Vai, Rubinho! Parte 7: ouvindo a corrida maluca

Mas que lástima. Durante uma das corridas mais imprevisíveis da temporada, onde a cada ano pelo menos um piloto é apresentado ao muro da reta dos boxes, estava longe do aparelho de TV. Pior: por razões técnicas fora do meu controle, as ondas curtas ou em amplitude modulada simplesmente não chegam direito ao meu Motorádio enquanto passava o domingo na estrada.

Já devo ter dito isso aqui, em algum momento: eu adoro rádio. Normalmente, às quartas-feiras, ignoro toda a badalação televisiva e sintonizo um radinho para ouvir a rodada do futebol, mantendo-o ligado até o fim das entrevistas pós-jogo. Com um pouco mais de tempo (ou seja, ultimamente nunca) tiro da estante um Grundig trazido da sede da Deutsche Welle para capturar algumas frequências distantes. E além da Fórmula 1, já ouvi basquete no interior e até mesmo uma partida de tênis, irradiada com a mesma emoção de um clássico futebolístico.

São poucas as emissoras que reservam os domingos para as corridas. A razão é simples: os direitos de transmissão custam os olhos da cara. Departamentos comerciais rebolam um ano inteiro para manter as cotas de patrocínio em dia e garantir o pagamento não apenas à FOM, mas também ao repórter “in loco”, normalmente o único da equipe a viajar por todos os circuitos do mundo.

Mas enfim. Em algum ponto do Vale do Paraíba, consegui ouvir alguns espasmos entre um e outro chiado nos minutos iniciais da prova. Comecei a ouvir as primeiras voltas pela Bandeirantes, que alternava a posição dos pilotos com informações de momento e uma porção de comentários engraçadinhos. Nessa altura, Hamilton ainda seguia firme nas primeiras posições – ninguém imaginava o que aconteceria a seguir.

“Como assim o Hamilton bateu no Raikkonen na saída dos boxes?”, questionei. Levou um bom tempo para que Odinei Edson, Fábio Seixas e Luiz Fernando Ramos pudessem interpretar e concluir exatamente o que havia acontecido. A bem da verdade, mesmo após assistir à cena em casa, eu também não entendi.

Tratei de mudar para a Jovem Pan. Téo José estava indignado com o regulamento da F1 e com mo responsável pela “luz vermelha” dos boxes. O mestre Claudio Carsughi achou lamentável um candidato ao título cometer essa bobagem. E Felipe Motta elogiava o desempenho de Barrichello: mesmo com febre e gripe, aproveitou a confusão toda para liderar o GP por sete voltas.

Sem os líderes do campeonato e com Massa se desdobrando (a ultrapassagem audaciosa em uma curva fechada fica, lógico, bem melhor na TV), a dobradinha da BMW e vitória do polonês Kubica (ou Kubitza, como se diz em polonês) reflete não apenas as muitas alternativas do circuito Gilles Villeneuve. Mas também o equilíbrio da temporada, que ganhou definitivamente um novo candidato ao título. Vou chover no molhado, como ouvi no rádio antes de encostar o carro: depois do acidente que sofreu em 2007, Kubica mereceu muito vencer no Canadá.

(Para acompanhar e entender de verdade o mundo do automobilismo, leia a Bárbara Franzin, o Felipe Motta, o Ivan Capelli, o Livio Oricchio, o Fábio Seixas e o Flávio Gomes).

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

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