a mãe era virgem, ou foi inseminação artificial, ou o filho foi concebido por algum processo alienígena, desconhecido da ciência.

Pois eu proponho Luiz Fernando Bispo como patrono da nossa churrascada na Sexta-feira Santa!

Por fim, o começo – Ainda que nenhum estúpido tenha bebido álcool, as grandes asneiras ficaram reservadas para as horas finais. Agora que todos já sabem o que é Pentateuco, era a hora de especular sobre o primeiro dos livros sagrados: Gênesis. Perdoai, eles não sabem o que dizem:

– Então tivemos Adão, Eva, Caim e Abel. Aí Caim matou Abel, é isso?
– Sim, por ciúme.
– Mas… Se todos somos descendentes de Adão e Eva, onde está o resto do povo?
– Ah, essa é fácil. Eva comeu a fruta proibida, esperou nove meses e a cegonha chegou.
– Não!!! O fruto representava o pecado em geral, o bem e o mal, a escolha pela perfeição.
– É como o Big Brother. Adão e Eva foram eliminados no primeiro paredão do Paraíso.
– Tá, mas e o resto dessa turma, que virou as doze tribos de Israel? Veio de onde? Deve ter rolado incesto aí.

A verdade é que, mesmo com as considerações lúcidas de Fernando MC Empada Max, o mais cristão entre os pagãos, nunca vamos saber como foi que Moisés, considerado o autor do texto, chegou a tantas informações. O que se sabe é que Adão viveu quase mil anos, e que ele teve muitos filhos e filhas. As escrituras não fazem referência às filhas – mas sabe-se que Iclímia era a mais velha, enquanto Azura era a mais nova. Esta última, inclusive, casou se com Sete.

– Sete? Quem é Sete?
– É um dos filhos de Adão e Eva. Quando Caim mata Abel, ele é considerado o justo, em contrapartida ao irmão mais velho.
– Ah, tá, ele deve ter sido o sétimo filho então.
– Não, não. Era o terceiro mesmo.
– Como assim? O sete era o terceiro???


Atenção para a chamada da sexta edição: Fagundes, Narazaki, Lello, Inagaki, Adriana e Adilson. Max e Flávia, Zé, Sabbaths e Marmota

Ninguém entendia mais nada. Nem valia a pena chegar até a eliminação de todos os personagens com o dilúvio – afinal de contas, Noé era filho de Lameque, que era filho de Matusalém, que era filho de Enoque, que era filho de Jerede, que era filho de Maalalel, que era filho de Caina, que era filho de Enos, que era filho de Sete, que era filho de Adão… Belém belém, vai ficar para o ano que vem.

André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (5)

  1. Que venha o Sete. Não, não o filho do Adão (o terceiro). Mas o ano sete da tradição!

    PS: Grandes lições da última edição:
    – Sete é o terceiro
    – O incesto é a gênese
    – José caiu na ‘pegadinha’ do espirito santo
    – Matusalém (ainda vivo) era filho do Nhoque
    – Jesus era técnico de um time com 12 jogadores. Judas foi substituído no final da partida.
    – A Soda Italiana de Amora o Fran’s é soda…

  2. Meu caro André Marmota! Nossa, fiquei muito feliz de ver vc comentando no meu blog! :D Só não te avisei que voltei a blogar porque não achei que vc lembraria da minha humilde pessoa, hahaha!

    Agora, espero que vc apareça mais vezes por lá, hein? Com o advento do RSS 2.0, não tem mais desculpa!

    E, se Deus quiser (opa!), algum dia ainda serei autor de feitos notáveis o suficiente na blogosfera, pra poder fazer parte dessas reuniões de cúpula que vc sempre faz parte. Vou ser o primeiro cristão, pelo visto, hehehe…

    …só que eu vou com a camisa do São Paulo! RÁ! :P

    Abração pra vc!

    P.S.: Se vc ainda tiver MSN, me adiciona! O meu MSN é esse endereço de e-mail que eu coloquei aqui. ;)

  3. Só acho uma pena eu ter chegado mais que atrasado, ainda bem que consegui recuperar o tempo perdido com as carnes e conversando comparte do pessoal.
    Mas tenho que confessar (posicao maldita a minha na mesa hein). Como diria meu amigo carlao todo o castigo pro Zé nunca é o suficiente e da-lhe a conta mesmo.

    PS: Foi otimo rever todos e espero que esse ano nao fiquemos so no churras na sexta santa hein.
    abracao a todos.

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