2008, o ano que choveu

Pelotas (RS) – Não foi apenas Santa Catarina que sofreu com a chuva. Nem o norte do Rio, no show da Madonna, nem Minas Gerais, muito menos a capital paulista (ah, vá!). Choveram votos, carregados de esperança, para Barack Obama. Também despencaram chacotas sobre o Vasco do Brasilleirão, o Fluminense da Libertadores e a Sarah Palin – que continua governadora, ao contrário daquele que foi pego na chuva com aquele mulherão de Vitória. Em Cuba, esperam por tempos melhores após a saída de Fidel. Nos Jogos onde choveram mentirinhas na festa de abertura em Pequim, choveu medalhas de ouro para os chineses em Pequim, e muitos bronzes para os brasileiros. Choveram iPods desbloqueados, tuitadas sobre o terremoto em São Paulo, computadorezinhos com telas de sete polegadas, mas também defeitos na hora de ligar o faraônico LHC. Choveram tiros colombianos na selva equatoriana – pior para as Farc, melhor para Ingrid Betancourt. Choveu títulos sub-prime apodrecidos, varrendo do planeta a confiança financeira nos EUA (além do Lehman Brothers) e semeando a crise. Apesar de ter chovido dinheiro graças ao tal grau de investimento. Ainda deve ter caído alguns trocos naquele banco que agora, além de ter sido feito pra você, nem parece mais banco. Deve chover petróleo do pré-sal brasileiro e pesquisas em células-tronco. Choveram faturas de cartões de crédito corporativos, coletados num dossiê “segura, Dilma”. Também choveu tranquilidade nas cabeças dos ex-ministros Gilberto Gil e Marina Silva, além de habeas-corpus no colo de Daniel Dantas. O tempo fechou para o padre baloeiro, para o Gabeira (culpa de um domingo de sol) e Ronaldo Fenômeno – graças a três travecos, mas a tempestade maior foi provocada pela vibração da Fiel. Choveram títulos para o Tricolor paulista e o Colorado gaúcho, campeões de praticamente tudo. Choveu na horta da Mulher Melancia – o que não se pode dizer da Amy Winehouse. Choveram socos e pontapés entre Luana e Dado. Choveu crueldade num porão da Áustria e numa área de serviço de Goiânia. Choveram drogas, sexo e rock`n roll no cruzeiro universitário onde estava Isabella. Sua homônima, de seis anos, fez chover toneladas de manchetes sensacionalistas após ser jogada do sexto andar. Chuva de lágrimas também proporcionadas por Dercy Gonçalves, Paul Newman, Dorival Caymi, Heath Ledger, Ruth Cardoso, Waldick Soriano, Rubens de Falco, Dora Bria, Jamelão, Lindemberg, Nayara e Eloá.

Só não choveu nas lavouras do Sul, no sertão do Nordeste e no Piauí. E, talvez, no reservatório pluviométrico de sua vida. Enfim, tenho certeza de que o ano novo vai lhe trazer uma inundação de excelentes notícias, permeadas com todo o amor daqueles que te cercam. Feliz dois mil e love pra você, e até o ano que vem.

Comentários em blogs: ainda existem? (8)

  1. Ótimo, ótimo texto. Muito bem elaborada. Esqueceu apenas de citar que chuveu pontos no Ibope para Maísa, ou Malisa a menina monstro, se preferir.

    Abraços,

  2. Só não choveu torresmo no nosso panetone. Enfim, fica pra dezembro… Ou não. Ah, adorei o Dois Mil e Love! Aquele abraço, tomara que 2009 seja o melhor ano da sua vida!

    Ander e Sil

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