Renascer

Lembram-se daquela foto típica de outono? Pois ela fica ainda melhor com uma trilha sonora clássica e a leitura pausada do poema reproduzido abaixo. Esse trio pode ser interpretado de várias formas. Especialmente nessa reta final de 2005, pode representar a agonia estampada nos olhos exaustos de cada um, que não vêem a hora do ano acabar logo.

Mas também, como disse anteriormente, exemplifica com precisão o que chamamos de “ciclo da vida”. Tudo aquilo que podemos sentir pode ser comparado a uma folha na árvore, que carrega o verde de esperança ao nascer até cair, seca, no momento em que a natureza se prepara para um longo período sombrio antes da primavera. E o valor que essa folha carrega não está no tempo em que ela conseguiu ficar presa a um galho, mas sim na intensidade de cada momento, que o torna incomparável.

Esse poema foi lido pelo Arno Rochol, coordenador do curso que tive o privilégio de participar, poucos dias antes do encerramento. Obviamente, arrancou lágrimas de toda a família que havia se formado ao redor dele. Aliás, como não encontrei nenhuma referência na web, desconfio que o próprio Arno seja o autor… Mas enfim. Para lembrar de todos os momentos inexplicáveis e personagens inesquecíveis – não apenas na Alemanha, mas no ano todo.

Folha sou,
nascida de broto tenro.
Ao sol me lanço,
Sequiosa da vida…
Ao tornar-me madura,
vibro ao ser tocada pelo vento.

Esqueço-me nas alvoradas,
ao cantar dos pássaros…
E à tardinha, observo o
despertar dos grilos e pirilampos.
Quando um deles, então, pousa ao meu lado,
não invejo mais as estrelas.

Quanta felicidade ao ver a lua no céu,
e a brilhar pelos campos…

Que sonhos e encantos!

Mas, ao começar um novo dia,
grossas nuvens cobrem o horizonte.
A brisa transforma-se em ventania,
e sinto que me tornei folha rota

– Não chorei, ao cair no chão…
Sei que nasci só por uma estação.

Sem querer quebrar o clima, mas só para não deixar passar: os alemães, assim como o mundo todo, vão deixar de fazer suas coisinhas rotineiras para acompanhar o sorteio da Copa do Mundo. Um evento que simboliza não apenas o início da competição, mas principalmente o pontapé inicial para a Alemanha viver plenamente o clima do Mundial. Com a definição de quais países vão passar por cada cidade-sede, os organizadores pretendem direcionar toda a carga de publicidade.

Para azar da comunidade brasileira em Colônia (a maior da Alemanha), o Brasil vai encabeçar o Grupo F e jogar a primeira fase nos maiores estádios do Mundial – Berlim, Munique e Dortmund. Aliás, mais de quatro mil turistas brasileiros já compraram pacotes e devem ficar em Colônia durante a Copa. Haja trem pra toda essa gente.

Sei que esta sequência especial anda meio a desejar… Maldita época do ano em que tudo acontece ao mesmo tempo agora. Continuem aguardando as novidades, elas virão. Garanto.

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

Leia outros posts em Especiais do MMM. Permalink

Comentários em blogs: ainda existem? (2)

  1. O pior dessa vida corrida, especialmente no fim do ano, é a falta de tempo para fazermos coisas que realmente importam: abraçar os amigos com força, bater aquele papo, e desejar feliz natal.

    E isso me deixa tão angustiado…

    Abraços!

Vai comentar ou ficar apenas olhando?

Campos com * são obrigatórios. Relaxe: não vou montar um mailing com seus dados para vender na Praça da República.


*