Uma pedra estranha no ni…nho

A Internet não teria graça nenhuma se toda a rede de contatos criada por e-mails, blogs, ice kills e afins não vingassem fora dela. Desde os tempos de BBS, sou grande adepto de reuniões, convescotes, entre outros eventos de integração no mundo real. Nos últimos anos, acumulei tarimba suficiente para não ter medo de “encontros no escuro” – como ocorre tradicionalmente quando marcamos com pessoas que nunca vimos. Normalmente, o resultado é muito positivo!

Foi com o mesmo espírito animado que aceitei o convite das Garotas que Dizem Ni, que comemoraram um ano de merecido sucesso na web no último dia 17 de abril, no Darta Jones, de ótimas referências (a começar pelo estilo anos 80). Estava sem qualquer folga na redação em abril: era uma chance excelente de espairecer após mais um plantão.

Apareci na Rua dos Pinheiros por volta das onze e pouco, quase meia-noite. Antes de entrar, vi o Enio Martins e o Rodrigo Rodrigues saindo do lugar. “Opa, vai ser fácil me enturmar”, pensei. Apanhei minha comanda e entrei, ao som de Smiths. Sensacional!

Uma rápida observada, no entanto, para relembrar (e constatar) o óbvio: não conhecia ninguém. Acreditem: não fazia idéia de como as anfitriãs eram pessoalmente. E haviam centenas de foliões animadíssimos na pista. Nenhum deles parecia preocupado com o forte calor – o excesso de contingente naquele barzinho estreito jogou a temperatura nas alturas.

Minha primeira providência foi – é claro – me divertir um bocado. “De repente, aparece alguém conhecido”, pensei. Esqueci momentaneamente desse detalhe e chacoalhei o esqueleto ao som de sucessos inesquecíveis. Nisso, os pobres “ventisilva” na parede continuavam seu esforço inútil em conter a energia térmica dissipada. Em poucos minutos, minha cabeça pediu um refresco. Para alcançá-lo, era preciso cruzar o bar, atravessando a barreira formada pelos inúmeros convidados.

No meio daquele grande ajuntamento de povo, segui observando as pessoas. E nenhum rosto familiar. Terminei a peregrinação e, após novo esforço, consegui um refrigerante. Ficou pouco tempo nas minhas mãos: um japonês de óculos, mas empolgado, tratou de derrubá-la com uma cotovelada. Foi sem querer, claro. Mas meu cérebro exausto se sentiu frustrado.


Conseguiu achar um bobo perdido no meio da festa?

Antes de atravessar aquele mar de gente alegre novamente, decidi subir as escadas e investigar a parte superior do Darta Jones. Incrível, mas estava ainda mais quente. Algumas mesas vazias e uns três ou quatro jogando Atari num canto e Genius do outro. Fui pra perto do banheiro e tentei ligar para um dos dois amigos que ficaram de aparecer também. Sem sucesso. “Acho que desistiram”.

Meus neurônios restantes pediram água: nova tentativa de desbravar a selva e garimpar conhecidos. Se eu fosse só um pouco “cara de pau”, tomaria o microfone do DJ, que ficava perto do balcão, e diria algo como “oi patota, vocês não me conhecem, mas podem me chamar de Marmota… Gostaria de dar os parabéns para as garotas”. Claro que esse é o tipo de coisa que não consigo fazer. Preferi ser mais sutil: apontei pra duas moças magras e de cabelo curto (as únicas duas características físicas que lembrava) e perguntei:

– Você é a Clarissa?

A primeira riu. A outra não me deu bola.

Naquela altura, a vontade de estar bem longe dali – em Mogi das Cruzes, por exemplo – era maior. Ainda fiquei mais um tempinho ouvindo clássicos dos anos 80, mas logo saí do bar. Quinze reais pelo refrigerante e água mais caros da minha vida – que infelizmente não renderam um único abraço nas aniversariantes…

E eu, uma pedra, estava lá. Talvez se eu não contasse, o mundo jamais saberia… :-P

(Aproveitando para felicitar novamente estas moças incríveis, além de agradecer a Vivi por ter me descoberto na imagem que ilustra esse causo).

André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

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Comentários em blogs: ainda existem? (7)

  1. Marmota!

    Sua aventura tragicômica na nossa festinha foi mais tocante que o episódio de Halloween do Snoopy, onde tudo que o Charlie Brown ganhava era… uma pedra.

    Para garantir, da próxima vez, vamos buscar o senhor em casa e apresentá-lo para todo mundo. Um raio não pode cair duas vezes no mesmo lugar.

    Mas queremos conhecê-lo antes do próximo aniversário. Um ano demora demais. Já sabemos como é sua cara. Podemos achá-lo num encontro em qualquer lugar por aí… Que tal?

    Beijos!

  2. Poxa Marmota, se eu fosse vc teria recorrido ao DJ. risos… Ah… e vc ainda está me devendo aquela pizza, de outubro do ano passado qdo estive aí na sua terrinha, hein??? Aí nesse caso, vc é que estava impossibilitado de me conhecer… hehehe

  3. Tadinho, Marmota! Nossa, como você é tímido!!! Pode deixar que não vamos fazer isso contigo na Galeria dos Pães. Ou melhor, vou fazer só por alguns minutos, até conseguir ler a legenda imperdível “E eu, uma pedra” ao vivo! Hehehehhehe, sou muuuuuuuuito má!!!!!!!!! HAHAHAHAHHAHAH
    Beijo!!!

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