Umas duas, dez, dezoito medalhas… Preciso, não?

Eu podia jurar que conseguiria escrever meu palpite olímpico, que poderia ser usado em qualquer bolâo chinês, ainda nesta terça-feira. Meu prazo esgotou e, há dias, estou no “quase terminando”. Antes de botar aqui as minhas previsões do “Pai Marmota”, acredito que a brincadeira possa ficar mais interessante questionando os nossos dois ou três visitantes deste espaço. Então responda aí: quantas medalhas, e de qual valor, o Brasil vai conquistar em Pequim?

Agora sim. Antes tarde do que nunca, segue o restante do texto – nem sei mais o quanto era necessário, diante do volume de opiniões (obrigado!) estimuladas por apenas cinco linhas… Sinal de que aquele papo de boicote não colou.

Mas enfim. Imaginar quantas medalhas o Brasil vai trazer dos Jogos Olímpicos não é uma tarefa simples. Não adianta simplesmente projetar o desempenho verde-amarelo em função da quantidade de atletas presentes. A cada ciclo olómpico, partimos com a maior delegação da história. Em Pequim, serão 277; em Atenas, foram 247; em Sydney, 205; e em Atlanta, um pouco mais: 225. O recorde histórico foi justamente nos EUA, em 1996, com 15 medalhas. Em 2000, foram 12 (nenhuma de ouro). E em 2004, 10 – com o recorde histórico de ouros, 5.

Resumidamente, os dados acima não significam absolutamente nada. Em 2004, as únicas apostas certeiras que tinha eram Daiane dos Santos, Robert Scheidt e na dupla Ricardo e Emanuel, na areia. Destes, só o tropeço da gauchinha ao som de “Brasileirinho” furou. Em compensação, ainda tivemos seleção masculina de vôlei, a dupla Torben e Marcelo (na água) e o ouro tardio de Rodrigo Pessoa e Baloubet Vou Refugar com Você, presente de um cavalo irlandês dopado. Isso quer dizer que, na prática, mesmo um chute bem dado só é certeiro com alguma dose de sorte.

Enfim, segue o palpite do Pai Marmota: 4 de ouro, 4 de prata e 6 de bronze, totalizando 14. Chute baseado em uma análise rápida e tosca dos 32 esportes em que teremos algum representante, a seguir:

Atletismo – Historicamente, o país consegue beliscar algum bom resultado nas pistas. Em Atenas, todos esperavam por Jadel Gregório, mas a medalha da modalidade veio aos 44 do segundo tempo com Vanderlei Cordeiro (seria dourada, não fosse o demente padre irlandês). Apesar daquela geração melhorar um bocado nos últimos quatro anos, as chances reais ainda não passam de esperanças: Jadel (concentrado e numa tarde feliz) e Maurren Maggi, no salto em distância, Fabiana Murer (se a Isinbayeva tiver dor de barriga) e o quarteto do revezamento, quarto no último mundial. Mesmo incluindo o Marilson dos Santos e o Franck Caldeira, os “Vanderleis” da vez, só um destes seis vai faturar algo.

Aquáticos – Se em Atenas nossa referência ainda era Gustavo Borges, que se despediu das piscinas da mesma forma que a equipe brasileira (em branco), agora me parece que todos os holofotes estão direcionados ao Thiago Pereira. Numa tentativa insana de tornar a natação ainda mais atraente, jogam-no em uma rivalidade desnecessária com Michael Phelps – este sim um fenômeno. Torcida não vai faltar para ele, que vai disputar três provas. Sem tanta pressão, Cesar Cielo vai competir nos 50m e 100m, as mais velozes (e cujo resultado depende de cento e duzentos fatores). Incluindo o paraibano Kaio Marcio, que costuma ir rápido nos 100m borboleta, e a Poliana Okimoto, dá pra especular uma prata ou um bronze aqui. Saltos ornamentais? Nado sincronizado? Remo? Canoagem? Hahaha!

Basquete – Confesso que ficava indignado com a mídia esportiva durante a cobertura dos eventos pré-Olímpicos da seleção masculina. Eram tantas as confusões de bastidores que qualquer manchete do tipo “Brasil encara mais um desafio rumo a Pequim” poderia ser trocada por “Olha lá, o Brasil vaisiferrá. Vaisiferrá, tô falando. Não disse? Siferrô”. A bem da verdade é que nosso basquete parou no tempo – quer dizer, seguiu o ritmo da administração vagabunda. Assim, só nos resta torcer pela esforçada equipe de Paulo Bassul. Longe de ser a geração de Paula e Hortência, e sem uma referência como Janeth, a única forma de superar obstáculos é mostrar em quadra um enorme “não precisamos de você, Iziane”.

