Quando Catito encontrou Marcos VP

Se estiver passeando neste domingo por Belo Horizonte, considere a possibilidade de visitar a tradicionalíssima feira “hippie” da Afonso Pena, uma das maiores e mais completas do país. No meio a todo tipo de presentes, roupas, couros e guloseimas, provavelmente você ficará longos minutos diante de um sujeito sorridente e uma mesa discreta, mas repleta de pequenos objetos redondos alusivos a diversos personagens de quadrinhos e clubes de futebol. Não demora para o artesão Catito Rodrigues explicar o que está diante de seus olhos.

“Estes aí são imãs de geladeira, feitos com tampinhas de garrafa pintadas e envernizadas”, revela, apontando para uma caixa de papelão. São inúmeras tampinhas, com símbolos e muitos escudos populares – o do Inter saltou aos meus olhos, direto para minha mão. Em outras caixas, bolinhas em EVA em diferentes tamanhos, também com imãs e reunidas em kits de doze peças. “Estes são para jogar aqui”, conta, enquanto pega um tabuleiro feito de chapa de aço e adesivos coloridos. “O jogo de damas fica muito mais emocionante quando você tem um clube enfrentando outro”.

Sensacional! E nem é preciso adivinhar qual foi o kit que eu comprei…

Na época em que o conheci, semanas antes do Mundial, fiz uma pergunta inevitável: “então, vai fazer destas pecinhas usando escudos da Copa?”. Já vislumbrei um tabuleiro destes com Brasil x Argentina, por exemplo! “Ih, provavelmente não… A Copa dura só um mês, e depois ninguém mais compra”, observa. Realmente, eu esqueço que o público da feira não é, necessariamente, aficcionado por futebol.

Fiquei imaginando, num exercício de ficção, se Catito Rodrigues tivesse visto não a mim, mas o MarcosVP, que compartilha seu trabalho no Escudinhos. Apesar dos objetivos bem diferentes (não dá para comparar fuetbol de botão com jogo de damas), por que não pegar emprestado a dinâmica que vale para clubes e colocar, num tabuleiro, as escalações do Mundial? Onze titulares e um treinador de cada lado, por que não?

Claro que, dependendo da seleção, não valeria a pena investir em peças alusivas. Quem teria pique, a essa altura do campeonato, em desafiar um adversário usando o escrete do Dunga? E mais: sem contar espanhóis e holandeses (ou talvez os raçudos uruguaios), com qual kit você iria? Bem, talvez a coisa comece a ficar interessante se imaginarmos times clássicos – a Laranja Mecânica dos anos 70, o Uruguai do Maranazzo, o Brasil de 94 ou qualquer tricampeonato da Alemanha – consegue reconhecer os duelos pinçados abaixo?

Acordei neste domingo longe da Afonso Pena, mas visualizando o tal encontro. Os dois, após uma troca de e-mails, trocariam informações e passariam tardes elaborando um híbrido de damas com escudos de botões. Essas duas criações artísticas se tornariam um brinquedinho convidativo para que eu pudesse convidar algum amigo para se divertir nesse longo período de “depressão” pós-Copa que se vislumbra…

André Marmota dialoga muito com o passado, cria futuros inverossímeis e, atrapalhado, deixa passar algumas sutilezas do presente. Quer saber mais?

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