Seja bem vindo ao Reino de Avilan!

Atenção senhores passageiros de mais esta viagem atemporal: chegamos a 1786! Faltam três anos para a Revolução Francesa, e mais 103 para as primeiras eleições diretas em nosso país após a ditadura militar. Por obra de uma incrível coincidência (ou da imaginação de Cassiano Gabus Mendes), o clima aqui no Reino de Avilan está diretamente interligado a estes dois fatos históricos futuros!

Entre na casa de câmbio e troque seus cruzados novos por algumas ducas. Quer dizer, agora não. Melhor fazer isso no final da tarde: até lá, a inflação do reino terá feito nossa moeda valorizar um bocado em relação a deles. Dá tempo de conhecer o palácio real, cumprimentar os guardas e levar um de seus indefectíveis chapéis, relaxar ao som ambiente de Enya e acenar para a Rainha Valentine (que é a cara da Tereza Rachel), ao lado da filha, a princesa Claudia Abreu, e da mãe, a interminável Dercy Gonçalves!

Bom, na verdade, a rainha não manda nada: depois da morte do Rei Gianfrancesco Guarnieri logo no primeiro capítulo, se deram conta que o trono real não tinha um sucessor. Começaram aí os conchavos e as picaretagens dos conselheiros reais – uma espécie de Congresso Nacional, em busca de um laranja que atendesse seus interesses. Resumindo: virou Brasil.

Mas esqueçam os conselheiros sem graça. A grande figura do palácio vive em seus porões. Bem a frente de um caldeirão, ostentando um medalhão cafona no peito e alguns cabelos tratados a sabão em pedra: estamos falando de Ravengar. Esse sim é um bruxo de verdade, merecedor de longos minutos de aplausos em pé! Foi ele, inclusive, o responsável pela coroação do rei Pichot. E não pensem que o sujeito chegou ao trono só porque era parecido com Tato Gabus, filho do autor da trama: o pobre mendigo era apenas o tal laranja nas mãos dos poderosos!

Enfim. Alguns metros do palácio, em pleno subúrbio, temos a famosa taberna de Mademoiselle Loulou. Repleto de belas garotas, vinho de primeira qualidade e shows do Gipsy Kings toda quinta. Com sorte, podemos encontrar em uma das mesas o corajoso Corcoran, que trabalha como bobo da corte no horário comercial e complementa a renda como caminhoneiro, ao lado do Antônio Fagundes, aos finais de semana.

Se tivermos um pouco mais de sorte, talvez esteja ali também o filho bastardo do rei e legítimo herdeiro do trono de Avilan: o mosqueteiro Jean Pierre. Tem sangue nobre, mas é simples e de bom coração. Sempre batalhando para acabar com a corrupção, a taxa elevada de impostos, entre outras injustiças. Como todo mocinho, se vê diante de um dilema romântico: ou termina a história com a serva Aline ou cai para os braços de Suzanne, esposa do conselheiro Jorge Dória. Que beleza, hein, Celulari: não é qualquer um que pode passar cento e poucos capítulos com a Giulia Gam e a Natália do Vale pegando no pé!

Muito bem. Quando voltarmos ao dia 13 de fevereiro, Avilan estará comemorando sua data nacional: foi nessa data, uma segunda-feira de 1989, que essa história começou a fazer parte da vida dos brasileiros em forma de novela. Exatos vinte anos desde o primeiro dia em que milhares de pessoas paravam às 19 horas para assistir a Que Rei Sou Eu?. Muitas crianças da época (inclusive eu) ainda completaram seus álbuns de figurinhas – com fotos e ditados populares no verso e um poster caricaturado na frente.

Antes de retornarmos, o fim dessa história: depois de longos meses de batalhas, Jean Pierre finalmente consegue tomar o poder, manda Ravengar virar entrevistador na rede de televisão pública e promete construir um futuro melhor para Avilan. Mais ou menos o que um outro sujeito rebelde, mas mais collorido, também dizia em 1989. Por essas e outras, senhores passageiros, ainda tem gente sentindo a falta do Sarney…

(E eu senti falta de algumas imagens aqui. É que eu não encontrei meu álbum de figurinhas…)

Comentários em blogs: ainda existem? (3)

  1. Genial!

    Eu tinha o álbum de figurinhas e não consegui completar. Acho que essa foi uma das melhores novelas da época. Conseguia pegar todas as gerações. Realmente, inesquecível.

    O Jean Pierre era um herói sensacional. Acho que foi logo depois dessa novela que veio aquela Brasileiros e Brasileiras.

  2. Eu morria de medo do Ravengar!! Me lembro até hoje de tê-lo visto assombrando a janela da sala da minha casa, olhando para mim.

    Adorei a definição do tratamento capilar do dito cujo!

  3. Sério que teve álbum de figurinhas?! O.o Caramba, eu preciso pôr minhas mãos em um desse! Hehehehe!

    Eu gostava dos nomes dos personagens, principalmente do Bidê! XD

    P.S.: Gipsy Kings! o/

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