Futebol – Sinceramente? Não sei o que pensar do time de Dunga. Ronaldinho Gaúcho, longe da forma ideal, foi convocado pelo presidente da CBF. Outros atletas importantes não foram liberados, e os que estão na idade olímpica também sofreram com a má vontade de seus clubes. A equipe teve pouco tempo pra treinar, e antes de encarar o único torneio que ainda não venceu, chamou Vietnã e Cingapura para se preparar. A coisa é tão ruim que, no fim, pode ser como a última Copa América. Enfim, se eu tiver que apostar em uma medalha aqui, será no feminino.

Ginástica – Diego Hypólito é o cara aqui. O sujeito se preparou como nunca, superou dengue e cirurgia, e está em excelente forma. Concentrado, conquista o primeiro ouro do país nesta modalidade. Não ficaria surpreso se a Jade Barbosa, nossa melhor atleta no feminino, conquistasse mais uma medalhinha em algum aparelho. De repente, sem a pressão de Atenas, até Daiane dos Santos consegue um resultado bacana. Ah, sim: ainda temos as brasileiras da ginástica rítmica, que dependendo do horário, é muito legal para assistir. Mas só.

Handebol – Historicamente, as mulheres conquistam melhores resultados que os homens. Isso quer dizer que as mulheres vão ficar entre sexto e décimo-qualquer coisa, e os homens abaixo disso.

Hipismo – Vamos esclarecer as coisas: no Brasil, considera-se hipismo apenas a prova de saltos, especialidade de Rodrigo Pessoa e o restante da equipe. Desta vez sem Baloubet, seu companheiro de chacota em 2000 e de glória em 2004, dificilmente conseguirá algo no individual. De repente, a equipe repete Sydney e fatura uma medalhinha. Enfim, hipismo ainda conta com o “abestamento” (dá a patinha, cavalinho), o conjunto completo de equitação. Certamente ninguém vai lembrar disso.

Judô – Mais um esporte onde o Brasil se dá muito bem. Aqui, vamos ter duas medalhinhas com certeza, com Tiago Camilo, Luciano Corrêa, João Derly ou Leandro Guilheiro – ou ainda, se a tradição prosseguir, de alguém que não se espera nada. Também será a despedida de um dos nomes mais conhecidos do esporte no Brasil: Edinanci Silva é o Gustavo Borges de 2008.

Taekwondo – Na verdade, aqui não é exatamente o nome da modalidade que conta, mas sim o de uma das minhas ídolas da nova geração do esporte brasileiro: Natália Falavigna. Ela já foi campeã mundial, perdeu o ouro no Pan do Rio por detalhes e ficou fora da disputa por medalhas em Atenas por conta de uma fratura no pé. Desta vez, sinto que ninguém segura a Natália. Vai, Natália!

Tênis – Com Federer e Nadal na disputa do torneio de simples, fica difícil imaginar Thomas Bellucci e Marcos Daniel avançarem para uma semifinal ou final – se bem que, em 2004, também ninguém imaginava os chilenos, com Nicolas Massu e Fernando Gonzalez (que estão de volta) no topo do pódio. Falando em duplas, é aqui que reside nossa esperança na quadra, com André Sá e Marcelo Melo. Esperança, diga-se, não quer dizer muita coisa…

Tênis de mesa – Outra despedida aqui: dificilmente Hugo Hoyama, 39 anos, terá outra oportunidade. Enfim, tanto ele quanto os esforçados jogadores brasileiros, dificilmente conseguirão algo na região do planeta que domina o esporte.

Vela – Essa é a modalidade que rendeu a maior quantidade de medalhas olímpicas para o Brasil. E aqui, uma previsão cíclica: se em 2004 Baloubet se redimiu e trouxe medalha após refugar, em Pequim será a vez de Bimba dar a volta por cima depois do papelão em Atenas. Ainda tem Robert Scheidt na classe Star, ao lado de Bruno Prada, com chances muito boas. Veremos.

