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Qual a diferença entre a Ferrari e a seleção?

Então, durante uma rápida sapeada na televisão sexta-feira passada, ouço Tiago Leifert anunciar, com alegria: “Muricy Ramalho é o novo técnico da seleção brasileira!”. Passei o resto do dia alienado, mas raciocinando um texto pinçando, entre outras referências, na entrevista à revista Brasileiros concedida pelo treinador há um ano e meio. Ao mesmo tempo, fiquei imaginando a expressão do Doni e de outros torcedores do São Paulo, imaginando que Ricardo Teixeira corrigiu uma injustiça de, ao menos, quatro anos.

De repente, quando acordo na manhã seguinte, descubro que o treinador era Mano Menezes. Dias depois, celebrado por boa parte dos torcedores, tratou de atender ao pedido do chefe e iniciar sua renovação, chamando alguns dos atletas que poderiam ter sido chamados antes – ao menos até a equipe tropeçar e ser questionada, como de praxe.

Mas ué… Mas o Muricy não havia aceitado? Aconteceu alguma coisa?

Brasileiros apaixonados por esporte enxergam todo tipo de hipótese quando situações absurdas acontecem. E vou ser franco: um treinador negar o convite para ocupar o posto máximo de sua profissão é bastante esquisito. Concordo que, assim como Felipão, Muricy demonstrou respeito a seus contratos com os clubes – mas com uma diferença fundamental: ele foi convidado e chegou a dizer “pode ser, só preciso ver com o clube”, enquanto Scolari negou sempre.

Enfim, não fosse outra situação absurda no fim de semana, talvez os brasileiros não comentassem tanto a não-ida de Muricy. No fim, os holofotes se voltaram para o GP da Alemanha de Fórmula 1.

Como esta seção não discute automobilismo, vamos apenas ao que interessa: engenheiros da Ferrari deram a entender que o brasileiro Felipe Massa deveria abrir caminho para o espanhol Fernando Alonso, em tese mais veloz. Ao invés da manobra ser decidida no braço (como deveria ser), foi uma “canetada” que determinou o resultado.

Indignações pipocaram mundo afora, e as discussões a respeito das “mutretas” associadas à Fórmula 1 voltaram com força total: afinal, como é possível vibrar diante de uma modalidade onde interesses de equipes e envolvimentos financeiros superam aquilo que realmente importa ao torcedor? Como fica a imagem de um piloto que, mesmo agindo corretamente diante da lógica comercial, agora ficou rotulado com a imagem de “alguém que não peitou o sistema e, por isso, não tem fibra pra ser campeão”?

E o que isso tem mesmo a ver com Muricy na seleção?

Vi a história a seguir pela primeira vez com o Vitor Birner. Sim, Muricy ganhou pontos com sua torcida ao dizer que respeitará seu contrato, mas por outro lado a decisão pode ter um componente altamente político. Roberto Horcades, cardiologista e presidente do Fluminense, era amigo de Ricardo Teixeira, o que lhe rendeu uma indicação na Comissão Médica da Fifa.

Pois Horcades votou em Fábio Koff nas últimas eleições do Clube dos 13 – o candidato da CBF era Kléber Leite. Em resposta, teve seu cargo na Fifa exonerado. A negativa ao convite a Muricy pode ter sido uma resposta ao presidente da CBF. A diferença entre os motivos de Massa e de Horcades é que todos ouviram sobre o primeiro no rádio da equipe…

Muitos amantes do esporte chegaram a declarar com força que não mais acordarão cedo para assistir a Fórmula 1, por conta de tanta palhaçada. Imaginem se a legião que acompanha o futebol explorasse episódios como o da indicação de Muricy, o veto ao Morumbi, entre outras histórias que fazem o jornalista inglês Andrew Jennings definir a Fifa como uma máfia (aqui e aqui duas entrevistas bombásticas, reproduzidas pelo Juca Kfouri)… O efeito seria exatamente o mesmo, não?

Enfim, ao menos nos próximos meses, Mano Menezes e os Meninos da Vila tratarão de anestesiar a sujeira – ao menos até a próxima “marmelada”.

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