Qual personalidade comoveria mais ao subir no telhado?

Sempre que ouço falar em coisas fúnebres e congêneres, lembro do vídeo a seguir. Almirante Nelson Moraes traduziu as doces palavras de John Cleese na despedida a Graham Chapman, em dezembro de 1989. “Imagino que todo mundo aqui esteja lamentando que um cara tão talentoso, amável e inteligente possa sumir assim, de repente, com meros quarenta e oito anos – antes de conquistar tudo que era capaz, antes de ter toda a diversão que merecia. Mas algo me diz que o que eu deveria falar é “Que nada: já vai tarde, babaca. Tomara que queime no inferno”.

Enfim, longe de mim agourar as pessoas queridas – quero que todo vivente possa usufruir de seus momentos neste mundo com toda sua plenitude por longos anos. Mas numa dessas conversas sem rumo em mesas de boteco, surgiu uma questão palpitante: entre tantas perdas inevitáveis, qual seria a mais comovente, comparável a grandes movimentações – como foi a de Senna, por exemplo?

Bem diferente do saudoso Bolão Pé na Cova, a pergunta sobre o excesso de lágrimas após alguém subir ao telhado reuniu a incrível marca de 425 participantes. O que, para uma enquete perdida discretamente no meio da página, é um valor considerável.

Como esperava, a disputa macabra ficou praticamente polarizada em dois grandes nomes, que você já deve imaginar: Roberto Carlos e Sílvio Santos. Mas vamos começar com o fim da lista. Com apenas 5,9% de fãs (25 votos), Chico Buarque foi o menos votado – não sei se pelo fato de estar sempre bem disposto e dificilmente empacotar antes dos demais, ou se é porque canta mal mesmo (apesar de ser o melhor compositor do país).

Em quinto lugar, o Atleta do Século. Pelé foi lembrado por 10,4% (44 votos) dos participantes. Tenho dúvidas: apesar de reaparecer constantemente no noticiário, seja por conta das declarações esportivas ou por percalços de seus chegados na Justiça, quando o Rei bater a caçoleta certamente o país vai parar. Se bem que, se tivesse lembrado do Velho Lobo Zagallo nessa lista, seria páreo duro.

Na sequência, Renato Didi Aragão, com 11,3% (48 votos). Sinceramente, esperava que ficasse atrás do Chico e Pelé: depois das partidas de Zacarias e Mussum, além da desconfiguração dos Trapalhões, mesmo sua presença anual no Criança Esperança passa despercebida graças ao programinha vagabundo das tardes de domingo.

No terceiro posto desse pódio indesejado, temos Luis Inácio Lula da Silva, com 13,9% (59 votos). Incrível como mesmo nesse tipo de enquete nosso presidente aparece com boa margem, mesmo fazendo coisas que “nunca na história desse país”… Em tempo, apenas reforçando algo que já escrevi: espero que, tanto no caso dele quanto em todos os outros, a coisa aconteça por forças do destino, sem pressa e com o mínimo de sofrimento popular – seria muito triste o país acompanhar algo como houve com Tancredo, por exemplo.

Finalmente, a dupla mais amada do país. Não vá se surpreender com o resultado: em segundo lugar, com 24% da escolha destes ociosos visitantes (102 votos), o Brasil certamente faria um cortejo coletivo e simultâneo em todas as suas cidades diante do passamento de… Roberto Carlos.

Imaginava que seria apertada a diferença entre o Rei da Jovem Guarda e o Homem do Baú. Que esperança. As colegas de trabalho do patrão fizeram força, ultrapassando Robertão em 45 votos! No final, Sílvio Santos atingiu 34,6% (147 votos). Pessoalmente, acredito realmente que os dois terão algo como uma semana de homenagens, dentro e fora da TV.

Mas antes, não canso de dizer: vida longa e próspera a todos eles (batendo na madeira todas as vezes).

Comentários em blogs: ainda existem? (6)

  1. Não acho que o Chico cante mal. Concordo com uma hipótese levantada pela Luciana. O RC é amado pelas mulheres e homens, os quais dele não têm ciúme.
    O Chico continua desejado pelas mulheres e olhado de viez pelos homens.

    Por quê não um desastre de avião que leve o Homem do Baú e o o Rei ao mesmo tempo? Feriado nacional de uma semana, já pensou?

  2. Faltou a trilha sonora do cortejo fúnebre, André. Aquela que vai ficar tocando enquanto a TV mostrar tudo e todos no velório. Vamos lá:

    1 – A banda, pro Chico.

    2 – A taça do mundo é nossa, pro Pelé.

    3 – Ter um amigo, pro Didi.

    4 – Do mundo não se leva nada, pro Silvio Santos.

    5 – Todas as milhaaaaaaaaaares de músicas do Rei, pra ele mesmo, Rob Car, lógico.

    Isso tudo em ritmo de velório, que nem fizeram com o Tema da Vitória quando o Senna morreu – morte filha da mãe que não deveria ter acontecido. :/

  3. Acertou na mosca, Tina… O André tem ciúme do Chico Buarque Lindo, por isso vem com esse papo de que ele canta mal! :P

    Quanto ao desastre matando o Rei e o SS, nossa, não consigo nem imaginar! Era capaz de virar feriado oficial!

  4. Eu tenho que admitir que devo ficar chocado quando Tiu Silvo passar dessa para outra. Acho que sai ser algo surreal…

    Ele deveria ser como um Sr. Burnnes…
    Várias máquinas para mantê-lo vivo para sempre saca?

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