2008, o ano em que larguei o mundo virtual

A Bia tem uma teoria interessante: livre-se de seu blog. Pare de escrever religiosamente, dentro de sua periodicidade inexplicável, pois assim você verá seu tempo passar e deixará de viver. E quando ela encontra blogs sem atualizações rotineiras, ao invés de reclamar por novos textos, ela fica feliz pelo tempo ocioso do autor.

Antes fosse, Bia. Tempo continua sendo o meu calcanhar de aquiles, ainda que eu tenha arrancado do quintal uma porção de plantinhas que vinha regando. Este blog foi o mais podado: até o dia 26 de abril, mantinha o hábito de atualizá-lo, seja com uma idéia nova ou um calhau. Dali em diante, foram dois dias sem novidades… Três… Cinco… Um textinho vagabundo por semana… Sem querer, descobri que já executava o slow blogging.

O abandono ficou nítido quando, um dia qualquer, percebi que a enquete simplesmente havia travado. Felizmente a pergunta era idiota: “qual a sua relação com o Twitter?”. A resposta, intuitivamente, é simples: tem a turma que foge de qualquer modinha; tem quem criou login e senha mas não entendeu para que serve; e tem gente como eu, que descobriu as maravilhas do GPRS no celular ou de programinhas como o Twibble para Symbian.

Na prática, tudo que este blog perdeu foi parar no Twitter. O que não quer dizer muita coisa, já que também brinco no mocriblogging uma vez por semana. Sem contar a febre momentânea do Blip – e o perfeito casamento entre seus 140 caracteres. Claro que, também num dia qualquer, descobri que o melhor da brincadeira durou pouco: no fim de novembro, cortaram o barato depois de tanta gente ocupar servidores hospedando músicas sem dono. Mas tudo bem, já não conseguia usar o Blip como outrora.

Outras coisas que gostava desse mundo perderam encanto naturalmente, como os inúmeros “networcamps” (se bem que andei faltando até em alguns excelentes “botecamps”). Enfim, ainda perco algum tempo subindo fotos no Flickr e compartilhando três ou nove leituras por dia no Delicious – cujo feed, aliás, alimenta meus itens compartilhados do Google Reader, sem dúvidas a melhor descoberta internética deste ano. Orkut? Entro uma vez por mês para limpar a favelização dos scraps. Facebook? Nem lembro qual era a senha. Linkedin? Famoso quem?

Provavelmente, quando o primeiro segundo de 2009 chegar, meus itens não lidos em qualquer das caixas de entrada continuarão acima das três casas decimais. Mesmo assim, ainda vejo razões para, nos próximos dias, aproveitar o baixo movimento das festas e olhar para trás antes de virar a folhinha. Fica mais divertido entender o que me fez ocupar o tempo que levaria contando estas histórias, ou mesmo respondendo e-mails.

Comentários em blogs: ainda existem? (8)

  1. Mais um que parece sofrendo do cansaço do excesso de coisas internéticas? Me parece que esse cansaço se espalha como capim pelas interwebs. Talvez seja esses tempos estranhos em que vivemos.

  2. Bom, nunca tive uma periodicidade… gosto de escrever no blog, mas nunca quis que fosse uma obrigação.

    O certo é o que vc falou, curtir a vida lá fora!!

    Bjos!

  3. Ei mano o meu eu sempre passo a letra quando eu tomo banho de sol aqui na cela ou antes da revista noturno da contage dos preso0, escreve dentro de uma cela é osso, mas a gente vei empurranô com a barriga mano.

    Fui porque quem não é visto não é lembrado

  4. Rá! Como você pode ver, eu sou praticamente um visionário. Você se lembra quando eu te critiquei por ser um escravo do próprio blog?

    Na época você achou minha teoria um absurdo e até escreveu este post deturpando tudo que eu falei.

    http://www.interney.net/blogs/marmota/2007/08/27/essa_porcaria_chamada_blog/

    O problema não é a frequência com que você atualiza seu blog, seu twister, etc. e sim a sua preocupação por não estar atualizando.

    Se 2008 foi o ano que você “largou” o mundo virtual, espero que em 2009 você se livre do peso na consciência por ter largado o mundo virtual.

  5. Putz. Sem querer, descobri que estou virando adepto do slow blogging. Não que as idéias não cheguem, mas simplesmente não viram grandes coisas quando escritas.

    De uns tempos pra cá, tenho perdido um bom tempo em comunidades de Orkut. Acho sensacional como a gente consegue bater papo com muita gente em algumas.

    Abraço, André!

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