Presente de dia das mães

Ano passado, estive na festa de bodas de ouro dos meus tios – uma dessas raras oportunidades para reunir mais de uma centena de parentes. Preciso confessar que saí dela um pouco frustrado: provavelmente eu não vou ter festa de bodas de ouro. Para que isso acontecesse, caso supostamente eu casasse até o fim de ano, eu teria que viver até os oitenta… E o tempo passa.

Feliz dia das mãesMas enfim, logo me conformei com o óbvio: o mundo mudou demais, e basta voltar uma geração para sentir isso. A menininha da foto ao lado (imagem que já completou 50 anos) conheceu o amor de sua vida em um baile de final de semana – era certamente uma das únicas maneiras para conhecer e flertar alguém em plena zona rural do Rio Grande do Sul.

Diferente da maioria dos rapazes da região, meu pai se formou em eletrônica e deixou a cidade para trabalhar na área. Acabou encontrando o que fazer em São Paulo, em 1974. No final do ano seguinte, voltou ao Sul para se casar e buscar seu amor. A festança foi na véspera de Natal.

O casal rodou o estado de São Paulo, e num desses acidentes de percurso, em Bauru, veio o primeiro filho deles, sob os cuidados do Doutor Tadashi. Era um sábado, véspera do dia das mães de 1977. A casa estava cheia de gente e flores. As duas avós do novo netinho também estavam lá, paparicando a mamãe e o pimpolho.

Feliz dia das mães

Já se passaram trinta anos desde aquela tarde – aliás, com trinta anos meus pais já tinham dois filhos, mais um indicativo de mudança no comportamento. Como estou devidamente conformado, tudo que posso dizer é que, daquele sábado até agora, já se passaram 10.963 dias das mães, e contando. Já não me importo mais com bodas de ouro: ficaria feliz com uma família que soubesse como é bom viver dias assim.

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