Vôleis – Acreditar na seleção feminina é como imaginar o Flamengo campeão brasileiro de 2008. Mas enfim, depois de tantas amareladas, de repente elas conseguem queimar minha língua. E sinceramente, prefiro torcer para as moças do que vibrar com o time de Bernardinho. Já deu o que tinha que dar essa turbulência nos bastidores, que começaram no Pan com a saída de Ricardinho e continuou após o estranho quarto lugar na Liga Mundial. É por conta disso que o tri não virá. Na praia, Emanuel e Ricardo são as “barbadas” dos Jogos: se levarem o ouro, meio mundo vai ganhar pontos no bolão. No feminino, ainda que Juliana estivesse ao lado de Larissa, não seriam páreo para Walsh e May. Com Ana Paula, então…

“Fica a lição para Londres” – Nessa leva, entra os 80% de atletas brasileiros que estarão lâ, vindos das modalidades como arco e flecha, boxe, ciclismo, esgrima, lutas, levantamento de peso, pentatlo moderno e tiro…

Comentários em blogs: ainda existem? (13)

  1. Putz… não sirvo pra isso…

    Tem chance de ganhar em várias… menos no futebol masculino!
    Pronto, fica esse sendo o meu palpite!

  2. Vamos lá: 7 ouros, 9 pratas e 11 bronzes. Basicamente, temos chances na Natação, Judô, Ginástica Artística, nas duas maratonas (aquática e de pista), Vôlei, Vela e Futebol. Tô apostando em um dos triatletas também (porque eu sou do Pinheiros, oras…).

  3. Iiiiiih…

    Olha só, cara, ouro ouro mesmo, eu tenho 5 chutes:

    – Natação. – Com o Cielo, o cara pode surpreender, ninguém está mto de olho no cara.

    – Ginástica. – Com o Diego e a Jade. A baixinha vai tocar o terror no país dos olhos puxados.

    – Voley. – Seleção Masculina Quadra, os caras ficaram mordidos com a perda da Liga, os caras vão pra lá cuspindo fogo!

    – E Futebol. MASCULINO! Essa olimpiada tá com um cheiro de que o Dunga vai calar a boca de todo mundo e vai pegar o ouro nisso aí. Tipico azarão, semelhante a copa de 2002. Ninguém acreditava, até, o 2º gol do Ronaldo contra a Alemanha. E agora não vai ser diferente não.

    Fora isso, uma meia dúzia de bronzes e pratas espalhadas também.

    Veremos!

  4. André!

    Toda vez que vejo o Corinthians jogar, mesmo ele jogando bem ele perde.
    Toda vez que NÃO vejo o Corinthians jogar, mesmo jogando mal ele ganha.

    Não é esse, um sintoma do pé-frio?
    Então, como sou otimista, não vou arriscar meu quadro de medalhas para não azarar o povo por lá.
    Mas será mesmo, a merrequinha de sempre.

  5. Vai ser recorde: umas cinco medalhas de ouro desta vez, seis de prata e nove de bronze. Vinte no total.

    Confio no pessoal da natação, do judô, da ginástica olímpica e, claro do vôlei de quadra e de praia.

    Quanto ao futebol, acho que o ouro ainda não vem dessa vez. Serão duas pratas, no masculino e no feminino.

  6. Eu aposto em 17 medalhas de ouro. Se bem que, era melhor eu subitrair ai a do volei masculino, que pode ser que perca novamente para os Estados Unidos; subitrair a do volei feminino, porque elas sempre espanam na final; subitrair a do volei de prai… hum…

    Faz o seguinte, esquece. 17 medalhas. Brasil é 17. O pior de tudo é que todo mundo vai ficar muito feliz com 17 medalhas de ouro como se isso fosse a coisa mais espetacular do mundo. Em pensar que se juntar 2 Michael Phelps já dá quase isso de medalhas. heheh

  7. Bom… vai no chutômetro mesmo.
    5 de ouro, 12 de prata e 20 de bronze. Pronto! Batata que uma de ouro será no judô e uma de bronze na natação. Agora é pensar que horas terei que acordar para ver boxe tailandês…

  8. O meu palpite otimista é que o Brasil ganharia 23 medalhas, com 13 chances de abocanhar o ouro entre elas. Dessa minha previsão, porém, uma já furou (João Derly).

    Uma coisa é certa: teremos muitos motivos para gritar Ê, Brasil!

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