Vamos tucanar!

Tudo começou com José Simão, colunista da Folha de S. Paulo. Ele foi o criador do verbo “tucanar”, expressão que vem tomando corpo nas rodas de bate-papo. Até em Brasília, onde o líder do PFL disse que o PT “tucanou”. A brincadeira está se disseminando entre os colegas: quem nunca ouviu um “ele tucanou a pergunta!” ou ainda “para de tucanar e desembucha, bacana!”, entre outras expressões.

Todo mundo pode brincar de tucanar! O próprio José Simão tucanou a definição do negócio: “formular declarações fazendo com que o sentido das mesmas se tornem inócuas, utilizando recursos dialéticos que vão do barroco mineiro ao rococó francês”. Traduzindo: evitar ser direto e objetivo dizendo a mesma coisa usando muitas palavras. Ops, tucanei aqui também. Resumindo: encher linguiça.

Um compêndio de exemplos pode ser encontrado neste blog, que reuniu pérolas do dicionário tucanês do José Simão, tais como “Energético glicosado natural” (caldo de cana) ou “aparelho estimulante intravaginal” (vibrador). Mas você mesmo pode brincar de tucanar, “escrevendo” frases inteiras e ainda assim ficar sem escrever absolutamente nada! Veja o exemplo abaixo:

“Gostaria de enfatizar que o novo modelo estrutural aqui preconizado prepara-nos para enfrentar situações atípicas decorrentes dos modos de operação convencionais. Não obstante, a estrutura atual da organização estende o alcance e a importância do processo de comunicação como um todo. Desta maneira, a revolução dos costumes afeta positivamente a correta previsão dos índices pretendidos.”

Não pensem que levei horas elaborando a sensacional parábola acima. Que nada! Usei apenas esta maquininha de tucanar, batizada pelo seu criador – o Padre Levedo – de “gerador de lero lero”, outra boa definição para este fenômeno.

Se você já conhecia o incrível sistema, você pode usá-lo perfeitamente para tucanar seu bate-papo! Este é um dos exemplos mais conhecidos da grande rede:

“A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente ao paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas”.

Traduzindo: Rapadura é doce, mas não é mole!

Veja ainda como é fácil “tucanar” uma expressão conhecida:

“Quero aproveitar o ensejo para lhe fazer uma solicitação: recentemente, através de referências metafísicas adquiridas em um local especializado, decidi que passaria a utilizar uma nova alcunha. Assim, peço encarecidamente que você passe a utilizá-la, com o intuito de estreitarmos a nossa cordial relação interpessoal”.

Traduzindo: Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno, porra!

Comentários em blogs: ainda existem? (1)

Vai comentar ou ficar apenas olhando?

Campos com * são obrigatórios. Relaxe: não vou montar um mailing com seus dados para vender na Praça da República.


*