Todo mundo morre um dia

O título acima, que remete a um dos episódios dos Simpsons (quando Homer vai a um restaurante japonês, come um peixe venenoso e aproveita suas últimas 24 horas de vida) foi a primeira frase que me veio a cabeça quando vi a expressão sisuda de Ana Paula Padrão nesta quarta à noite, anunciando a morte do Roberto Marinho.

De fato, realmente todos morrem um dia. Até ele: sua trajetória desde os primórdios do jornal O Globo até o crescimento da sua rede de TV foi cercado de muito “folclore”. Desde a sua aproximação com o poder (que não é nenhum folcore) até lendas como “pacto com o demônio” (também tenho as minhas suspeitas).

E essa não é a primeira vez que Roberto Marinho, 98 anos, morre. Há pouco mais de um ano, a equipe do Cocadaboa fez circular pela internet a morte do magnata em outubro de 2001. “O motivo pelo qual o falecimento de Roberto Marinho tem sido ocultado tem a ver com o momento delicado em que o Grupo Globo se encontra. A idéia da família é que, mantendo ativa a figura do patriarca, a autonomia do conglomerado não sofreria abalos no meio financeiro”, dizia a criativa – e visionária mensagem, já que agora, os três filhos de Marinho terão que tocar o império sozinhos.

Todos morrem um dia. “Mas tinha que ser justo hoje”, deve ter dito algum editor-chefe, ao receber a notícia por volta das dez da noite. O próprio Jornal da Globo deu “crepe” na hora dos gols da rodada, justamente por conta da notícia principal. Depois de uma enxurrada de informações sobre o jornalista na Internet, as bancas de todo o país trarão revistas e jornais com cadernos especiais – alguns deles prontos há meses, como aconteceu com “Covas morreu” já deve ocorrer com os especiais “Pelé morreu”, “Roberto Carlos morreu”, entre outros.

Nessas horas, vale sempre o velho deitado: parte o homem, fica sua obra. Aliás, bem que a Globo poderia render uma homenagem ao seu patriarca com aquele documentário

Atualizado: Até quarta-feira à noite, teríamos um Globo Repórter alusivo ao Criança Esperança, tratando sobre trabalho infantil. Em menos de 48 horas, uma nova reportagem foi produzida – obviamente, sobre a morte do “homem que, de fato, mandava”, como bem lembrou a Cacau.

Comentários em blogs: ainda existem? (5)

  1. O pior dessa história toda foi chegar na faculdade e encontrar o pavilhão nacional a meio mastro… Aí me dei conta que o cara até fez parte da ABL….que perda literária hein?

  2. Tá legal, o cara morre, nego vela, enterra e dá noticia. Mas sabe o que eu não entendo!? Por que fazem tantas entrevistas com os amigos se eles sempre dizem a mesma coisa? :”Ele era muito perseverante, visionário, fodão… Ele criou o maior complexo noticioso do Brasil, blá blá blá” – Todos.Quanta elucubração coletiva… Ninguém merece! :(

  3. André:vim matar a saudade, ficar informada e te dar um beijo. Não necessariamente nessa ordem…E ontem, durante o JN, a emoção do Bonner justificou tanto blábláblá e conferiu o que realmente penso: Roberto Marinho era foda mesmo.Beijo, beijo, beijo.

  4. Pois é, André…Quem é sucessor, o vice?Morreu quem mandava realmente no Brasil! Viu Jornal Nacional ontem?Ora, alguns dos depoimentos mostraram o poder do dono da Globo… Quem é que podia, em plena ditadura, falar que “dos meus comunistas cuido eu”? Ou o que ele estaria fazendo na reunião que se decidiu em relação ao impeachement do Collor, como o próprio Lula falou em rede nacional, ontem?

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